sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Qual o papel do luto na vida humana?

O luto – sentimento de pesar ou dor pela morte de alguém – é um processo que nos ajuda a assimilar e aceitar a perda de alguém que amamos. “Nas horas e nos dias seguintes à morte, a maioria das pessoas passa pela fase da negação ou descrença, ficando totalmente atordoada, como se não pudesse acreditar. Mesmo quando a morte era esperada, esse sentimento pode surgir, embora com menor intensidade”, diz a psicóloga clínica e psicoterapeuta Kátia Horpaczky. “O velório e o enterro podem ser situações em que a realidade começa a ser encarada. São um modo de dizer adeus àqueles que amamos. Esses acontecimentos podem ser dolorosos, mas fugir deles pode trazer problemas mais tarde, muitas vezes provocando certo arrependimento. Esta é a função do luto: entrar em contato com a realidade.” Segundo a psicóloga, o luto dura de três a seis meses, no máximo um ano, dependendo da pessoa. A família e os amigos podem ajudar muito a pessoa em luto, passando um tempo com ela e demonstrando que estão disponíveis para o que for necssário.

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

A morte e o processo de luto na infância


Meu Primeiro Amor: a morte e o processo de luto na infância
Por Parcilene Fernandes
 Bacharel em Psicologia. Mestre em Ciência da Computação pela Universidade Federal de Santa Catarina - UFSC. Coordenadora e professora dos cursos de Sistemas de Informação e Ciência da Computação do CEULP/ULBRA. 
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O filme é apresentado através do olhar de Vada (Anna Chlumsky), uma menina de 11 anos que mora com o pai e uma avó doente em uma casa-funerária.  A estreia do filme foi em 1991, um ano após o sucesso estrondoso de Esqueceram de Mim, o filme que transformou o menino Macaulay Culkin em um astro da indústria do cinema, apesar de ter apenas 10 anos.
E esse fato ocasionou uma das questões mais inquietantes na época do lançamento do filme: como levar crianças ao cinema para assistir ao menino sensação do momento ser morto por picadas de abelhas? Na época, muitas discussões vieram à tona, com partipação de psicólogos e pais, sobre o quão um filme como esse poderia afetar as crianças.
Mas, há uma forma ideal de falar sobre a morte com crianças? Há alguma idade adequada para tratar de um assunto tão complexo? A percepção da morte de um adulto por uma criança é diferente da percepção que ela terá da morte de outra criança?
Talvez o grande erro de qualquer linha de raciocínio que busque responder a essas questões está na apresentação de respostas generalizadas, considerando crianças em dada faixa etária como se fossem um único bloco, como se cada bloco sentisse de uma forma semelhante.
Machado(2006) diz que a forma como uma criança vive o luto e faz uma representação interna da morte varia de acordo com a idade, a personalidade, o estágio de desenvolvimento cognitivo e psicossocial, a intensidade com que ela vivencia a situação (proximidade, por exemplo), e, ainda, com aspectos mais gerais que tem relação com a cultura em que está inserida.
A menina do filme, Vada, é uma criança solitária, que se sente culpada pela morte da mãe (que morreu devido a complicações no parto), que não sabe como lidar com os corpos que são embalsamados no porão de sua casa (onde funciona a funerária) e que tem como único amigo, um menino tímido chamado Thomas J. (Macaulay Culkin).



Tendo como base os estágios de desenvolvimento da criança propostos por Piaget, Torres (2002) diz “que a criança só concebe a morte como um fenômeno irreversível a partir do estágio das operações concretas, mais ou menos aos sete anos de idade”. E Machado (2006) acrescenta que “somente entre os nove e os doze anos, na transição da infância para a adolescência, que se interioriza a morte como um fenômeno universal, irreversível e comum a todos os seres vivos”.



Por ter dificuldade em lidar com a ideia da morte, apesar de viver em um ambiente onde essa temática está presente de forma profunda, Vada aparece constantemente no consultório de um médico da família, alegando que está com alguma doença incurável. O pai, que vive em um mundo à parte desde a morte da esposa, não percebe a solidão e o medo da filha, especialmente, a sua insegurança perante a finitude da vida. Uma vida cercada por doenças e perdas.


“Cerco-me de pessoas que acho intelectualmente estimulantes.” (Vada)

Thomas J., ao contrário dos adultos do filme, conhece a menina, entende a dor que ela sente, sabe até como a ideia da morte a atinge. Mas é pequeno demais para transformar tudo isso em palavras. Algumas crianças (como alguns adultos) são mais sensíveis a dor dos outros. Essa sensibilidade pode refletir em pequenos gestos de grande impacto.



A amizade entre os dois deu a Vada a oportunidade de ter uma infância mais feliz, mesmo que a tragédia que se seguiu tivesse força suficiente para transformá-la para sempre.
De todas as cenas do filme, a mais “fofa” é a volta do lago (depois do beijo embaixo do Salgueiro), quando Thomas J. tem coragem de mostrar seus sentimentos, mesmo depois que Vada disse que se casaria com o professor de literatura (Sr. Bixler).

Vada?
 O que é?
 Pensaria em mim?
 Para quê?
 Se não casar com o Sr. Bixler.
 Acho que sim.

As cenas que se seguem após esse último encontro fizeram muitos pais terem que explicar aos filhos, muitas vezes cercados por um contexto em que a morte parece ser uma realidade tão distante, que crianças também podem vir a morrer.
No início do filme, Vada rouba um dinheiro da maquiadora dos defuntos (que depois se torna noiva de seu pai) para fazer um curso de poesia com o prof. Bixler. No entanto, sua primeira tentativa de fazer um poema resultou em um verso sobre sorvetes. Então, o professor sugeriu que ela tentasse se expressar através de sua alma, não apenas através de coisas concretas e cotidianas.  Somente ao final do filme, depois de alguns dias da morte do Thomas J., que ela conseguiu finalmente fazer uma poesia que mostrava, de fato, o que sentia.


 "Salgueiro chorão com lágrima escorrendo
 Por que você chora e fica gemendo?
 Será porque ele lhe deixou um dia?
 Será porque ficar aqui não mais podia?
 Em seus galhos ele se balançava
 E ainda espera a alegria que aquele balançar lhe dava
 Em sua sombra abrigo ele encontrou
 Imagina que seu sorriso jamais se acabou
 Salgueiro chorão pare de chorar
 Há algo que poderá lhe consolar
 Acha que a morte pra sempre os separou?
 Mas em seu coração pra sempre ficou."

Para Baker et al (1992), o processo do luto e do entendimento da morte consiste na vivência de etapas psicológicas que progressivamente visam superar a dor. A primeira etapa envolve a compreensão do que é a morte, suas características e a capacidade de reconhecê-la no cotidiano.  Nesta fase, é importante que as crianças se sintam autoprotegidas, ou seja, elas precisam compreender que o fato de uma pessoa morrer não significa, necessariamente, que elas ou suas famílias estejam em perigo imediato.
A fase intermediária envolve a compreensão de que a morte é uma realidade, logo é preciso aceitar as emoções que vêm junto com tal fato. Assim, as memórias e as conexões com a pessoa que partiu não é um mal a ser evitado, mas uma necessidade que advém da vivência do luto. Assim, não é uma atitude coerente dar às crianças a falsa esperança de que um ente querido pode "voltar" depois da morte ou, ainda, simplesmente começar a desestimular a conexão da criança com a pessoa que partiu (BAKER et al., 1992). Esta fase mostra uma grande diferença na maneira que crianças e adultos lamentam a perda.  Isso porque a maioria dos adultos, por entender o conceito da morte, não tem que gastar tanto tempo para descobrir o que aconteceu, ainda que o desaparecimento da pessoa de forma brutal do seu meio seja um fato impactante, mas a criança ainda terá que processar a ausência da pessoa sem, muitas vezes, ter a vivência e os elementos necessários para fazer uma representação disso.
A última fase deste processo envolve uma reorganização do sentido de identidade e das relações com os outros e com o meio ambiente. A criança terá que aprender a investir emocionalmente em si mesma e na relação com os outros, sem que o medo de perder alguém para a morte venha a ser um empecilho. Nesta fase, a criança bem ajustada ainda se lembra da pessoa amada, mas sem o medo excessivo que os outros também irão morrer, logo é capaz de lidar com essas lembranças e com as tristezas que as acompanha (BAKER et al., 1992).
Assim, voltando às questões iniciais sobre a vivência do luto na infância, talvez a melhor forma de lidar com uma criança que perde alguém é, primeiramente, estar disposto a conhecê-la, entender, mesmo que seja aos poucos, como ela percebe o mundo e como as coisas desse mundo a afetam. Cada um de nós tem uma lembrança relacionada à morte, e cada um de nós tenta encontrar formas de lidar com ela.  Para muitos, isso pode levar a lugares profundos e/ou sombrios, para outros pode ser um caminho menos tortuoso, mas, em qualquer situação, nunca parece ser uma estrada fácil para se percorrer sozinha.

Referências:
BAKER, J. E., SEDNEY, M. A., & Gross, E. Psychological tasks for bereaved children. American Journal of Orthopsychitray, 62, 105-116, 1992.
MACHADO, A. Como lidam as crianças com a morte/Luto. Revista no. 67 sinais vitais, Julho, p. 45-50, 2006.
TORRES, W. O Conceito de morte em crianças portadoras de doenças crônicas. Psicologia: teoria e pesquisa. Mai-Ago, vol. 18, n.2, p. 221-229-2002.


Pós Morte

A questão de o que acontece, especialmente com os humanos, durante e após a morte, ou o que acontece "uma vez morto", se pensarmos na morte como um estado permanente, é uma interrogação frequente, literalmente uma questão latente na psique humana. Tais questões vêm de longa data, e a crença numa vida após a morte com uma posterior reencarnação ou mesmo a passagem para outros mundos embora muito antigas, são ainda muito difundidas socialmente (veja submundo). Para muitos, a crença e informações sobre a vida após a morte resultam de uma mera busca por consolação ou mesmo de uma covardia em relação à morte de um ser amado ou à prospecção da inevitabilidade de sua própria morte. A crença em vida após a morte pode para esses trazer algum consolo, contudo crenças como o medo do Inferno ou de outras consequências negativas podem tornar a morte algo muito mais temido. A contemplação humana da morte é uma motivação importante para o desenvolvimento de sistemas de crenças e religiões organizadas. Por essa razão, palavra passamento quando dita por um espírita, significa a morte do corpo. A passagem da vida corpórea para a vida espiritual.
Apesar desse ser conceito comum a muitas crenças, ela normalmente segue padrões diferentes de definição de acordo com cada filosofia. Várias religiões creem que após a morte o ser vivo ficaria junto do seu criador, para os cristãos, Deus.
Muitos antropólogos sentem que os enterros fúnebres atribuídos ao Homem de Neanderthal / Homo neanderthalensis, onde corpos ornamentados estão em covas cuidadosamente escavadas, decoradas com flores e outros motivos simbólicos, é evidência de antiga crença na vida após a morte.
Do ponto de vista científico, não se confirma a idéia de uma vida após a morte. Embora grande parte da comunidade científica sustente que isso não é um assunto que caiba à ciência resolver, e que cientificamente não há evidências que corroborem a existência de espíritos ou algo com função similar que sobreviva após a morte , muitos pesquisadores tentaram e ainda tentam entrar nesse campo estudando por exemplo as chamadas "experiências de quase-morte". Para eles, o conceito de "vida" se associa ao de "consciência", contudo consciência não atrela-se à matéria conhecida .
Ao fim, consideram-se em essência três hipóteses:
◾A consciência existe unicamente como resultado de correlações materiais . Essa hipótese é a que encontra corroboração científica atualmente, e se for verdadeira, a vida cessa de existir no momento da morte.
◾A consciência não tem origem física e sim transcendente à matéria , usando o corpo físico apenas como instrumento para se expressar. Se esta hipótese for verdadeira, certamente há uma existência de consciência após a morte e não obstante também antes da vida física, o que leva diretamente às tentativas de validação da reencarnação. É a adotada na Doutrina Espírita; sendo igualmente utilizada por várias outras doutrinas espiritualistas para validar os acontecimentos por eles presenciados e assumidos como transcendentais; bem como para explicarem-se os êxtases em cultos de neopaganismo.
◾A consciência tem uma origem física e encontra-se atrelada ao cérebro, mas há uma distinção entre os estados físicos da matéria (da massa encefálica) e os pensamentos que deles derivam . Nessa linha de pensamento há alguns que vão adiante e alegam que a consciência atrela-se a algum tipo de matéria imponderável que, embora relacionada à matéria ordinária, não se decompõe como a primeira quando da morte. A hipótese também é, neste caso, compatível com a reencarnação e com a filosofia das doutrinas espiritualistas.

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Morte Cerebral


Morte cerebral




Designa-se por Morte Cerebral ou Morte Encefálica a perda definitiva e irreversível das funções cerebrais. O termo Morte Encefálica aplica-se a condição final, irreversível, definitiva de cessação das atividades do tronco cerebral. O tronco cerebral é constituído pelo mesencéfalo, ponte e bulbo. É a porção mais nobre e antiga do encéfalo (formado pelo tronco encefálico mais cérebro e cerebelo) Portanto, este termo é muito mais adequado que "morte cerebral".
No tronco cerebral há diversas estruturas responsáveis pelas nossas funções vitais (controle de pressão arterial, atividade cardíaca, respiratória e nível de consciência) em resumo, é o que nos mantém vivos. A lesão do mesmo é a via final de qualquer agressão ao encéfalo (isquêmica, anóxica, metabólica). A lesão não necessariamente é causada por um problema primário do encéfalo, pode ser consequência de uma enfermidade sistêmica.
A morte encefálica foi um avanço no conceito de morte, para entender, de forma prática, basta termos em mente que uma parada cardíaca, nas condições adequadas, pode ser revertida; já o mesmo não acontece com a atividade do tronco cerebral.
O conceito moderno de morte cerebral foi cientificamente definido e aceito por todas as religiões como cessação da vida. Começou a ser moldado em 1959, pelos franceses Mollaret e Goulon, que descreveram uma série de casos de pacientes em coma irreversível (Mollaret P e Goulon M. Le coma dépassé. Rev Neurol (Paris). 1959; 101: 3-15.). Em 1968 na Universidade de Harvard , uma comissão de juristas, médicos e religiosos definiu os primeiros critérios do coma irreversível, como um novo conceito de morte1 . Os critérios definidos para morte encefálica variam o redor do mundo, devido muito mais a questões culturais e jurídicas2 . Cientificamente, todas as sociedades fundamentam o diagnóstico no exame clinico neurológico que confirme a irreversibilidade do coma e a falência do tronco cerebral. Em relação a exames específicos, estes devem ser complementares, muitos países os dispensam como necessários ao diagnóstico, uma vez que não existe “exame confirmatório” de morte. Todos os exames utilizados hoje (eletroencefalograma, arteriografia, doppler, SPECT, cintilografia...) isoladamente, sem a história e exame neurológico adequado, de forma alguma auxiliam ou mesmo confirmam o diagnóstico. Recentemente a Sociedade Americana de Neurologia definiu algumas orientações para o diagnóstico de morte encefálica3 .
No Brasil o diagnóstico de morte encefálica é realizado seguindo o “Termo de Declaração de Morte Encefálica”, onde o exame clinico é feito por dois diferentes médicos em diferentes intervalos de tempo, sendo obrigatória a utilização de exame complementar4 .
Vale ressaltar que o diagnóstico de morte encefálica é tão definitivo como o de “morte cardíaca”, portanto, ninguém morre duas vezes; Uma vez em morte encefálica o paciente está definitivamente morto. O paciente em morte encefálica pode, eventualmente, realizar movimentos involuntários, conhecidos como Lazaróides. A maioria deve-se a atividade reflexa medular. São há muito conhecidos, filósofos como Descartes já mencionavam movimentos em animais decapitados; durante a revolução francesa muitos foram os relatos de executados que realizavam movimentos pós-decapitação, portanto, a observação de tais movimentos é plenamente compatível com a confirmação de morte encefálica e de maneira alguma invalida o seu diagnóstico5 .

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

RESPEITO E HOMENAGEM AO CADÁVER DESCONHECIDO





 “Conta-me e eu esquecerei; Ensina-me e eu
lembrarei; Envolve-me e eu aprenderei”

Benjamin Franklin  vi


Oração ao Cadáver Desconhecido


“Ao curvar-te com a lâmina rija de teu bisturi sobre o
cadáver desconhecido, lembra-te que este corpo nasceu do
amor de duas almas; cresceu embalado pela fé e esperança
daquela que em seu seio o agasalhou, sorriu e sonhou os
mesmo sonhos das crianças e dos jovens; por certo amou e foi
amado e sentiu saudades dos outros que partiram, acalentou
um amanhã feliz e agora jaz na fria lousa, sem que por ele
tivesse derramado uma lágrima sequer, sem que tivesse uma
só prece. Seu nome só Deus o sabe; mas o destino inexorável
deu-lhe o poder e a grandeza de servir a humanidade que por
ele passou indiferente”

Karel Rokitansky (1876)
Ao cadáver, respeito e agradecimento.

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Processo de perda e luto possui cinco fases

por Thaís Petroff

TCC - Terapia Cognitivo Comportamenta .Entenda como a sua percepção da realidade afeta suas emoções

Todas as pessoas que sofrem algum tipo de perda ou que têm a possibilidade de sofrer (morte de ente querido, diagnóstico de doença, falência, traição, punição criminal, etc.) passam por um processo de luto, para poder elaborar e lidar com essa situação.
A falecida psiquiatra suíça, Elisabeth Kubler-Ross pesquisou e trabalhou com esse tema e descreveu cinco fases desse processo de luto. Dentro da abordagem da TCC, é possível perceber que existem pensamentos e comportamentos comuns às pessoas que se encontram vivenciando cada uma dessas fases. Essa descrição pode facilitar a compreensão e a percepção sobre o que ocorre com pessoas que vivenciam alguma forma de perda ou luto.
Primeira fase: negação
Nessa fase a pessoa nega a existência do problema ou situação. Pode não acreditar na informação que está recebendo, tentar esquecê-la, não pensar nela ou ainda buscar provas ou argumentos de que ela não é a realidade.
Pensamentos
Comportamentos
• “Isso não é verdade!”
• “Vai passar.”
• “Sempre dou um jeito em tudo, vou resolver isso também.”
• Buscar uma segunda opinião ou outras explicações para a questão.
• Continuar se comportando como antes (ignorando a situação).
• Não aderir ao tratamento (no caso de doença) ou não falar sobre o assunto (no caso de morte, desemprego ou traição).
Segunda fase: raiva
Nessa fase a pessoa expressa raiva por aquilo que ocorre. É comum o aparecimento de emoções como revolta, inveja e ressentimento. Geralmente essas emoções são projetadas no ambiente externo; percebendo o mundo, os outros, Deus, etc. como causadores de seu sofrimento. A pessoa sente-se inconformada e vê situação como uma injustiça.
Pensamentos
Comportamentos
• “Por que eu?”
• “Isso não é justo!”
• “Por que fizeram isso comigo?”

• Perde a calma quando fala sobre o assunto.
• Recusa-se a ouvir conselhos.
• Evita falar sobre o assunto.
Terceira Fase: negociação
Nessa fase busca-se fazer algum tipo de acordo de maneira que as coisas possam voltar a ser como antes. Essa negociação geralmente acontece dentro do próprio indivíduo ou às vezes voltada para à religiosidade. Promessas, pactos e outros similares são muito comuns e muitas vezes ocorrem em segredo.
Pensamentos
Comportamentos
• “Vou acordar cedo todos os dias, tratar bem as pessoas, parar de beber, procurar um emprego e tudo ficará bem.”
• “Vou pensar mais positivamente e tudo se resolverá.”
• “Deus, deixe-me ficar bem de saúde, só até meu filho crescer.” (pessoa ao saber que está doente
)
• Rezar e fazer um acordo com Deus.
• Buscar agradar (no caso de uma traição).
• Se alimentar com produtos lights e diets para compensar os outros alimentos. 
Quarta fase: depressão
Nessa fase ocorre um sofrimento profundo. Tristeza, desolamento, culpa, desesperança e medo são emoções bastante comuns. É um momento e que acontece uma grande introspecção e necessidade de isolamento.
Pensamentos
Comportamentos
• “Não tenho capacidade para lidar com isso.”
• “Nunca mais as coisas ficarão bem.”
• “Eu me odeio.”

• Chorar.
• Afastar-se das pessoas.
• Comportar-se de maneira autodestrutiva.
Quinta fase: aceitação
Nessa fase percebe-se e vivencia-se uma aceitação do rumo das coisas. As emoções não estão mais tão à flor da pele e a pessoa se prontifica a enfrentar a situação com consciência das suas possibilidades e limitações.
Pensamentos
Comportamentos
• “Não é o fim do mundo.”
• “Posso superar isto.”
• “Posso aprender com isto e melhorar.”

• Buscar ajuda para resolver a situação.
• Conversar com outros sobre o assunto.
• Planejar estratégias para lidar com a questão.

As pessoas não passam por essas fases de maneira linear, ou seja, elas podem superar uma fase, mas depois retornar a ela (ir e vir), estacionar em uma delas, sem ter avanços por longo período ou ainda suplantar todas as fases rapidamente até a aceitação. Não há regra. Tudo depende do histórico de experiências da pessoa e crenças que ela tem sobre si mesma e sobre a situação em questão.
Tem pessoas que podem passar meses ou anos num vai e vem e não chegar a aceitação nunca. Tem pessoas que em poucas horas ou dias fazem todo o processo, isso varia também em função da perda sofrida pela pessoa.
O terapeuta de TCC trabalha desafiando os pensamentos automáticos negativos (PANs), fornecendo suporte emocional e planejando conjuntamente com a pessoa comportamentos alternativos mais saudáveis e produtivos.

O Processo de Luto: Como enfrentar a Morte?

O Processo de Luto: Como enfrentar a Morte?


Por 
Psicóloga egressa do CEULP/ULBRA. Colaboradora do (En)Cena.


A sociedade, ainda que moderna, traz consigo tabus que parecem enraizados em sua história. Dentre os diversos assuntos que são por vezes evitados ou vistos com desprezo, a sexualidade e a morte parecem ocuparsempre os primeiros lugares. A morte, no entanto, continua sendo a mais discriminada, se assim pode-se dizer, pois falar da finitude humana faz com que o indivíduo recorde a enfermidade da própria vida e todos os esforços estão voltados para a tentativa de contrariar o único fato incontrolável, que é a mortalidade.
Há uma série de artifícios usados para afastar as pessoas da morte. Os enfermos morrem em hospitais, por vezes longe da presença familiar, afastando o confronto essencial que é o de encarar a morte, como acontecia em tempos passados – as pessoas morriam em casa, sendo veladas ao lado dos familiares e amigos – e isso contribui para a dificuldade de aceitação de um fato inevitável. O que acarreta, também, no desenvolvimento de uma sociedade, em alguns aspectos, cada vez mais individualista.
Não se sabe até que ponto o ser humano pode evitar discussões que têm como tema principal a morte. Ainda que tal esquiva seja algo totalmente impossível, pois a vida e a morte andam lado a lado, já que estão presentes no cotidiano de cada ser vivo. À medida que o ser humano caminha pelas várias fases do ciclo da vida, aproxima-se do incontornável destino final, sendo por isso algo cada vez mais presente e ocupando um espaço maior no pensamento humano. Mas, devido a vários acontecimentos, esse momento final pode ser confrontado até mesmo antes da própria morte do indivíduo, sendo esse confronto um dos mais penosos, que é a perda de alguém próximo, obrigando esse indivíduo a ficar diante da dor mais inquietante do seu ser: a certeza da finitude e a dor da ausência (MELO, 2004).
É imensurável a dor que assola o ser humano durante um momento de perda, pois nenhum homem, ainda que ciente do fim, aceita a condição de ser mortal. Sanders (MELO 2004, apudSANDERS, 1999) diz que a dor de uma perda é tão impossivelmente dolorosa que tem que se criar maneiras para se defender contra a investida emocional do sofrimento, além disso, existe o medo da entrega total da pessoal à dor, a ponto dessa entrega ser tão devastadora que o indivíduo dificilmente conseguirá emergir-se para estados emocionais comuns outra vez. Somente o tempo torna-se aliado daquele que sofre pela perda, permitindo a esse ser uma recuperação lenda e gradual.
Porém, esse mesmo indivíduo tem o papel ativo no processo de luto, tendo que efetuar algumas tarefas de “deixar ir”, desapegar-se ao corpo físico do outro e seguir sua vida. Quando tais tarefas não são realizadas, acaba-se por passar a tênue linha que separa luto normal do luto patológico. Nesse caso, o luto patológico possui sintomas severos, características de uma fase inicial que se segue à perda, prolongando-se por um período de tempo superior ao tempo normal adquirido ao luto (MELO, 2004).


O que é o processo de luto? A palavra luto deriva do latim luctu – tristeza. Segundo o Dicionário da Língua Portuguesa, o luto significa a dor e o pesar pelo sentimento de perda de alguém próximo. Bifulco (2005) destacou a importância de compreender o luto não somente após a morte, mas com os acontecimentos anteriores à ela, a posto que, ao descobrir a doença terminal – termo em que ela descreve como sendo utilizado erroneamente, visto que todos os seres-vivos são terminais – o sofrimento está ao longo de sua descoberta, pois tanto o paciente quanto seus familiares passam por um processo de luto.   
Klüber-Ross (1998) dedicou-se a análise do processo de luto vivido por pacientes que receberam diagnóstico de doenças terminais e elaborou cinco estágios básicos durante esse processo. O primeiro estágio é o de negação e isolamento, onde pacientes e familiares não aceitam o diagnóstico ou a morte. Este estágio ocorre devido o ser humano não estar preparado para a morte, mesmo sabendo que ela é inevitável. O segundo estágio é caracterizado pela raiva, momento em que o paciente, ou a pessoa enlutada, não compreende porque isso aconteceu justamente com ele, culpando tudo o que lhe cerca.
O terceiro estágio é o de barganha, um estágio curto, porém bastante significativo, pois, se nos dois anteriores momentos o sentimento é de negação e raiva, culpando a Deus e a todos, nesse estágio há um tipo de trato. Assim o paciente usa como argumento de que se a raiva e o fato de não aceitar a situação não o favoreceu, talvez mudando o comportamento e tendo boas atitudes consiga reverter esse caso.
O quarto estágio se caracteriza pelo sentimento de depressão, situação em que o paciente já não pode negar mais sua doença, bem como a família não pode negar a perda. O paciente sente-se triste e frustrado por não conseguir reverter sua situação, sente um misto de sentimentos e aflições, ansiedade e stress desencadeados pela certeza da morte. O último estágio é o de aceitação, sendo um momento de despedida do mundo, de morrer tranquilo. Assim como a família, ele compreende que não há mais nada que se possa fazer.
É importante que o indivíduo passe por estas etapas, visto que isso estimula a compreensão da vida e a aceitação dos fatos. Para Sullivan (1956 apud SANDERS, 1999), o processo de luto oferece ao homem a oportunidade de se desligar dos laços de vinculação. Em condições normais, tal processo elimina vinculações que ameaçam manter as ilusões do amor eterno, no caso o autor defende a ideia de que o luto se trata de um mecanismo extremamente valioso e protetor, sem, no entanto, negligenciar a dor ou evitar os aspectos desagradáveis impostos ao momento.


Segundo estudos de Melo (2004), os sentimentos mais comuns vivenciados durante o processo de luto dos sobreviventes são:
  • Tristeza: sentimento mais comum encontrado no enlutado, muitas vezes manifestado através do choro.
  • Raiva: um dos sentimentos mais confusos vividos pelo sobrevivente, estando na raiz de muitos problemas vinculados ao processo de luto. A raiva advém de duas fontes: frustação por não haver nada a ser feito ou que pudesse ser feito para evitar, prevenir ou remediar a morte, a pessoa sente-se indefesa, incapaz de existir sem o outro e usa a raiva como companhia, além de outros sentimentos, como ansiedade, culpa (geralmente culpa a si mesmo ou aos outros) e nos casos mais extremos desenvolve comportamentos suicidas.
  • Culpa: geralmente ocorre no início do processo de luto, há um sentimento de culpa por não ter sido suficiente na vida da outra pessoa, não ter levado a pessoa ao hospital mais cedo, não saber como evitar o acontecido, não ter agido de outra forma, a culpa é irracional e irá desaparecer através do teste com a realidade.
  • Ansiedade: sentimento que pode variar de uma ligeira sensação de insegurança até um forte ataque de pânico. Quanto mais intensa a ansiedade mais sugere uma reação de sofrimento patológico. Surge por duas vias: o sobrevivente passa a se sentir incapaz de tomar conta de si próprio, sem a presença do outro e o indivíduo tem a consciência de mortalidade aumentada.
  • Solidão: o sobrevivente frequentemente sente-se sozinho no mundo, principalmente quando a perda se deu com um cônjuge ou que estava habituado com uma relação próxima no dia-a-dia.
  • Fadiga: sentimento de apatia ou indiferença. Quando em níveis elevados, a fadiga pode ser surpreendente e angustiante para uma pessoa que normalmente é muito ativa.
  • Desamparo: presente geralmente na fase inicial da perda.
  • Choque: ocorre com mais frequência quando se trata de uma morte súbita, inesperada, mas também pode surgir quando a morte era algo previsível.
  • Anseio: o sobrevivente anseia pela pessoa perdida. Quando essa espera diminui pode-se dizer que o processo de luto está chegando ao fim.
  • Emancipação: é a liberação, podendo ser um sentimento positivo após a perda.
  • Alívio: é comum principalmente se a pessoa querida sofria de doença prolongada ou dolorosa; contudo, um sentimento de culpa acompanha normalmente esta sensação de alívio.
  • Torpor: alguns sobreviventes relatam uma ausência de sentimentos. Sentem-se entorpecidas. Acontece no início do processo de sofrimento, logo após tornar conhecimento da morte. Pode ser uma reação saudável, pois bloqueia as sensações iniciais como uma espécie de defesa contra o que de outra forma seria uma dor esmagadoramente insuportável.

Segundo Worden (MELO 2004, apud WORDEN, 1991) existem quatro tarefas essências que facilitam o processo de luto, sendo elas:
1.        Aceitar a realidade da perda: quando alguém morre, ainda que seja uma morte esperada, há sempre um sentimento de aquilo não aconteceu. Dessa forma, a primeira tarefa está em aperceber-se da realidade de que a pessoa morreu e não irá mais voltar. No entanto, chegar a essa conclusão e aceitação de perda leva um tempo, pois envolve uma aceitação intelectual e emocional. Porém os rituais tradicionais (funeral) ajudam os enlutados a avançarem na aceitação da perda.
2.        Trabalhar a dor advinda da perda: algumas pessoas experimentam, além da dor emocional, a dor física e comportamental. Uma vez que a pessoa enlutada precisa passar pela dor da perda, tudo que permite a pessoa evitar esse sofrimento prolonga o processo. Essa dor precisa ser vivenciada, pois mesmo que negada, uma hora ou outra ela surge, e o indivíduo pode ter recaídas.
3.        Ajustar a um ambiente em que o falecido está ausente: isso possui diferentes significados e difere de pessoa pra pessoa. No entanto, essa tarefa se remete ao acostumar-se com a falta da pessoa, compreender que aquele lugar não será mais frequentado por ela. 
4.        Transferir emocionalmente o falecido e prosseguir com a vida: os laços, as memórias, os sentimentos para com a pessoa que partiu jamais são esquecidos ou substituídos. Segundo Volkan (apud MELO, 2004, citado por WORDEN, 1991), todo o processo de luto termina quando o enlutado deixa de ter uma necessidade da representação do falecido com uma intensidade exagerada no dia-a-dia. O “deixar ir” aqui se refere a aceitação da morte, e prosseguir com a vida, embora as lembranças sempre irão existir.

O processo de luto se encerra quando todas essas tarefas suprem a necessidade do ente falecido, ou seja, quando a pessoa que sofreu a perda entende o que aconteceu e aceita a morte. Quanto à duração, não se pode responder com objetividade, uma vez que isso varia de pessoa para pessoa. Embora alguns estudos afirmam que dura cerca de um ano, pois a pessoa enlutada precisa enfrentar todas as datas comemorativas sem o ente querido, outros estudos afirmam que dura cerca de seis meses, no caso de prolongamento das datas pode ser que haja um luto patológico. Mas não há, de fato, um tempo de duração confirmado. Como dito no início deste trabalho, cada pessoa vive a perda de uma maneira. Enfrenta sua dor da forma que lhe convém. Não cabe a nenhum profissional ditar as regras de como ela deve superar isso, apenas lhe oferecer suporte emocional e apoio.


Referências:
BIFULCO, V. A. Psicologia da Morte. 2005. Disponível em: <http://www.eventos.med.br/tanatologia/2/textos/psicologiadamorte.pdf>
KLÜBER-ROSS, E. Sobre a Morte e o Morrer. 8a ed. São Paulo: Martins Fontes, 1998. 
MELO, R. O Processo de Luto: O inevitável percurso face a inevitabilidade da morte. 2004. Disponível em;http://groups.ist.utl.pt/unidades/tutorado/files/Luto.pdf.
ROCHA, A. C. O. MOREIRA, L. S. Lidar Com a Morte na Infância: Conversando através de livros. Palmas- TO. 2012. Acervo Pessoal.
SANDERS, C. (1999).Grief. The Mourning After: Dealing with Adult Bereavement (2nd ed.). New York: JonhWiley& Sons, Inc.
VICENT, G. (1991). Uma história do segredo? In P. Ariès& G. Duby (Eds.), História da vida privada. Da primeira Guerra Mundial aos nossos dias (Vol. 5; A. Carvalho Homem, trad.). Porto: Círculo de Leitores.
WORDEN, J. (1991). Grief Counseling and Grief Therapy. A Handbook for the Mental Health Practitioner (2nd ed.). London: Routledg.