sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Morte


Morte (do latim mors)
óbito (do latim obitu)
 falecimento (falecer+mento)
passamento (passar+mento)
ou ainda desencarne (deixar a carne), são sinônimos usados para se referir ao processo irreversível de cessamento das atividades biológicas necessárias à caracterização e manutenção da vida em um sistema outrora classificado como vivo. Após o processo de morte o sistema não mais vive; e encontra-se morto. Os processos que seguem-se à morte (pós-mortem) geralmente são os que levam à decomposição do sistema. Sob condições ambientais específicas, processos distintos podem segui-la, a exemplo aqueles que levam à mumificação natural ou a fossilização de organismos.
A morte faz-se notória e ganha destaque especial ao ocorrer em seres humanos. Não há nenhuma evidência científica de que a consciência continue após a morte, no entanto existem várias crenças em diversas culturas e tempos históricos que acreditam em vida após a morte.
Com notórias consequências culturais e suscitando interesse recorrente na Filosofia, existem diversas concepções sobre o destino da consciência após a morte, como as crenças na ressurreição (religiões abraâmicas), na reencarnação (religiões orientais, Doutrina Espírita, etc) ou mesmo o eternal oblivion ("esquecimento eterno"), conceito esse o comum na neuropsicologia e atrelado à ideia de fim permanente da consciência após a morte.
As cerimônias de luto e práticas funerárias são variadas. Os restos mortais de uma pessoa, comumente chamado de cadáver ou corpo, são geralmente enterrados ou cremados. A forma de disposição mortuária pode contudo variar significativamente de cultura para cultura.
Entre os fenômenos que induzem a morte, os mais comuns são: envelhecimento biológico (senescência), predação, má-nutrição, doenças, suicídio, assassinato, acidentes e acontecimentos que causam traumatismo físico irrecuperável.

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Judaismo - Falecimento

Primeiras Providências
  
Logo após a morte, uma série de assuntos práticos e religiosos
 entram em efeito.  Os principais são:
 a) Respeito pela dignidade e santidade do corpo.
 b) O rápido retorno do corpo à terra.
 c) Ajudar e fortalecer a alma em sua contínua jornada espiritual.
 Quando ocorre a morte, a família enlutada enfrenta uma época muito difícil; mas também é difícil para o falecido. Segundo as tradições espirituais do Judaísmo articuladas no Talmud e Cabalá, a alma não deixa completamente este mundo até mesmo após o enterro. O período entre a morte e o enterro é bastante confuso para a alma, pois esta se encontra num estado de transição, desconectada do passado quanto do futuro.
 A presença de outros que, através de seu respeito e preces, demonstram que se importam, é bastante confortadora para a alma, pois as almas dos vivos fornecem uma estrutura de referência para a alma recém-partida. Fazer as coisas de forma confortadora para o falecido é portanto confortar aqueles que se importam com ele ou ela.
 Seguem-se orientações práticas sobre cuidados com os falecidos do livro
“Os últimos Momentos” – Por Rabino Shamai Ende
Após o falecimento
1. Pelo judaísmo, o falecimento se dá após a total parada cardíaca e cerebral. Mesmo após isto, não se deve tocar no falecido até aproximadamente 15 minutos após a morte para garantir que realmente faleceu. Quando não há médicos ou peritos no local, deve-se colocar uma pluma próxima das narinas, e esperar até esta ficar algum tempo sem se mover, fixando desta forma seu falecimento.
 2. Logo após o falecimento deve-se cobrir a face do morto com um pano ou lençol, para não olhar na sua face, pois isto prejudica tanto aquele que olha como o próprio morto.. Existem alguns motivos para isto: 1) Quem olha a face de um morto terá dificuldades para estudar; 2) Isto prejudica a visão;
 3) Consiste numa vergonha para o falecido.
 3. Em seguida, deve-se retirar todas suas roupas e cobri-lo com um lençol. Com cuidado carrega-se o corpo até o chão, tomando o cuidado para não descobri-lo, colocando-o no chão sobre um lençol, deitado de costas, com os braços e pernas esticados ao longo do corpo, olhos e bocas fechados, (caso não for possível fechar sua boca, deve-se amarrá-la com uma fita) e a cabeça ligeiramente levantada sobre um apoio. Não se deve colocar travesseiros ou cobertores, para não esquentar o corpo. Deve-se posicioná-lo de forma tal que seus pés ficam voltados para a porta. Muitos costumam deixá-lo em posição diagonal, com os pés direcionados para a porta. Ao descê-lo ao chão deve-se pedir-lhe perdão pelo desrespeito, citando seu nome e nome de seu pai. Como também existe uma prece especial que é recitada neste momento e alguns capítulos de Salmos (23 e 91, há quem recite também o 51).
 4. Deve-se colocar próxima a sua cabeça velas acesas, de preferência 5 velas. Cobrem-se todos os espelhos e fotos humanas do local. As mulheres que não foram ao micvê após o período menstrual, devem evitar tocar no corpo. Como também os homens que manuseiam o corpo costumam ir ao micvê.
 5. [O texto dentro destes colchetes pertence à: Chevra Kadisha: É costume cobrir os espelhos e demais superfícies polidas (como quadros, fotos de pessoas envidraçados e televisão) na casa do enlutado, pois é proibido rezar na frente de espelhos. Alem disso, segundo a cabala, a alma do falecido visita a casa durantes estes dias e faz aparecer a sua forma através do espelho.]
 6. É costume judaico entornar toda a água que se encontra em qualquer utensílio da casa onde ocorreu o falecimento. Também entorna-se a água dos utensílios da vizinhança, ou seja, das duas casas próximas à do falecido, tanto as casas da direita, da esquerda, e no caso de prédios, se for apenas um apartamento por andar, dos dois andares superiores e inferiores. Esta água não deve ser bebida, mas pode ser usada para lavar. Água fervida, congelada, gaseificada ou que contém alguma mistura não entram neste costume.
 7. A Chevra Kadisha local deve ser contatada imediatamente para as devidas providências, iniciando sem demora os preparativos necessários para o enterro [cuidados do corpo, sua lavagem- Tahará- e preparação para o enterro, aquisição do devido caixão, documentação, e procedimentos legais, velório e o próprio enterro. Existem situações em que deve-se chamar a Chevra kadisha com urgência para evitar, por exemplo, que o corpo seja levado contra a vontade ao IML.]
 8. [O corpo não deve ficar sozinho em hipótese nenhuma, de dia ou de noite, e ninguém deve comer, beber ou fumar no recinto em que ele se encontrar. Se o corpo estiver em uma geladeira, basta ficar próxima dela. Em hospitais, deve-se ficar atento aos diferentes procedimentos e exigir o devido respeito com relação ao corpo e às crenças e práticas religiosas do falecido.]
2. Falecimento no Shabat
 Caso o falecimento ocorreu no Shabat, não se deve tocar no corpo desnecessariamente, porém costuma-se assim mesmo, despi-lo e coloca-lo no chão conforme dito acima, porém não se fecha-lhe os olhos nem se estica seus membros. Se for possível deve-se colocá-lo no chão ainda com roupa e somente depois despi-lo, ou colocar sobre ele algum objeto que possa ser manuseado no Shabat, ou até mesmo um pão ou qualquer comida. Não se fecha sua boca, porém pode-se amarrar uma fita (com um laço mas não com um nó) para a boca não abrir mais do que está. Não há necessidade de jogar fora a água da casa ou da vizinhança quando o falecimento ocorreu no shabat. Não se deve contatar a Chevra Kadisha nem transportar o corpo no dia de Shabat.
 3. Falecimento no Yom Tov
 1. Quando ocorre o falecimento no primeiro dia de Yom Tov, deve-se tomar todas as providências possíveis para o enterro somente por intermédio de um não judeu. Porem a lavagem do corpo e a Tahará, pode ser feita através de um judeu, se este não profanará o Yom Tov para tanto. Pela lei, o transporte do corpo, o enterro e todas as preparações poderiam ser feitos através de um não judeu, sendo que nenhum judeu pode profanar o Yom Tov para tanto. Já no segundo dia de Yom Tov as leis são um pouco diferente. Tudo que pode ser feito através de um não judeu, como cavar a cova, preparar o caixão e as mortalhas, cobrir com terra, deve ser feito através de um não judeu. No entanto, se não dá para fazer por um não judeu, pode ser feito por um judeu, todo trabalho extremamente necessário. Porem é proibido ir ao cemitério de carro para acompanhar o enterro, como exceção dos que são necessários para o enterro (membros da Chevra Kadisha, coveiros, etc.)
 2. No entanto, para evitar Chilul (profanação do) Yom Tov, como também para não faltar na honra do falecido (já que muitas poucas pessoas chegariam ao cemitério sem profanar o Yom Tov), não costumamos atualmente realizar enterros no Yom Tov. Somente num caso que tem se certeza que não haverá chilul Yom Tov, e quando o corpo está em estado de putrefação avançado, permite-se fazê-lo no segundo dia de Yom Tov conforme as leis acima.
Honra ao morto
 1. O corpo judaico tem em si uma santidade especial devendo ser tratado com respeito.
 2. É proibido comer ou beber qualquer alimento no ambiente onde se encontra um morto, salvo se houver entre a pessoa e o morto um anteparo de pelo menos 80cm de altura. Como também não se recita no local nenhuma berachá. Em caso de grande necessidade, pode se comer no local, contanto que se vire de costas para o morto e se afaste pelo menos 2m do morto antes de recitar uma bênção.
 3. É proibido fumar ou cheirar rapé perante o morto.
 4. Não se deve estudar Torá, colocar Tefilin ou Talit perante o morto, salvo se afastar do mesmo 2m. Porem pode recitar Tehilim e trechos sagrados na hora da lavagem, já que isto é feito em honra ao mesmo. Como também, pode se falar trechos da Torá e do Talmud nos discursos fúnebres (hespedim), já que isto é feito em honra do falecido.
A guarda do corpo (Shmirá)
 1. A partir do momento do falecimento, até o enterro, é proibido deixar o corpo desacompanhado. Mesmo que até o enterro irá demorar vários dias, e mesmo que não há nenhuma suspeita que algo de mal possa ocorrer com o corpo, este deve estar sempre acompanhado por um Shomer (responsável pela guarda), (Consta no Maavar Yabok (1, 24) que o motivo disto é que ao encontrar um corpo desacompanhado, os espíritos de impureza se apoderam dele e o impurificam, já que estes foram criados sem corpo, e desejam se apossar de um, principalmente quando este tiver a santidade judaica) tanto durante o dia como durante a noite.
 2. Este shomer deve constantemente recitar Salmos e outras preces próximo do falecido, sendo proibido conversar perto do morto assuntos que não diz respeito ao enterro e suas preparações. Como também, é proibido cumprimentar alguém, ou responder a um cumprimento perante o morto e comer ou fumar no local. Este shomer está isento de recitar o Shemá e de rezar e de qualquer outra obrigação da Torá (como colocar Tefilin por ex.) enquanto está ocupado com a guarda do corpo (logicamente que é proibido transgredir qualquer proibição). Porem se duas pessoas estão fazendo a shemirá, devem se intercalar sendo que enquanto um fica cuidando o outro sai para recitar o Shemá, rezar e colocar o Tefilin. Quando o período de guarda é longo, ou quando se passa uma noite, aconselha-se a designar dois shomrim para que enquanto um cuida o outro possa descansar e dar uma saída se for necessário, evitando que o falecido fique desacompanhado sequer um minuto.
 Mesmo se o corpo pernoita numa câmara fria, deve-se ter um shomer próximo.
 Se o morto se encontra em um local que pode ser desprezado ou destruído, por ex. próximo de um incêndio ou num local onde existem ratos, ou em praça pública, deve-se retira-lo de lá, levando-o para um local seguro e protegido.
 Mesmo durante o Shabat há necessidade desta shmirá, caso o falecimento tenha ocorrido no shabat, ou se passou um Shabat antes do enterro. No entanto é proibido manusear [O corpo é considerado no shabat muktsê, ou seja, algo proibido por nossos sábios de manusear no shabat. Só é permitido manusear no shabat, pessoas, alimentos e utensílios de uso permitido. As leis de Muktsê são muito extensas, não sendo aqui o local para descrevê-las] ou transportar o corpo no Shabat mesmo se for necessário por causa dos cohanim que se encontram no local, devendo estes saírem do local.
 No caso que os parentes desejam transportá-lo para outro local por alguma necessidade, devem fazê-lo por intermédio de um não judeu. Porém, se o morto se encontra em um local de desprezo ou não seguro, ou se desejam colocá-lo na câmara fria para que não cheire mal, e não há condição de fazê-lo por intermédio de um não judeu, pode ser transportado por um judeu por intermédio de suas roupas, que não são muktsê, ou colocando sobre sua cama algum objeto ou comida não muktsê. Mas mesmo neste caso, não pode transportá-lo passando por uma rua, ou qualquer praça pública que não se pode carregar nela no shabat pela Torá, somente por intermédio de um não judeu se for necessário. Como também no Shabat é permitido colocar gelo sobre o corpo e até mesmo pedir a um não judeu comprar ou trazer gelo para este fim.
 Durante todo o tempo do velamento do corpo, desde o falecimento até a lavagem, o corpo e a cabeça devem estar totalmente cobertos. As pessoas que se encontram no local estão totalmente proibidas de conversar, cumprimentar, comer, fumar ou fazer qualquer estudo ou mitsvá perante o corpo, a não ser recitar Tehilim e preces em prol do falecido. Quem não tem certeza que se portará no recinto da forma devida, não deverá permanecer no local.

Judaismo - ocasiões festivas durante o luto.


Ocasiões Festivas Durante o Luto
  
  Por Maurice Lamm
 
A observância que mais afeta a vida diária do enlutado durante o período de 12 meses é a completa abstenção de festas e festividades, tanto públicas quanto privadas. Participar dessas reuniões simplesmente não é consonante com a depressão e contrição experimentada pelo enlutado. Chega às raias do absurdo o enlutado dançar com animação enquanto seu parente jaz morto num túmulo recente. Assim, os Sábios decretaram que embora o completo afastamento das atividades normais da sociedade dure apenas uma semana, afastamento de ocasiões sociais festivas dura 30 dias em luto por outros parentes, e um ano (12 meses hebraicos) quando em luto pelos pais. A alegria, em termos da tradição do luto, está associada em grande parte com eventos sociais públicos do que com satisfações pessoais.
A definição de júbilo
 A dificuldade aqui, no entanto, é qual ocasião social deve ser definida como alegre, e portanto proibida ao enlutado. Existem, por um lado, reuniões sociais como festas, reuniões entre amigos, encontros da comunidade, viagens de recreio e cruzeiros, reuniões de negócios, eventos na sinagoga, e assim por diante. Por outro lado, há as celebrações religiosas, como brit milá, bar mitsvá e casamentos. Quais são considerados "alegres" em termos da tradição do luto? Quais critérios são usados para avaliar a determinação?
 Os Sábios, através dos séculos, estabeleceram critérios gerais de ocasiões "alegres". A primeira consideração foi se a festa era religiosa ou social. Nesse ponto os grandes Sábios estavam divididos. A maioria, e a atitude prevalecente, foi que apenas o "verdadeiro júbilo" era proibido. O verdadeiro júbilo é aquele que vai até o âmago da pessoa, sua relação interior com D'us e com sua família. Isso é o que o Talmud tinha em mente quando proibiu o enlutado de entrar num salão para participar do jantar de gala de um casamento. A ocasião que celebra o cumprimento de uma mitsvá, como um casamento ou bar mitsvá, desperta verdadeiro júbilo no coração da pessoa, e isso o enlutado não tem permissão de sentir.
 O estabelecimento desse critério está longe de ser arbitrário. Em vez disso, é uma conseqüência do conceito espiritual judaico sobre o mundo. O homem encontra genuína felicidade no cumprimento de suas obrigações para com D'us. Sua profunda satisfação não vem das distrações da mídia de entretenimento e das frivolidades superficiais de agora, dos jogos e concursos da sociedade. É verdade que reuniões de amigos e colegas proporcionam uma alegria positiva e incontestável, e muitos são os louvores oferecidos pelos Sábios à camaradagem característica de ocasiões sociais amigáveis. Porém o deleite que é derivado não é tão profundo como o júbilo verdadeiro da ocasião religiosa.
 Assim, esses eruditos afirmaram que a proibição básica era a simchá shel mitsvá, a celebração religiosa, e o arquétipo dessa festividade realmente feliz era a cerimônia de casamento e o banquete. Apenas secundariamente a ocasião social foi proibida.
 Uma opinião minoritária, apoiada por alguns dos mais estimados pensadores na vida judaica, afirmava que a tradição proibia basicamente a simchat mera'im, as alegrias puramente sociais, as diversões entre amigos, e a rodada de festas que geralmente marcam a vida. Qualquer ocasião celebrando a observância de um mandamento certamente não poderia ser proibida ao enlutado que deseja observar o mandamento!
 Estas alegrias podem prejudicar o espírito do enlutado? Podem trazer vergonha ao falecido? Pode-se dizer que a participação em festividades religiosas familiares afastam a mente da pessoa dos mortos?
 Judeus engajados, ansiosos para cumprir a lei, para honrar seus pais, e relativamente despreocupados com o número de eventos a que comparecem durante o ano, mantêm ambas as opiniões, e evitam tanto as festividades sociais quanto as religiosas, como regra geral. Exceções a esse costume foram enumeradas.
 Outros critérios óbvios do que constitui júbilo foram estabelecidos. A música, especialmente para dançar, geralmente desfrutada na companhia de outros, é um evidente sinal de alegria. Outro critério é um jantar festivo; um suntuoso jantar de celebração é uma ocasião festiva. Há momentos, como uma recepção de casamento ou num cruzeiro a passeio, quando simplesmente estar num salão para jantar e danças, sem participar em nenhum dos dois, não é permitido ao enlutado. É um espírito de reunião pública que deve ser evitado. Deve-se notar que o júbilo proibido ao enlutado é comensurado com o grau e período do luto, e também com o parentesco com o falecido.
 Assim:
 1 – Durante a shivá o enlutado deve se abster de fazer as coisas que possam evocar alegria, como a recitação de determinados versículos do livro de preces, ou brincar em demasia com os filhos, ou até engajar-se em discussões animadas com os visitantes na casa enlutada. Estas são consideradas s'chok, amenidades, impróprias ao enlutado e proibidas durante todos os estágios de luto. Cohelet diz: "Há um tempo para chorar (bechi) e um tempo para rir (s'chok)." Como o luto é certamente o tempo para chorar, o riso excessivo não é permitido.
 2 – Antes do shloshim, que finaliza a observância de luto para aqueles enlutados por parentes que não sejam os pais, reuniões religiosas e sociais sob circunstâncias normais são proibidas. Após o shloshim, todas as festividades estão permitidas aos enlutados.
 3 – Para aqueles em luto pelos próprios pais, o período de shloshim exige uma abstenção mais intensa do júbilo que os meses remanescentes do ano. Por exemplo, os enlutados podem comparecer a uma festa de bar mitsvá (obviamente todos podem ir ao serviço na sinagoga) durante shloshim (após shivá) juntos, desde que evitem escutar a música instrumental e participar no jantar com os celebrantes. Após shloshim, e para o balanço do ano, porém, eles podem participar plenamente do jantar se o bar mitsvando fala sobre algum tema de Torá, tornando a celebração uma função realmente religiosa.
 A seguir damos alguns detalhes da lei que deriva desses conceitos. Em situações difíceis deve-se discutir estes detalhes com o rabino, para que ele possa decidir qualquer questão da Lei. Damos a seguir algumas orientações sobre a regra e suas exceções, na proibição de comparecer a ocasiões festivas durante o luto.
Reuniões sociais e de negócios
 1 – Encontros de negócios da comunidade, como reuniões da sinagoga ou organização fraternal, são permitidos ao enlutado após shivá.
 2 – Jantares sociais, mesmo que não haja música, mesmo quando promovidos para causas de caridade, não devem ser freqüentados por enlutados pelos pais durante 12 meses, e outros enlutados por 30 dias.
 3 – Cruzeiros recreativos e turismo em grupo de certa forma são semelhantes a jantares sociais aos olhos da Lei, embora as refeições sejam feitas privadamente. Estes são considerados verdadeiros "passeios" e devem ser desencorajados pelo menos durante os 30 dias.
 4 – Festas em residências também devem ser desencorajadas ao enlutado pelos pais durante 12 meses, e outros enlutados por 30 dias, embora não seja servida uma refeição completa. Não há restrições sobre reuniões com uns poucos amigos de cada vez. O importante a ser lembrado é que esses eventos não devem se transformar em "ocasiões sociais". Receber amigos tudo bem, mas festividades não são apropriadas.
 5 – Festas de negócios, onde alegria e farra são comuns, e realizações comerciais são a meta, devem ser evitadas durante todo o período de luto. Se a ausência nesses eventos pode causar perda financeira, deve-se consultar um rabino. Convenções de negócios são, similarmente, algo a se evitar em situações normais. No entanto, se o comparecimento for obrigatório, ou economicamente benéfico, o enlutado pode ir mas deve se retirar durante os períodos de música e dança. Deve fazer as refeições privadamente ou com amigos, a menos que o objetivo da reunião seja puramente de negócios, quando então ele pode jantar com a convenção, após o período de shloshim.
 6 – Músicos profissionais que extraem todo, ou parte do próprio sustento tocando em ocasiões festivas, podem fazê-lo após a shivá, pois não estão tocando por alegria. Se forem financeiramente sustentáveis, devem evitar tocar durante o shloshim.
 7 – Ir a óperas e concertos, teatros e cinemas deve ser desencorajado. Ouvir rádio ou assistir à TV depende dos critérios de júbilo acima. Geralmente, eventos esportivos e transmissões via rádio ou TV sobre notícias e esportes são permitidos.
Celebrações Religiosas
 Brit Milá
• O enlutado que acaba de tornar-se pai pode comparecer ao brit milá do filho, mesmo que seja no primeiro dia após o enterro. Pode ir vestido com roupas de Shabat. Pode ajudar a preparar e comer a refeição festiva, até (talvez de preferência) em sua própria casa. Se não for na sua casa, pode se deslocar até o local do brit milá. Porém, logo após o brit milá, ele deve regressar e continuar a shivá na casa enlutada.
• O mohel, se não houver outro competente que esteja disponível, pode realizar o brit milá, mesmo durante sua shivá. Ele não deve participar da refeição festiva durante o shloshim se estiver de luto por um dos pais, porém pode fazê-lo (após shivá) se estiver de luto por outros parentes.
• O sandak (enlutado) pode comparecer ao brit milá, mas não deve participar da refeição festiva durante a shivá, como o mohel. Pode calçar sapatos e vestir-se para a ocasião. No entanto, não é considerado inteiramente adequado convidar um enlutado para ser o sandak.
PIdyon Ha'ben
 As leis de pidyon ha'ben são semelhantes àquelas do brit milá. O Cohen, nesse exemplo, pode realizar esse procedimento, como no caso do mohel.
Bar mitsvá
 Um pai enlutado pode preparar a festa de bar mitsvá mesmo durante shloshim, desde que seja após a shivá. Ele não deveria, porém, fazer a refeição com os convidados. Pode comer em outro aposento, e socializar com os convidados durante a refeição propriamente dita, sem música.
 Um pai nessa situação pode vestir-se para a ocasião. O próprio bar mitsvando, se estiver de luto por um dos pais, pode vestir suas melhores roupas. A cerimônia religiosa do bar mitsvá não é cancelada mesmo que o rapazinho esteja de luto. Todos os enlutados, sejam ou não parentes do bar mitsvando, podem comparecer à celebração durante o shloshim, mas devem evitar o jantar ou ouvir música. Após shloshim, o enlutado pelos pais pode participar da refeição se o celebrante falar sobre tópicos de Torá, indicando assim que é uma simchá shel mitsvá, uma ocasião religiosa.
A cerimônia de casamento
 1 – Se a cerimônia acontece num salão ou local semelhante onde haja música, a regra geral é que os enlutados pelos pais não devem comparecer durante 12 meses, e por outros parentes por 30 dias.
 2 – No próprio salão do buffet, se não houver orquestra presente, enlutados pelos pais podem comparecer após shloshim.
 3 – Se o casamento for numa sinagoga, onde costumeiramente há apenas música vocal mas não instrumental, o enlutado pelos pais pode comparecer após a shivá. Após shloshim, nesse caso, o enlutado pelos pais pode até participar na recitação das bênçãos na cerimônia e vestir-se para a ocasião. Se houver música instrumental ele não pode comparecer pelo menos até o fim do ano.
 4 – Se o enlutado (mesmo pelos pais) for o décimo no minyan, e não houver mais homens disponíveis para constituir o quorum, ele pode comparecer ao casamento e fazer a refeição, mesmo durante o shloshim.
 5 – Se a ausência do enlutado causará um adiamento na data do casamento, e houver a possibilidade de que o adiamento possa fazer com que um dos noivos desista do casamento, o enlutado pode comparecer a qualquer tempo e sob quaisquer condições.
 6 – Se o rabino está de luto, pode oficiar um casamento após shivá, mas deve evitar ouvir música.
 7 – Quando enlutados vão a essas ocasiões quando isso normalmente não seria permitido, eles devem realizar alguma função útil:
 a – Parentes que comparecem após shivá (durante shloshim), devem atuar como anfitriões ou ajudantes na cerimônia, mesmo que não estejam de luto pelos pais, Estes enlutados, obviamente, podem comparecer após shloshim sem esta exigência.
 b – Amigos íntimos do celebrante que estejam de luto não devem comparecer à cerimônia durante shloshim. No entanto, se eles sentirem que sua ausência causará remorso ou sofrimento aos noivos, podem comparecer como assistentes antes da cerimônia. Após shloshim, se estão de luto pelos pais, estes amigos podem comparecer se ajudarem antes da cerimônia.
O Jantar
 Jantar festivo com amigos e parentes cai exatamente na categoria de simchá, júbilo, e deve ser evitado pelo enlutado durante 12 meses quando em luto pelos pais, e 30 dias em luto por outros parentes. Em circunstâncias prementes, os enlutados devem agir conforme explicado a seguir:
 1 – Pai e mãe, irmão e irmã, e filhos da noiva ou do noivo, podem comparecer à cerimônia e participar do jantar durante shloshim mesmo se estiverem de luto pelos pais. Devem, no entanto, ser de alguma ajuda na preparação ou serviço da refeição, ou servindo bebidas e assim por diante.
 2 – Outros parentes do casal podem ir à recepção do casamento após shloshim, se estiverem de luto pelos pais, (outros enlutados após a shivá) mas devem ajudar a servir.
 Siyyum Masechet
 Na conclusão de um tratado do Talmud uma celebração (siyyum masechet) geralmente é feita (como aquela à qual comparece o primogênito que, caso contrário, teria de jejuar antes de Pêssach). Estas celebrações podem ser freqüentadas por enlutados, e eles podem participar da refeição em seguida ao discurso talmúdico. A refeição festiva em Chanucá e na inauguração de uma casa estão na mesma categoria, desde que haja um caráter de celebração religiosa com um divrei Torá ou canções entoadas em louvor a D'us.
Festividades no Shabat
 O Shabat é um dia no qual é evitado luto em público (embora as proibições do luto pessoal estejam valendo).
 A pessoa pode comparecer a uma reunião pública festiva no Shabat?
 A regra geral é que o Shabat apenas acrescenta à simchá que coincide com ele, e portanto isso deve torná-la duplamente proibitiva. Ao mesmo tempo, porém, se a comunidade normalmente esperaria que o enlutado comparecesse, sua ausência pareceria luto público, seria permitido no Shabat.
 Os procedimentos a seguir, portanto, devem ser adotados:
 Festejos pós-casamento (sheva brachot) feitos a cada noite durante sete dias depois do casamento, não devem ser freqüentados nem mesmo no Shabat até depois de shloshim por enlutados pelos pais, e após a shivá por outros enlutados. O mesmo é verdadeiro para brit milá, shalom zachar (celebrado na primeira sexta-feira à noite após o nascimento de um filho), e para uma mãe retornando à sinagoga pela primeira vez após o nascimento do filho, se costumeiramente é dada uma festa em sua homenagem.
 No entanto, o acima é feito para amigos e parentes distantes do celebrante. Parentes próximos da família imediata e indivíduos proeminentes, dos quais geralmente se espera o comparecimento, podem ir a essas celebrações e participar da refeição. Sua ausência seria claramente uma indicação de luto em público, que é proibido no Shabat.
O Enlutado e Casamentos
 Para os parentes, amigos e pessoas que desejam o bem, a alegria no casamento é definida em termos materiais, como jantar e danças. Assim, o enlutado pode ir à cerimônia se não houver música e se ele não participar do banquete. Porém para o casal que está se casando, comida e música são secundários, meramente um acompanhamento para o importante momento sob a chpá. Para eles a definição de júbilo é o vínculo pessoal e espiritual que os une. Mesmo que o casamento fosse destituído dos enfeites materiais, dos sorrisos e adornos, e somente o casal, as testemunhas, o minyan e o rabino estivessem presentes, a cerimônia ainda seria o máximo da alegria.
 O som empolgante do mazal tov, a beleza das flores e da música teriam ido embora, mas a essência permaneceria pela vida toda. Portanto, para o enlutado, o casamento deveria ser proibido. Mas esta não é uma questão fácil. A pessoa pode se abster de celebrações e música por um ano, mas o casamento é o próprio tecido da vida, e a vida inevitavelmente deve continuar. E portanto todos os enlutados, seja pelos pais ou por outros parentes, embora estejam proibidos de casar-se durante a shivá, tinham permissão de casar-se após o shloshim.
 O casamento pode ser celebrado na presença de todos os amigos, abundância material, beleza, música e alegria. Pois é, afinal, a festa das festas e, portanto, barbear-se, cortar o cabelo, lavar-se e vestir-se da melhor maneira são permitidos.
 As leis relativas ao casamento afirmavam a necessidade de a vida continuar e ser vivida plenamente, mas também consideravam que, mesmo assim, um parente próximo acaba de perder a vida. A gloriosa união do casamento e a grave perda da morte são dois contrastes, e a tradição entendia a necessidade de ambos.
 A seguir temos as leis que surgiram desse entendimento da necessidade humana no momento raro da coincidência de tamanhos opostos na vida.
 1 – Quando o casamento pode ocorrer:
 a – Os enlutados não devem se casar durante shloshim, e certamente não durante a shivá, mesmo sem pompa, música e recepção suntuosa. Noivados não podem ser realizados ou anunciados durante esse período.
 b – Após o shloshim, o casamento pode ocorrer com todos os adornos, música e comida, e os noivos e pais podem se vestir para a ocasião, sem demonstrar quaisquer sinais evidentes de luto.
 c – Durante shloshim (após shivá) há circunstâncias excepcionais quando os casamentos podem ser realizados:
 Se o noivo é o enlutado:
• Se ele não tiver filhos, e os preparativos já foram feitos, como: data marcada, os arranjos contratados, a comida foi adquirida, portanto adiar o casamento incorreria em grande perda financeira, ou faria com que muitas pessoas ficassem ausentes.
• Se a data não foi marcada, mas por alguma razão irrefutável, como alistamento militar, deve ser feito durante shloshim, o casal pode se casar, mas não viver como marido e mulher até depois do shloshim.
Se a noiva é a enlutada:
 O casamento pode ocorrer durante o shloshim apenas se ela já estiver noiva, os preparativos feitos e o noivo não tem filhos.
 2 – Quando pode ocorrer o segundo casamento:
a – Se a esposa morreu.
 O marido deve esperar passar as três maiores Festas (Pêssach, Sucot e Shavuot) antes de casar novamente. Rosh Hashaná e Yom Kipur não contam como Festas para esse propósito. Shemini Atsêret pode ser contado como Festa em determinados casos envolvendo circunstâncias urgentes pessoais e familiares. O motivo ostensivo para esta demora é a esperança que a duração de três Festas separadas e o ciclo de estações diminua seu desespero, e ele não entre num segundo casamento com a imagem do primeiro amor ainda presente em sua mente. Este espaço de tempo pode ter até um ano se a morte ocorreu pouco depois de Sucot, ou apenas alguns meses se a morte ocorreu pouco antes de Pêssach.
 Há exceções dignas de nota a essa regra geral:
• Se o marido não gerou filhos, o casamento pode ser feito após shivá e eles podem viver como marido e mulher.
• Se ele tem filhos pequenos que precisam ser cuidados, o casamento pode ser feito após shivá, porém as relações conjugais devem ser adiadas até depois de shloshim.
• Se ele não suportar viver sozinho, qualquer que seja o motivo (esta não é uma ocorrência rara), ele pode se casar, mas não pode ter relações conjugais até depois de shloshim.
b - Se o marido faleceu:
 A mulher pode casar-se novamente depois de três meses, um tempo consideravelmente mais breve que a duração de três Festas para o homem. Evidentemente, a mulher era considerada mais capaz de controlar suas emoções, tendo de estar mais preocupada com a criação dos filhos que com os próprios sentimentos. O motivo para essa espera de três meses é que deve ficar evidente que ela não espera um filho do marido falecido. Sob circunstâncias excepcionais a serem julgadas por competentes autoridades rabínicas, caso saiba-se medicamente que ela não poderia estar grávida, e se o noivo não tem filhos, ela pode receber permissão de casar-se após shivá. Além disso, se ela tem muita dificuldade para sustentar os filhos órfãos e pode ser determinado com segurança que não está grávida, ela pode receber permissão de casar-se imediatamente após shivá.
 3 – Tornando-se enlutado após a cerimônia
 a – Se um dos sete parentes próximos da noiva ou do noivo faleceu logo após a cerimônia, mas antes que o casamento fosse consumado, o casal deve viver separado até depois da shivá.
 b – Se o parente faleceu após a consumação do casamento, o luto é adiado até depois da semana inteira de celebração das bodas. Durante esse período, o enlutado pode cuidar de sua higiene pessoal e aparência, e pode experimentar todas as alegrias da vida. Quando a semana terminar, porém, a roupa do enlutado é rasgada e a shivá começa de maneira plena, como descrito acima.

 

   

Desespero e Dor da perda

É diferente "desespero" e "dor da perda".
`        Todos vamos passar pela dor da perda, mas nem todos vamos ficar desesperado, revoltados, com remorso ou indiferentes.

O "Ministro extraordinário da Esperança" pela graça e poder do "Envio" agora vai deparar-se "de frente" com estas realidades e deverá ser:
`        sinal de luz, que acolhe com sua presença, com sua atenção, com sua companhia
`        naquela hora de desespero, de vociferações, não aceitação da própria dor.
`        O choro é alto, ninguém agüenta e a todos parece impressionar.

Diga com amor e ternura, chore. Chore, você poder chorar. Ponha pra fora toda esta dor.
`        Retruca a mãe desesperada: mas meu filho não vai voltar?
Não comente nada – apenas diga, concordando: Você sabe que não...

Com este amor e ternura, quando concordou com o indivíduo sofredor dizendo "você sabe que não". O "ministro" com Psicologia possibilitou ao desesperado retomar sua própria decisão, na luz da razão.
`        E dentro do ser humano desesperado vai morrer uma semente, porque vai germinar uma nova vida consciente e própria.

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Luto Patológico


DEFINIÇÀO DO LUTO PATOLÓGICO
Estado mental associado à perda de pessoas significativas e decorrente da interrupção do processo normal 
do luto, cronificando a sensação de perda e de todos os seus acompanhamentos.  

PSICODINÂMICA DO LUTO
O luto é a reação experimentada frente à morte ou perda de um ser amado ou 
de uma abstração equivalente (a pátria, a liberdade, um ideal etc.). Também podem ocorrer manifestações
de luto em outros tipos de perdas de menor magnitude, como por exemplo em separações familiares,
conjugais, de amigos; perda de um objeto de estimação ou de  algum tipo de lembrança de valor emocional;
mudar-se de casa; mudar-se de país. 
O luto é um processo mental destinado à instalação de uma perda significativa na mente. A parte perceptível
deste processo se caracteriza, inicialmente, pela repetida rememoração da perda sempre acompanhada do
sentimento de tristeza e de choro, após o que a pessoa acaba se consolando. Com a evolução do processo,
passam a ser rememoradas outras cenas, agradáveis e desagradáveis, nem sempre seguidas de tristeza e
choro, mas sempre com a consolação final. É um processo de duração variável, porém sempre lento, longo e
acompanhado de graus variáveis de falta de interesse pelo mundo exterior, tristeza e seus corolários, que vão
diminuindo conforme o processo avança. 
O processo vai gradualmente se extingüindo com desaparecimento da tristeza e do choro, instalação da 
consolação e volta do interesse pelo mundo exterior. No final, com a quebra definitiva da ligação afetiva, a
pessoa perdida passa a ser apenas uma lembrança; o sentimento de tristeza desaparece e a vida afetiva
retoma seu curso  voltando a ser possível novas ligações afetivas.

DO LUTO PATOLÓGICO
Por incapacidade de integrar a perda (e suas conseqüências transformadoras) ao mundo 
mental, o processo normal do luto é interrompido através da identificação do enlutado com a pessoa morta.
Existem várias formas e gradações de apresentação clínica desta situação psicodinâmica, todas
relacionadas com a depressão e tendo na melancolia a forma extrema.
Três linhas de compreensão desta incapacidade de elaborar uma perda significativa:
Freud foi o primeiro a apontar o papel da identificação do enlutado com o morto como “solução” para esta
impossibilidade.
Ele atribuiu à raiva (hostilidade) para com a pessoa perdida um papel central na transformação do
luto normal em patológico.
Melanie Klein foi a primeira a estabelecer a ligação entre os processos de luto havidos na primeira infância
com a ocorrência de luto patológico em adultos. Acentuando o papel das relações objetais no primeiro ano
de vida, e sempre na ótica da hostilidade presente nelas, atribuiu às experiências de perdas ocorridas nesta
época e aos processos psicológicos que elas desencadeiam (culpa e perseguição) um importante papel
etiológico no luto patológico.
John Bowlby deu continuidade ao estudo iniciado por M. Klein em relação à ligação entre experiências
infantis de luto e o desencadeamento de luto patológico em adultos e suas expressões psiquiátricas. Mas,
por não ter 
encontrado evidências de que a agressão seja expressão de uma pulsão de morte e que o período de 
vulnerabilidade às experiências de perda esteja restrito ao primeiro ano de vida, Bowlby discordou quanto ao 
papel dado por Klein tanto à hostilidade quanto ao período de grande vulnerabilidade às experiências de luto
na infância. 
A partir de sua observação clínica constatou que a perda de uma pessoa amada sempre desencadeia um
forte desejo de reunião, um sentimento de raiva (de intensidade variável) pela partida e, no final, a um certo
grau de desapego. Este tipo de perda, para este autor, sempre dá origem não só à ansiedade de separação
e ao pesar, como também a processos de luto nos quais a agressão tem a função de reunião. 
Considera que o luto patológico decorre apenas da interferência de processos defensivos que acabam 
desviando o processo normal de luto, não vendo diferenças qualitativas entre os processos normal e
patológico do luto.

LUTO

O que é Luto?

Sinônimos: Lamentação; Sofrimento
Luto é uma reação a uma grande perda. É mais frequente que se manifeste através de uma emoção dolorosa e infelicidade.

Causas

O luto pode ser disparado pela morte de uma pessoa querida. Também é possível experimentar a lamentação se um ente querido tem alguma doença incurável, ou uma condição crônica que afeta sua qualidade de vida. O final de uma relação significativa também pode provocar um processo desses.
Todos sofrem da sua própria maneira. No entanto, existem estágios comuns no processo de luto. Inicia com o reconhecimento da perda e continua até que a pessoa aceite esse fato. As respostas ao luto serão diferentes,dependendo das circunstâncias da morte.
Por exemplo, se a pessoa que morreu tinha uma doença crônica, a morte era esperada. O fim do sofrimento da pessoa pode até vir como um alívio. Se a morte foi acidental ou violenta, chegar ao estágio de aceitação pode demorar mais.

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

De onde surgiu que a cor preta é sinônimo de Luto????

   O luto pode ser expresso sob a forma de diversos cores, que variam de país para país. As mais usuais são o preto e o branco, mas há exceções. Na África do Sul, por exemplo, é habitual envergar-se o vermelho para se mostrar que se chora a morte de alguém. Já no Egito é o amarelo, na Índia pode ser o castanho ou o branco, na Tailândia é o roxo e no Irã é o azul. Ou seja, a cor do luto é um ato cultural muito diversificado. A regra, no entanto, divide-se entre o branco, mais usual nas civilizações orientais, como China e Japão, o preto, nos países cristãos. A origem do costume ocidental de vestir de negro por ocasião de uma morte é ancestral: já os antigos egípcios usavam esta cor com esse significado. Dos egípcios, a tradição passou para os romanos, que vestiam uma toga preta, sem ornamentos, nessas circunstâncias. A tradição espalhou-se pelos quatro cantos do Império Romano e foi adotada pela Igreja Católica. No entanto, o branco e o roxo também são identificados com o luto na nossa civilização. Era costume os Reis de França colocarem véus brancos no período de luto. A tradição de se usar o preto deve-se ao fado de esta «cor» evocar a «ausência», pois lembra a noite, a ausência de luz. Nas culturas em que é o branco a representar a morte, tal deve-se ao fato de evocar o silêncio, a leveza, a paz."
(materia retirada do yahoo, pesquisa)

    Segundo Freud, o luto é um momento necessário para a superação do processo da perda. Não é considerado como sendo um sentimento patológico que necessite ser tratado, é um estado normal e extremamente penoso, caracterizado pela falta de interesse pelo mundo externo, pela perda da capacidade de amar, pela inibição de toda e qualquer atividade que não esteja ligada a pensamentos sobre o objeto perdido, o luto é um sentimento humano de pesar pela morte de outro ser humano ou de uma causa muito importante. O luto tem diferentes formas de expressão em culturas distintas.
    As sociedades utilizam diferentes cores para simbolizar a morte, no ocidente é a cor preta que tradicionalmente indica o luto, em muitos países do oriente é o branco que representa a felicidade e a prosperidade no outro mundo, os ciganos costumam vestir vermelho (cor que, para eles, simboliza a vida e a energia); para os muçulmanos, as almas dos justos assumem a forma de aves brancas, durante séculos, o branco foi a cor do luto na Inglaterra.