o que é luto oficial? Ele é uma forma de manifestação de tristeza da nação e um reconhecimento dos serviços prestados pelo morto ao país.
Durante o luto oficial, a bandeira nacional é hasteada em todas as repartições públicas do governo que a decretou (federal, estadual ou municipal), e ela é sempre hasteada a meio mastro. Além disso, coloca-se um laço de crepe na ponta da lança se ela estiver sendo conduzida em alguma cerimônia.
Laço de crepe atado junto à lança
Laço de crepe atado junto à lança
Exceto no caso do presidente da República – cujo luto é de 8 dias – os demais são de 3 dias. Mas o Decreto 70.274/72, que trata do assunto, diz que o luto oficial pode, em casos excepcionais, ser estendido por até sete dias, quando a pessoa que morreu prestou relevantes e notáveis serviços ao país.
Mas há um detalhe interessante: o artigo 88 do Decreto determina que “no caso de falecimento de autoridades civis ou militares, o Governo poderá decretar as honras fúnebres a serem prestadas, não devendo o prazo de luto ultrapassar três dias”. Reparem que esse artigo se refere a autoridades. Autoridade é quem tem alguma forma de poder público formal, ou seja, dado pela lei. Um ex-presidente já não é uma autoridade. Embora não seja autoridades, é praxe o presidente decretar luto oficial quando uma figura pública – e não só uma autoridade pública – morre. É por isso que, vez por outra, vemos luto oficial para desportistas, líderes sociais etc.
Do ponto de vista prático, isso tem pouca importância, exceto que nos decretos de luto oficial, via de regra, há também um ou outro artigo que estabelece que os custos relacionados ao funeral daquela pessoa serão por conta do governo. É o que ocorreu, por exemplo, no caso da matéria acima. Reparem que o segundo artigo do Decreto abaixo diz que as custas correrão por conta da nação.
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Além disso, ele também estabelece que haverá honras de chefe de estado, ou seja, honras dedicadas a um presidente da República. E que honras são essas? As duas principais:
•O velório será no salão de honra do Palácio do Planalto (artigo 77 do Decreto).
•As honras fúnebres são prestadas de acordo com o cerimonial militar. Ele determina desde como o caixão será carregado até como a bandeira será dobrada, passando por quantos tiros (‘salvas’) serão dadas em sua homenagem. Você encontra as regras das honras públicas militares aqui.
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quinta-feira, 9 de janeiro de 2014
sábado, 4 de janeiro de 2014
Nascimentos de natimortos
Nascimentos de natimortos e as reações despertadas nos profissionais de Clínicas Obstétricas
Por Michelle Cristina da Silveira
Acredita-se ser a morte uma das experiências mais traumáticas para o ser humano por toda carga de perda eterna que trás consigo e por ser ainda, culturalmente, um assunto tabu e evitado na maioria das famílias.
A morte de um filho, então, é tida para muitos como insuperável, principalmente por inverter a ordem natural da vida, já que sempre se espera que os mais velhos morram primeiro (WALSH, MCGOLDRICK, 1998). E o que dizer da morte de um bebê antes mesmo dele nascer ou alguns dias após seu nascimento?
Para tratar desse assunto, serão utilizados os seguintes termos: natimorto e neomorto I. Segundo a terminologia hospitalar de DOLNIKOFF (1997), natimorto é o nome que se dá quando a morte do bebê ocorre in útero e neomorto I, para quando a morte ocorre até o 7º dia do nascimento.
Obviamente, os efeitos da perda de um filho são diretamente proporcionais ao desejo da mãe em tê-lo e ao significado da maternidade para mesma, segundo KLAUS, KENNELL (1993), a intensidade do luto e tristeza após a perda precoce de um bebê está diretamente relacionada à qualidade do vínculo que foi formado durante a gestação. Partindo do pressuposto que o bebê era planejado, sonhado e até idealizado, quais seriam as possíveis reações dessa mãe ao ser abruptamente frustrada com a morte de seu filho?
Sabe-se que sentimentos como raiva, culpa e depressão são os mais comuns e previsíveis nesses casos (MALDONADO, 2000), porém, não sabemos ao certo, até por conta da subjetividade de cada um, as conseqüências dessa situação traumática.
Tais conseqüências podem ser arrastadas ao longo da vida, já que uma perda como esta pode afetar a relação da mãe com o(s) filho(s) mais velho(s), bem como impossibilitá-la emocionalmente de ter um outro filho (BOWLBY, 1998).
Diante de toda complexidade que envolve essa situação, não temos, enquanto profissionais da psicologia, uma estratégia de ação, diante do caos emocional que toma conta dessas mulheres e porque não dizer, da família, nesse momento. Caos esse que é agravado pela falta de recursos para lidar com a situação por parte da equipe que participa de todo processo de parto. Dados da literatura nos mostram que o nascimento de um bebê morto, evoca um senso de culpa na enfermaria obstétrica (CULLBERG, 1972 apud KLAUS, KENNELL, 1993) e a partir dessa culpa, há um questionamento sobre a própria atuação e uma preferência por não falar no assunto o que implica em um desamparo às mães que ficam sem entender o que aconteceu e o porquê de terem perdido seus filhos.
Há a necessidade de se entender basicamente a dinâmica emocional das mulheres que passam por uma situação como esta, como se dá a elaboração do luto nesses casos e, quais as possíveis conseqüências psíquicas.
O objetivo desse trabalho é investigar a visão dos profissionais da área da saúde que trabalham diretamente com essas mulheres, buscando através de entrevistas abertas, que os mesmos verbalizem os sentimentos mobilizados diante dessas mães e, principalmente, a atribuição positiva ou não que dão à sua conduta diante das mesmas.
Para tanto, porém, devemos conhecer alguns aspectos da dinâmica psíquica da maternidade e do luto.
GRAVIDEZ
No ciclo vital feminino da mulher, há três períodos críticos de transição que constituem verdadeiras fases do desenvolvimento da personalidade e que possuem vários pontos em comum (MALDONADO, 2000): a adolescência, a gravidez e o climatério.
Todas as fases são entendidas como períodos de crises e crise pode ser definida como período temporário de desorganização no funcionamento de um sistema aberto (CAPLAN, 1963, apud MALDONADO, 2000). Esse termo pode ser empregado tanto nos períodos de transição inesperados, quanto nos inerentes ao desenvolvimento. Em qualquer caso, as crises implicam num enfraquecimento temporário da estrutura de ego, mobilizando outros mecanismos adaptativos, no sentido, de buscar novas respostas, antes, inexistentes no repertório do indivíduo. A solução elaborada por uma pessoa para resolver uma crise pode ser saudável ou doentia e pode implicar em melhora (integração e amadurecimento da personalidade) ou piora (desintegração, desorganização e desajustamento da personalidade). Toda crise é uma transição, mas, nem toda transição se constitui numa crise.
A gravidez é uma transição que faz parte do processo normal do desenvolvimento da mulher e o período crítico vai além do momento do parto. As maiores mudanças ocorrem após o parto e, portanto, o puerpério deve ser considerado como a continuação da situação de transformação, pois, implica novas mudanças fisiológicas, consolidação da relação pais-filhos, modificações na rotina e no relacionamento familiar (MALDONADO, 2000).
Segundo MALDONADO (1988) é no primeiro filho que acontecem as transformações mais radicais, já que será a primeira vez que o homem e a mulher deixam de ser filhos, apenas, para tornarem-se pais. Um filho, teoricamente, é a concretização de muitas coisas sonhadas, pensadas e planejadas, até mesmo, anos antes da fecundação, o que traz à tona, temores, ansiedades e expectativas.
De acordo com NINA (1997) há na psicodinâmica da gestação três modificações psíquicas que parecem dominar:
• Crise de identidade: dá-se frente a passagem do papel de filha para o papel de mãe e ainda frente às alterações corpóreas que distorcem a imagem corporal da gestante;
•Regressão: mecanismo de defesa que aparece já que, nesse período a mulher se sente mais frágil e necessitando de maior atenção de todos que a cercam, fato esse desencadeado pela crise, normal, que se entende ser a gravidez;
•Ambivalência: está presente na grande maioria dos casos porque existem sentimentos opostos em relação à gestação, ao feto e a todas as mudanças com ele advindas. Entende-se que não há gravidez cem por cento aceita nem tão pouco cem por cento rejeitada, porém, socialmente a gravidez é vista como algo divino e sagrado e a mulher gestante, muitas vezes, se sente culpada por não querer estar naquela situação e não se sente à vontade para falar sobre isso, até porque, quase nunca tem chances.
De acordo com MALDONADO (1998) com o desenvolver da gestação e crescimento do feto, torna-se mais fácil a aceitação porque a gravidez, passa a ser mais concreta, mesmo assim, não é uma regra e a aceitação pode não acontecer.
LUTO
Como dito anteriormente, a morte é uma certeza em nossas vidas, entretanto, não é vista como tal e muito menos, é encarada como um evento natural, ao contrário, normalmente, é vivida como um trauma.
A morte dos mais jovens em detrimento aos mais velhos, torna a aceitação à morte, ainda mais difícil, já que ocorre de forma a não respeitar a ordem, tida como, normal da vida.
A forma como a ligação é vivenciada determina a qualidade do vínculo e conseqüentemente a intensidade que se vive o luto.
Vamos entender, inicialmente, o luto de uma forma geral e, posteriormente, daremos ênfase ao luto dos pais aos filhos recém-nascidos e suas conseqüências.
De acordo com BOWLBY (1997), há uma relação causal entre distúrbio psicológico e separação ou perda ocorrida em alguma fase da vida.
Para ele, as fases do luto são:
•Topor: Dura entre horas e semanas após a perda e é uma fase permeada, muitas vezes, por choro e raiva;
•Saudade e busca da figura perdida: Dura de messes à anos e é caracterizada por momentos constantes de lembrança à pessoa perdida e, necessidade por parte da pessoa enlutada, de estar nos lugares onde a pessoa falecida freqüentava ou gostava de estar;
• Desorganização e desespero: Início do processo de elaboração do luto saudável, onde a pessoa enlutada começa a se conscientizar da real perda e da irreversibilidade dos fatos;
•Reorganização: Momento no qual a tristeza vai dando lugar à aceitação e ao restabelecimento da rotina normal da pessoa enlutada. Pode demorar até anos para se chegar à essa fase;
Algo que se vê como um ponto facilitador para se atingir o luto saudável, é, permitir que a pessoa consiga verbalizar, o quanto for necessário, seus sentimentos e emoções sobre a pessoa perdida. Isso muitas vezes é difícil porque a pessoa enlutada tende a recriminar quem quer que pareça ser o responsável pela perda, o que inclui a si próprios, a equipe médica, entre outros e, sem perceber, agem injustamente com as pessoas que tentavam ajudar.
Quando se trata da morte de um filho, as conseqüências e as dificuldades de elaboração do luto, podem ser ainda mais intensas. Com relação à morte de bebês, como é o enfoque desse estudo, o luto para os pais se torna ainda mais complicado: "Infelizmente, não faltam provas de que a perda de um bebê pode dar origem à problemas sérios, tanto para pais, especialmente para mães, como para os outros filhos" (BOWLBY, 1998, p.127).
A morte fetal in útero, resultando em parto de um natimorto, é uma perda que ocorre tarde na gravidez, quando a mulher e o parceiro já se ligaram ao feto e desenvolveram esperanças e sonhos para a criança não nascida. "A confirmação do diagnóstico de gravidez associa-se à idéia de uma nova vida, já moldando destinos no imaginário" (QUAYLE, 1997, p. 218). O mais grave é que a mulher terá que suportar todo o procedimento do parto sem a recompensa de um bebê vivo ao final (MCDANIEL, HEPWORTH, DOHERTY, 1994).
Segundo LEWIS (1979 apud KLAUS & KENNELL, 1993) "Após um natimorto, existe um senso duplo de perda para mãe enlutada, que agora tem um vazio em si, onde existia, de forma tão evidente, algo vivo" (p.280). Com um natimorto, a mãe tem que lidar com um vazio tanto interno quanto externo. O luto pelo bebê morto, muitas vezes se mistura com o luto da identidade de mãe que já estava sendo formada (QUAYLE, 1997).
Quando a morte do feto ocorre nas primeiras horas após o parto, a mãe sente um vazio frustrante, um vínculo bruscamente rompido. Se o fato se dá nos primeiros dias ou semanas a mãe apresenta sentimentos de depressão, culpa ou até mesmo, castigo. Ambos os casos, trazem a vivência de uma crise emocional de difícil elaboração e superação.
Na tentativa de trazer a vida para o mundo, e vendo-se incapaz de mantê-la, a mulher tende a estender essa incapacidade à sua feminilidade, vendo a como estragada, inadequada e insatisfatória. Com essa percepção de insucesso, reconhece-se, além da vergonha e da angústia, um desejo de morrer, como se morte significasse a união à criança falecida.
Quando não se sabe a causa da morte, os efeitos psicológicos são aumentados: "Até que a compreensão se torne consciente e seja dotada de significado, a transformação do luto não pode se completar plenamente" (SAVAGE, 1989, p. 143). Isso porque, o não esclarecimento da morte, gera culpa e fantasia de que a perda foi provocada por algo errado que a mulher, o homem ou o casal fizeram ou ainda, deixaram de fazer. As mães tendem a buscar responsáveis pelo ocorrido, quando não culpam a si mesmas, culpam a equipe médica (atraso no atendimento, incapacidade, incompetência...) ou até mesmo Deus (castigo, noção de que ela não teria condições de cuidar de um bebê...).
Reconhece-se uma intensa necessidade dos pais de lembrarem-se de seus filhos mortos, como se esquecê-los fosse algo digno de vergonha. Entendem, fantasiosamente, que quanto mais numerosas as lembranças, sobre o filho, maior o contato com eles, como se o não esquecimento os proporcionasse uma extensão do relacionamento (SAVAGE, 1989).
Se o luto é impedido, o resultado pode ser patológico. Grande maioria das mães segundo a pesquisa de WOLF (1970 apud KLAUS & KENNELL, 1993), que passaram por essa situação, queixaram-se das práticas hospitalares que abafavam as respostas à perda e também sobre a impossibilidade de decidirem por si mesmas se gostariam ou não de ver e tocar o bebê morto: "Tocar um bebê natimorto é importante para tornar o evento real e para facilitar o luto..." (LEWIS, 1979 apud KLAUS & KENNELL, 1993, p.302). Em alguns hospitais, essa prática nem ao menos é cogitada e o bebê é removido, sem autorização, ou ao menos conhecimento da mãe.
Nesse contexto, os pais devem se permitirem e ser permitidos a expressarem sua dor através da melancolia, do choro, da revolta, da apatia à vida, da insônia, entre outros, dentro desse quadro de normalidade. Reações como essas citadas, significam projeção da raiva, o que torna a dor mais suportável. Quando esta não acontece externamente, ocorre, então, internamente gerando depressão e ideações suicidas, com sentido de autopunição. Nesses casos, uma intervenção terapêutica se faz necessária (SAVAGE, 1989).
RELAÇÃO MÉDICO X PACIENTE
Um dos pontos cruciais desse estudo é, entender, basicamente, como se apresenta a relação entre médicos e pacientes, para então, podermos ter noção de como se dá os impactos aos médicos de uma morte neonatal.
Mostra-se necessário, que o paciente reconheça seus direitos para que possa melhor se relacionar com seu médico, principalmente, porque, ser paciente não é algo fácil. De acordo com GAUDERER (1991) o paciente está exposto física e psicologicamente devido ao turbilhão de emoções que estão ocorrendo nesse momento e, muitas vezes projeta, as mesmas na figura do médico dificultando a relação.
O sujeito doente quer uma explicação sobre a sua doença o que o remete à sua imortalidade e o desestabiliza emocionalmente. O papel do médico é, colaborar para o restabelecimento desse indivíduo, o que se dá através do conhecimento e da sua relação com o mesmo.
"Sofre o paciente. Sofre também o médico por diagnosticar uma doença e transmitir uma realidade indesejável" (GAUDERER, 1991, p.15).
O sofrimento ao qual nos referimos, é proporcional ao nível de envolvimento do médico com o seu paciente, o que justifica o distanciamento de muitos deles nas situações graves e irreversíveis.
"É mais cômodo descrever, palpar, medir, manipular um corpo à partir do exterior, do que acolher uma linguagem e envolver-se numa participação, num diálogo ou num silêncio atencioso..." (SARANO, 1978, p.05).
Tendo em vista a formação universitária dos médicos, é praticamente incabível aceitar um "não sei" diante de um quadro clínico Isso faz com que eles se apresentem de forma arrogante e autoritários na tentativa de impor o seu poder e ao mesmo tempo, de se defender da insegurança e da ignorância não aceita por eles mesmos.
"Os médicos sempre procuram 'driblar' a morte e todas as possibilidades terapêuticas são usadas para 'enganá-la'" (GAUDERER, 1991, p. 90). Isso porque a medicina tem a função de salvar vidas. Aceitar a morte é, aceitar a própria impotência e fracasso, e essa limitação frustra e causa dor pessoal, alimentada, ainda mais, pelas cobranças da sociedade no sentido de não aceitar erros médicos.
De acordo com BALINT (1988), os médicos ouvem, mas não sabem escutar e tendem a não entrar em contato com os sentimentos dos pacientes, racionalizando, na tentativa de explicar o quadro com dados científicos ou prescrevendo remédios como calmantes e sedativos, por exemplo.
Não estamos aqui dizendo que a solução está em exigir que os médicos façam psicoterapia com seus pacientes, porém, se houvesse uma maior sensibilidade ao ouvir o que o paciente tem a dizer e a reconhecer que aspectos psicológicos existem e interferem na relação, o contato com o paciente teria uma função mais acolhedora e logo, terapêutica, favorecendo, inclusive, na melhora do quadro.
Reações da equipe médica à morte fetal
A equipe da neonatologia é envolta diariamente em uma angústia e estresse constante, principalmente por estar sempre vivendo situações limites em seu cotidiano, nas quais, a morte se apresenta de forma predominante.
Normalmente, os membros dessa equipe, ficam divididos entre atender as diferentes demandas de um bebê internado na UTI, correndo risco de vida, e de atender mães e pais desesperados por informações esclarecedoras e reconfortantes.
O cotidiano é desgastante já que as relações são permeadas pelo receio diante da morte, o que implica em um estado de alerta sempre presente, onde cada alteração de quadro precisa ser valorizada em uma luta, diária, contra a morte.
Os profissionais que trabalham nessas equipes sentem-se desarmados face às reações paradoxais dos pais. Podem esperar um reconhecimento e encontram, às vezes, raiva, até mesmo ódio, ou, ao contrário, total submissão. Pesa sobre eles, nessa situação o peso do indivisível e do intolerável (WANDERLEY, 1999 p.37).
Atualmente, no contexto hospitalar, a morte deixou de ser um fenômeno natural para ser tida como um fracasso, um sinal de imperícia e, portanto, é evitada, negada e esquecida "para não se romper a rotina hospitalar" (ÁRIES, 1982 apud CAETANO, 2002, p.91).
Os médicos lidam com as mães enlutadas tratando apenas sintomas físicos e prescrevendo sedativos de forma liberal (GILES, 1970 apud KLAUS & KENNELL, 1993). Evitam discutir a morte do bebê. Os residentes não respondem as questões da família, deixando para um médico mais experiente que, também, evita o fato. Acreditando ser o melhor a fazer, a equipe, normalmente elimina rapidamente qualquer vestígio do bebê morto e coloca o corpo, sem funeral numa sepultura comum (BOWLBY, 1998), sem permitir que os pais escolham ou opinem sobre os procedimentos.
A dor dessa perda rompe o equilíbrio familiar e institucional, não havendo espaço na maternidade para esses "pais sem filhos". Os profissionais, talvez por sentirem que falharam em seu trabalho, tendem a afastarem-se desses casais, desamparados para lidar com a dor psíquica que, embora reconhecida, é desvalorizada. Na morte do recém-nascido e no óbito fetal, tenta-se acreditar que a pouca (ou nenhuma) convivência dos pais com seu bebê facilitará a aceitação de sua morte, diminuindo as repercussões de sua perda (QUAYLE, 1997, p.218).
PESQUISA
Para entender, na prática, a dinâmica das clínicas obstétricas diante de uma situação de luto materno, um questionário foi aplicado nas equipes de UTI neonatal e em alguns psicólogos que trabalham nesse serviço. Obtivemos a seguinte conclusão:
Acreditamos ter havido uma certa resistência por parte dos profissionais colaboradores, a falar ou pensar sobre o assunto, visto que a entrega dos questionários foi muito atrasada e, inclusive, dois deles não foram entregues.
Verificou-se que a escolha da área de atuação por esses profissionais está diretamente relacionada, na maioria dos casos, com identificação profissional ou pessoal. Esse fato nos faz pensar que, possivelmente, conteúdos desses profissionais vêm à tona no momento que acontece uma situação de perda na enfermaria, o que os impede de agir profissionalmente, por haver uma mistura com o sofrimento das mães. Entendemos que há a empatia, porém, não fica claro seu limite entre o profissional e o pessoal, servindo mais como uma defesa dos profissionais que acabam ora se distanciando, ora se paralisando diante do ocorrido, não estando disponíveis para oferecer o acolhimento necessário à mulher enlutada.
Através dessa questão, também, se pode explicar o fato da não solicitação do trabalho da psicologia nesses casos e ainda, a falta de reconhecimento desses profissionais ao próprio despreparo. Isso é entendido porque acreditamos que eles mesmos esperam poder dar conta da situação, no âmbito profissional, como forma de resolução de seus conteúdos pessoais.
Mesmo não sendo este o objetivo do trabalho, e sabendo-se que a pesquisa foi realizada em somente dois centros específicos, o que é uma amostra muito pequena, achamos necessário ressaltar a questão de que existem falhas na inserção do psicólogo em uma equipe de neonatologia.
Apesar da demanda latente existente por parte da equipe, do grau de sofrimento que acomete as mães que perdem um filho nessas unidades e, principalmente, das seqüelas que podem existir após vivência como esta, não há uma assistência psicológica sistemática à essas mães, a não ser quando os profissionais solicitam, o que também não é comum. Esse fato pode ser entendido como uma não abertura dessas equipes à esses profissionais, já que como dito anteriormente, a demanda é latente e, apesar do reconhecimento da dor, a mesma é desvalorizada, tanto a das mães, quanto a dos profissionais.
Acreditamos que esse trabalho possa vir a servir como uma conscientização aos profissionais da equipe para que possam se dar conta de que questões pessoais podem interferir nas atuações profissionais e, aos psicólogos para que possam estar mais atentos à um campo de atuação ainda não reconhecido, porém, muito carente de condutas específicas, em primeiro lugar pelo sofrimento das mães que vivenciam situação de perda como esta tratada no trabalho e, em segundo lugar, pela equipe, que merece atenção especial no sentido de refletir sobre as condutas adotadas e sobre os limites entre profissional e pessoal diante desses casos.
REFERÊNCIAS BILBIOGRÁFICAS
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BOWLBY, J. Perda: Tristeza e depressão. São Paulo: Martins Fontes, 1998.
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Por Michelle Cristina da Silveira
Acredita-se ser a morte uma das experiências mais traumáticas para o ser humano por toda carga de perda eterna que trás consigo e por ser ainda, culturalmente, um assunto tabu e evitado na maioria das famílias.
A morte de um filho, então, é tida para muitos como insuperável, principalmente por inverter a ordem natural da vida, já que sempre se espera que os mais velhos morram primeiro (WALSH, MCGOLDRICK, 1998). E o que dizer da morte de um bebê antes mesmo dele nascer ou alguns dias após seu nascimento?
Para tratar desse assunto, serão utilizados os seguintes termos: natimorto e neomorto I. Segundo a terminologia hospitalar de DOLNIKOFF (1997), natimorto é o nome que se dá quando a morte do bebê ocorre in útero e neomorto I, para quando a morte ocorre até o 7º dia do nascimento.
Obviamente, os efeitos da perda de um filho são diretamente proporcionais ao desejo da mãe em tê-lo e ao significado da maternidade para mesma, segundo KLAUS, KENNELL (1993), a intensidade do luto e tristeza após a perda precoce de um bebê está diretamente relacionada à qualidade do vínculo que foi formado durante a gestação. Partindo do pressuposto que o bebê era planejado, sonhado e até idealizado, quais seriam as possíveis reações dessa mãe ao ser abruptamente frustrada com a morte de seu filho?
Sabe-se que sentimentos como raiva, culpa e depressão são os mais comuns e previsíveis nesses casos (MALDONADO, 2000), porém, não sabemos ao certo, até por conta da subjetividade de cada um, as conseqüências dessa situação traumática.
Tais conseqüências podem ser arrastadas ao longo da vida, já que uma perda como esta pode afetar a relação da mãe com o(s) filho(s) mais velho(s), bem como impossibilitá-la emocionalmente de ter um outro filho (BOWLBY, 1998).
Diante de toda complexidade que envolve essa situação, não temos, enquanto profissionais da psicologia, uma estratégia de ação, diante do caos emocional que toma conta dessas mulheres e porque não dizer, da família, nesse momento. Caos esse que é agravado pela falta de recursos para lidar com a situação por parte da equipe que participa de todo processo de parto. Dados da literatura nos mostram que o nascimento de um bebê morto, evoca um senso de culpa na enfermaria obstétrica (CULLBERG, 1972 apud KLAUS, KENNELL, 1993) e a partir dessa culpa, há um questionamento sobre a própria atuação e uma preferência por não falar no assunto o que implica em um desamparo às mães que ficam sem entender o que aconteceu e o porquê de terem perdido seus filhos.
Há a necessidade de se entender basicamente a dinâmica emocional das mulheres que passam por uma situação como esta, como se dá a elaboração do luto nesses casos e, quais as possíveis conseqüências psíquicas.
O objetivo desse trabalho é investigar a visão dos profissionais da área da saúde que trabalham diretamente com essas mulheres, buscando através de entrevistas abertas, que os mesmos verbalizem os sentimentos mobilizados diante dessas mães e, principalmente, a atribuição positiva ou não que dão à sua conduta diante das mesmas.
Para tanto, porém, devemos conhecer alguns aspectos da dinâmica psíquica da maternidade e do luto.
GRAVIDEZ
No ciclo vital feminino da mulher, há três períodos críticos de transição que constituem verdadeiras fases do desenvolvimento da personalidade e que possuem vários pontos em comum (MALDONADO, 2000): a adolescência, a gravidez e o climatério.
Todas as fases são entendidas como períodos de crises e crise pode ser definida como período temporário de desorganização no funcionamento de um sistema aberto (CAPLAN, 1963, apud MALDONADO, 2000). Esse termo pode ser empregado tanto nos períodos de transição inesperados, quanto nos inerentes ao desenvolvimento. Em qualquer caso, as crises implicam num enfraquecimento temporário da estrutura de ego, mobilizando outros mecanismos adaptativos, no sentido, de buscar novas respostas, antes, inexistentes no repertório do indivíduo. A solução elaborada por uma pessoa para resolver uma crise pode ser saudável ou doentia e pode implicar em melhora (integração e amadurecimento da personalidade) ou piora (desintegração, desorganização e desajustamento da personalidade). Toda crise é uma transição, mas, nem toda transição se constitui numa crise.
A gravidez é uma transição que faz parte do processo normal do desenvolvimento da mulher e o período crítico vai além do momento do parto. As maiores mudanças ocorrem após o parto e, portanto, o puerpério deve ser considerado como a continuação da situação de transformação, pois, implica novas mudanças fisiológicas, consolidação da relação pais-filhos, modificações na rotina e no relacionamento familiar (MALDONADO, 2000).
Segundo MALDONADO (1988) é no primeiro filho que acontecem as transformações mais radicais, já que será a primeira vez que o homem e a mulher deixam de ser filhos, apenas, para tornarem-se pais. Um filho, teoricamente, é a concretização de muitas coisas sonhadas, pensadas e planejadas, até mesmo, anos antes da fecundação, o que traz à tona, temores, ansiedades e expectativas.
De acordo com NINA (1997) há na psicodinâmica da gestação três modificações psíquicas que parecem dominar:
• Crise de identidade: dá-se frente a passagem do papel de filha para o papel de mãe e ainda frente às alterações corpóreas que distorcem a imagem corporal da gestante;
•Regressão: mecanismo de defesa que aparece já que, nesse período a mulher se sente mais frágil e necessitando de maior atenção de todos que a cercam, fato esse desencadeado pela crise, normal, que se entende ser a gravidez;
•Ambivalência: está presente na grande maioria dos casos porque existem sentimentos opostos em relação à gestação, ao feto e a todas as mudanças com ele advindas. Entende-se que não há gravidez cem por cento aceita nem tão pouco cem por cento rejeitada, porém, socialmente a gravidez é vista como algo divino e sagrado e a mulher gestante, muitas vezes, se sente culpada por não querer estar naquela situação e não se sente à vontade para falar sobre isso, até porque, quase nunca tem chances.
De acordo com MALDONADO (1998) com o desenvolver da gestação e crescimento do feto, torna-se mais fácil a aceitação porque a gravidez, passa a ser mais concreta, mesmo assim, não é uma regra e a aceitação pode não acontecer.
LUTO
Como dito anteriormente, a morte é uma certeza em nossas vidas, entretanto, não é vista como tal e muito menos, é encarada como um evento natural, ao contrário, normalmente, é vivida como um trauma.
A morte dos mais jovens em detrimento aos mais velhos, torna a aceitação à morte, ainda mais difícil, já que ocorre de forma a não respeitar a ordem, tida como, normal da vida.
A forma como a ligação é vivenciada determina a qualidade do vínculo e conseqüentemente a intensidade que se vive o luto.
Vamos entender, inicialmente, o luto de uma forma geral e, posteriormente, daremos ênfase ao luto dos pais aos filhos recém-nascidos e suas conseqüências.
De acordo com BOWLBY (1997), há uma relação causal entre distúrbio psicológico e separação ou perda ocorrida em alguma fase da vida.
Para ele, as fases do luto são:
•Topor: Dura entre horas e semanas após a perda e é uma fase permeada, muitas vezes, por choro e raiva;
•Saudade e busca da figura perdida: Dura de messes à anos e é caracterizada por momentos constantes de lembrança à pessoa perdida e, necessidade por parte da pessoa enlutada, de estar nos lugares onde a pessoa falecida freqüentava ou gostava de estar;
• Desorganização e desespero: Início do processo de elaboração do luto saudável, onde a pessoa enlutada começa a se conscientizar da real perda e da irreversibilidade dos fatos;
•Reorganização: Momento no qual a tristeza vai dando lugar à aceitação e ao restabelecimento da rotina normal da pessoa enlutada. Pode demorar até anos para se chegar à essa fase;
Algo que se vê como um ponto facilitador para se atingir o luto saudável, é, permitir que a pessoa consiga verbalizar, o quanto for necessário, seus sentimentos e emoções sobre a pessoa perdida. Isso muitas vezes é difícil porque a pessoa enlutada tende a recriminar quem quer que pareça ser o responsável pela perda, o que inclui a si próprios, a equipe médica, entre outros e, sem perceber, agem injustamente com as pessoas que tentavam ajudar.
Quando se trata da morte de um filho, as conseqüências e as dificuldades de elaboração do luto, podem ser ainda mais intensas. Com relação à morte de bebês, como é o enfoque desse estudo, o luto para os pais se torna ainda mais complicado: "Infelizmente, não faltam provas de que a perda de um bebê pode dar origem à problemas sérios, tanto para pais, especialmente para mães, como para os outros filhos" (BOWLBY, 1998, p.127).
A morte fetal in útero, resultando em parto de um natimorto, é uma perda que ocorre tarde na gravidez, quando a mulher e o parceiro já se ligaram ao feto e desenvolveram esperanças e sonhos para a criança não nascida. "A confirmação do diagnóstico de gravidez associa-se à idéia de uma nova vida, já moldando destinos no imaginário" (QUAYLE, 1997, p. 218). O mais grave é que a mulher terá que suportar todo o procedimento do parto sem a recompensa de um bebê vivo ao final (MCDANIEL, HEPWORTH, DOHERTY, 1994).
Segundo LEWIS (1979 apud KLAUS & KENNELL, 1993) "Após um natimorto, existe um senso duplo de perda para mãe enlutada, que agora tem um vazio em si, onde existia, de forma tão evidente, algo vivo" (p.280). Com um natimorto, a mãe tem que lidar com um vazio tanto interno quanto externo. O luto pelo bebê morto, muitas vezes se mistura com o luto da identidade de mãe que já estava sendo formada (QUAYLE, 1997).
Quando a morte do feto ocorre nas primeiras horas após o parto, a mãe sente um vazio frustrante, um vínculo bruscamente rompido. Se o fato se dá nos primeiros dias ou semanas a mãe apresenta sentimentos de depressão, culpa ou até mesmo, castigo. Ambos os casos, trazem a vivência de uma crise emocional de difícil elaboração e superação.
Na tentativa de trazer a vida para o mundo, e vendo-se incapaz de mantê-la, a mulher tende a estender essa incapacidade à sua feminilidade, vendo a como estragada, inadequada e insatisfatória. Com essa percepção de insucesso, reconhece-se, além da vergonha e da angústia, um desejo de morrer, como se morte significasse a união à criança falecida.
Quando não se sabe a causa da morte, os efeitos psicológicos são aumentados: "Até que a compreensão se torne consciente e seja dotada de significado, a transformação do luto não pode se completar plenamente" (SAVAGE, 1989, p. 143). Isso porque, o não esclarecimento da morte, gera culpa e fantasia de que a perda foi provocada por algo errado que a mulher, o homem ou o casal fizeram ou ainda, deixaram de fazer. As mães tendem a buscar responsáveis pelo ocorrido, quando não culpam a si mesmas, culpam a equipe médica (atraso no atendimento, incapacidade, incompetência...) ou até mesmo Deus (castigo, noção de que ela não teria condições de cuidar de um bebê...).
Reconhece-se uma intensa necessidade dos pais de lembrarem-se de seus filhos mortos, como se esquecê-los fosse algo digno de vergonha. Entendem, fantasiosamente, que quanto mais numerosas as lembranças, sobre o filho, maior o contato com eles, como se o não esquecimento os proporcionasse uma extensão do relacionamento (SAVAGE, 1989).
Se o luto é impedido, o resultado pode ser patológico. Grande maioria das mães segundo a pesquisa de WOLF (1970 apud KLAUS & KENNELL, 1993), que passaram por essa situação, queixaram-se das práticas hospitalares que abafavam as respostas à perda e também sobre a impossibilidade de decidirem por si mesmas se gostariam ou não de ver e tocar o bebê morto: "Tocar um bebê natimorto é importante para tornar o evento real e para facilitar o luto..." (LEWIS, 1979 apud KLAUS & KENNELL, 1993, p.302). Em alguns hospitais, essa prática nem ao menos é cogitada e o bebê é removido, sem autorização, ou ao menos conhecimento da mãe.
Nesse contexto, os pais devem se permitirem e ser permitidos a expressarem sua dor através da melancolia, do choro, da revolta, da apatia à vida, da insônia, entre outros, dentro desse quadro de normalidade. Reações como essas citadas, significam projeção da raiva, o que torna a dor mais suportável. Quando esta não acontece externamente, ocorre, então, internamente gerando depressão e ideações suicidas, com sentido de autopunição. Nesses casos, uma intervenção terapêutica se faz necessária (SAVAGE, 1989).
RELAÇÃO MÉDICO X PACIENTE
Um dos pontos cruciais desse estudo é, entender, basicamente, como se apresenta a relação entre médicos e pacientes, para então, podermos ter noção de como se dá os impactos aos médicos de uma morte neonatal.
Mostra-se necessário, que o paciente reconheça seus direitos para que possa melhor se relacionar com seu médico, principalmente, porque, ser paciente não é algo fácil. De acordo com GAUDERER (1991) o paciente está exposto física e psicologicamente devido ao turbilhão de emoções que estão ocorrendo nesse momento e, muitas vezes projeta, as mesmas na figura do médico dificultando a relação.
O sujeito doente quer uma explicação sobre a sua doença o que o remete à sua imortalidade e o desestabiliza emocionalmente. O papel do médico é, colaborar para o restabelecimento desse indivíduo, o que se dá através do conhecimento e da sua relação com o mesmo.
"Sofre o paciente. Sofre também o médico por diagnosticar uma doença e transmitir uma realidade indesejável" (GAUDERER, 1991, p.15).
O sofrimento ao qual nos referimos, é proporcional ao nível de envolvimento do médico com o seu paciente, o que justifica o distanciamento de muitos deles nas situações graves e irreversíveis.
"É mais cômodo descrever, palpar, medir, manipular um corpo à partir do exterior, do que acolher uma linguagem e envolver-se numa participação, num diálogo ou num silêncio atencioso..." (SARANO, 1978, p.05).
Tendo em vista a formação universitária dos médicos, é praticamente incabível aceitar um "não sei" diante de um quadro clínico Isso faz com que eles se apresentem de forma arrogante e autoritários na tentativa de impor o seu poder e ao mesmo tempo, de se defender da insegurança e da ignorância não aceita por eles mesmos.
"Os médicos sempre procuram 'driblar' a morte e todas as possibilidades terapêuticas são usadas para 'enganá-la'" (GAUDERER, 1991, p. 90). Isso porque a medicina tem a função de salvar vidas. Aceitar a morte é, aceitar a própria impotência e fracasso, e essa limitação frustra e causa dor pessoal, alimentada, ainda mais, pelas cobranças da sociedade no sentido de não aceitar erros médicos.
De acordo com BALINT (1988), os médicos ouvem, mas não sabem escutar e tendem a não entrar em contato com os sentimentos dos pacientes, racionalizando, na tentativa de explicar o quadro com dados científicos ou prescrevendo remédios como calmantes e sedativos, por exemplo.
Não estamos aqui dizendo que a solução está em exigir que os médicos façam psicoterapia com seus pacientes, porém, se houvesse uma maior sensibilidade ao ouvir o que o paciente tem a dizer e a reconhecer que aspectos psicológicos existem e interferem na relação, o contato com o paciente teria uma função mais acolhedora e logo, terapêutica, favorecendo, inclusive, na melhora do quadro.
Reações da equipe médica à morte fetal
A equipe da neonatologia é envolta diariamente em uma angústia e estresse constante, principalmente por estar sempre vivendo situações limites em seu cotidiano, nas quais, a morte se apresenta de forma predominante.
Normalmente, os membros dessa equipe, ficam divididos entre atender as diferentes demandas de um bebê internado na UTI, correndo risco de vida, e de atender mães e pais desesperados por informações esclarecedoras e reconfortantes.
O cotidiano é desgastante já que as relações são permeadas pelo receio diante da morte, o que implica em um estado de alerta sempre presente, onde cada alteração de quadro precisa ser valorizada em uma luta, diária, contra a morte.
Os profissionais que trabalham nessas equipes sentem-se desarmados face às reações paradoxais dos pais. Podem esperar um reconhecimento e encontram, às vezes, raiva, até mesmo ódio, ou, ao contrário, total submissão. Pesa sobre eles, nessa situação o peso do indivisível e do intolerável (WANDERLEY, 1999 p.37).
Atualmente, no contexto hospitalar, a morte deixou de ser um fenômeno natural para ser tida como um fracasso, um sinal de imperícia e, portanto, é evitada, negada e esquecida "para não se romper a rotina hospitalar" (ÁRIES, 1982 apud CAETANO, 2002, p.91).
Os médicos lidam com as mães enlutadas tratando apenas sintomas físicos e prescrevendo sedativos de forma liberal (GILES, 1970 apud KLAUS & KENNELL, 1993). Evitam discutir a morte do bebê. Os residentes não respondem as questões da família, deixando para um médico mais experiente que, também, evita o fato. Acreditando ser o melhor a fazer, a equipe, normalmente elimina rapidamente qualquer vestígio do bebê morto e coloca o corpo, sem funeral numa sepultura comum (BOWLBY, 1998), sem permitir que os pais escolham ou opinem sobre os procedimentos.
A dor dessa perda rompe o equilíbrio familiar e institucional, não havendo espaço na maternidade para esses "pais sem filhos". Os profissionais, talvez por sentirem que falharam em seu trabalho, tendem a afastarem-se desses casais, desamparados para lidar com a dor psíquica que, embora reconhecida, é desvalorizada. Na morte do recém-nascido e no óbito fetal, tenta-se acreditar que a pouca (ou nenhuma) convivência dos pais com seu bebê facilitará a aceitação de sua morte, diminuindo as repercussões de sua perda (QUAYLE, 1997, p.218).
PESQUISA
Para entender, na prática, a dinâmica das clínicas obstétricas diante de uma situação de luto materno, um questionário foi aplicado nas equipes de UTI neonatal e em alguns psicólogos que trabalham nesse serviço. Obtivemos a seguinte conclusão:
Acreditamos ter havido uma certa resistência por parte dos profissionais colaboradores, a falar ou pensar sobre o assunto, visto que a entrega dos questionários foi muito atrasada e, inclusive, dois deles não foram entregues.
Verificou-se que a escolha da área de atuação por esses profissionais está diretamente relacionada, na maioria dos casos, com identificação profissional ou pessoal. Esse fato nos faz pensar que, possivelmente, conteúdos desses profissionais vêm à tona no momento que acontece uma situação de perda na enfermaria, o que os impede de agir profissionalmente, por haver uma mistura com o sofrimento das mães. Entendemos que há a empatia, porém, não fica claro seu limite entre o profissional e o pessoal, servindo mais como uma defesa dos profissionais que acabam ora se distanciando, ora se paralisando diante do ocorrido, não estando disponíveis para oferecer o acolhimento necessário à mulher enlutada.
Através dessa questão, também, se pode explicar o fato da não solicitação do trabalho da psicologia nesses casos e ainda, a falta de reconhecimento desses profissionais ao próprio despreparo. Isso é entendido porque acreditamos que eles mesmos esperam poder dar conta da situação, no âmbito profissional, como forma de resolução de seus conteúdos pessoais.
Mesmo não sendo este o objetivo do trabalho, e sabendo-se que a pesquisa foi realizada em somente dois centros específicos, o que é uma amostra muito pequena, achamos necessário ressaltar a questão de que existem falhas na inserção do psicólogo em uma equipe de neonatologia.
Apesar da demanda latente existente por parte da equipe, do grau de sofrimento que acomete as mães que perdem um filho nessas unidades e, principalmente, das seqüelas que podem existir após vivência como esta, não há uma assistência psicológica sistemática à essas mães, a não ser quando os profissionais solicitam, o que também não é comum. Esse fato pode ser entendido como uma não abertura dessas equipes à esses profissionais, já que como dito anteriormente, a demanda é latente e, apesar do reconhecimento da dor, a mesma é desvalorizada, tanto a das mães, quanto a dos profissionais.
Acreditamos que esse trabalho possa vir a servir como uma conscientização aos profissionais da equipe para que possam se dar conta de que questões pessoais podem interferir nas atuações profissionais e, aos psicólogos para que possam estar mais atentos à um campo de atuação ainda não reconhecido, porém, muito carente de condutas específicas, em primeiro lugar pelo sofrimento das mães que vivenciam situação de perda como esta tratada no trabalho e, em segundo lugar, pela equipe, que merece atenção especial no sentido de refletir sobre as condutas adotadas e sobre os limites entre profissional e pessoal diante desses casos.
REFERÊNCIAS BILBIOGRÁFICAS
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quinta-feira, 2 de janeiro de 2014
Ocasiões festivas durante o luto
Por Maurice Lamm
A observância que mais afeta a vida diária do enlutado durante o período de 12 meses é a completa abstenção de festas e festividades, tanto públicas quanto privadas. Participar dessas reuniões simplesmente não é consonante com a depressão e contrição experimentada pelo enlutado. Chega às raias do absurdo o enlutado dançar com animação enquanto seu parente jaz morto num túmulo recente. Assim, os Sábios decretaram que embora o completo afastamento das atividades normais da sociedade dure apenas uma semana, afastamento de ocasiões sociais festivas dura 30 dias em luto por outros parentes, e um ano (12 meses hebraicos) quando em luto pelos pais. A alegria, em termos da tradição do luto, está associada em grande parte com eventos sociais públicos do que com satisfações pessoais.
A definição de júbilo
A dificuldade aqui, no entanto, é qual ocasião social deve ser definida como alegre, e portanto proibida ao enlutado. Existem, por um lado, reuniões sociais como festas, reuniões entre amigos, encontros da comunidade, viagens de recreio e cruzeiros, reuniões de negócios, eventos na sinagoga, e assim por diante. Por outro lado, há as celebrações religiosas, como brit milá, bar mitsvá e casamentos. Quais são considerados "alegres" em termos da tradição do luto? Quais critérios são usados para avaliar a determinação?
Os Sábios, através dos séculos, estabeleceram critérios gerais de ocasiões "alegres". A primeira consideração foi se a festa era religiosa ou social. Nesse ponto os grandes Sábios estavam divididos. A maioria, e a atitude prevalecente, foi que apenas o "verdadeiro júbilo" era proibido. O verdadeiro júbilo é aquele que vai até o âmago da pessoa, sua relação interior com D'us e com sua família. Isso é o que o Talmud tinha em mente quando proibiu o enlutado de entrar num salão para participar do jantar de gala de um casamento. A ocasião que celebra o cumprimento de uma mitsvá, como um casamento ou bar mitsvá, desperta verdadeiro júbilo no coração da pessoa, e isso o enlutado não tem permissão de sentir.
O estabelecimento desse critério está longe de ser arbitrário. Em vez disso, é uma conseqüência do conceito espiritual judaico sobre o mundo. O homem encontra genuína felicidade no cumprimento de suas obrigações para com D'us. Sua profunda satisfação não vem das distrações da mídia de entretenimento e das frivolidades superficiais de agora, dos jogos e concursos da sociedade. É verdade que reuniões de amigos e colegas proporcionam uma alegria positiva e incontestável, e muitos são os louvores oferecidos pelos Sábios à camaradagem característica de ocasiões sociais amigáveis. Porém o deleite que é derivado não é tão profundo como o júbilo verdadeiro da ocasião religiosa.
Assim, esses eruditos afirmaram que a proibição básica era a simchá shel mitsvá, a celebração religiosa, e o arquétipo dessa festividade realmente feliz era a cerimônia de casamento e o banquete. Apenas secundariamente a ocasião social foi proibida.
Uma opinião minoritária, apoiada por alguns dos mais estimados pensadores na vida judaica, afirmava que a tradição proibia basicamente a simchat mera'im, as alegrias puramente sociais, as diversões entre amigos, e a rodada de festas que geralmente marcam a vida. Qualquer ocasião celebrando a observância de um mandamento certamente não poderia ser proibida ao enlutado que deseja observar o mandamento!
Estas alegrias podem prejudicar o espírito do enlutado? Podem trazer vergonha ao falecido? Pode-se dizer que a participação em festividades religiosas familiares afastam a mente da pessoa dos mortos?
Judeus engajados, ansiosos para cumprir a lei, para honrar seus pais, e relativamente despreocupados com o número de eventos a que comparecem durante o ano, mantêm ambas as opiniões, e evitam tanto as festividades sociais quanto as religiosas, como regra geral. Exceções a esse costume foram enumeradas.
Outros critérios óbvios do que constitui júbilo foram estabelecidos. A música, especialmente para dançar, geralmente desfrutada na companhia de outros, é um evidente sinal de alegria. Outro critério é um jantar festivo; um suntuoso jantar de celebração é uma ocasião festiva. Há momentos, como uma recepção de casamento ou num cruzeiro a passeio, quando simplesmente estar num salão para jantar e danças, sem participar em nenhum dos dois, não é permitido ao enlutado. É um espírito de reunião pública que deve ser evitado. Deve-se notar que o júbilo proibido ao enlutado é comensurado com o grau e período do luto, e também com o parentesco com o falecido.
Assim:
1 – Durante a shivá o enlutado deve se abster de fazer as coisas que possam evocar alegria, como a recitação de determinados versículos do livro de preces, ou brincar em demasia com os filhos, ou até engajar-se em discussões animadas com os visitantes na casa enlutada. Estas são consideradas s'chok, amenidades, impróprias ao enlutado e proibidas durante todos os estágios de luto. Cohelet diz: "Há um tempo para chorar (bechi) e um tempo para rir (s'chok)." Como o luto é certamente o tempo para chorar, o riso excessivo não é permitido.
2 – Antes do shloshim, que finaliza a observância de luto para aqueles enlutados por parentes que não sejam os pais, reuniões religiosas e sociais sob circunstâncias normais são proibidas. Após o shloshim, todas as festividades estão permitidas aos enlutados.
3 – Para aqueles em luto pelos próprios pais, o período de shloshim exige uma abstenção mais intensa do júbilo que os meses remanescentes do ano. Por exemplo, os enlutados podem comparecer a uma festa de bar mitsvá (obviamente todos podem ir ao serviço na sinagoga) durante shloshim (após shivá) juntos, desde que evitem escutar a música instrumental e participar no jantar com os celebrantes. Após shloshim, e para o balanço do ano, porém, eles podem participar plenamente do jantar se o bar mitsvando fala sobre algum tema de Torá, tornando a celebração uma função realmente religiosa.
A seguir damos alguns detalhes da lei que deriva desses conceitos. Em situações difíceis deve-se discutir estes detalhes com o rabino, para que ele possa decidir qualquer questão da Lei. Damos a seguir algumas orientações sobre a regra e suas exceções, na proibição de comparecer a ocasiões festivas durante o luto.
Reuniões sociais e de negócios
1 – Encontros de negócios da comunidade, como reuniões da sinagoga ou organização fraternal, são permitidos ao enlutado após shivá.
2 – Jantares sociais, mesmo que não haja música, mesmo quando promovidos para causas de caridade, não devem ser freqüentados por enlutados pelos pais durante 12 meses, e outros enlutados por 30 dias.
3 – Cruzeiros recreativos e turismo em grupo de certa forma são semelhantes a jantares sociais aos olhos da Lei, embora as refeições sejam feitas privadamente. Estes são considerados verdadeiros "passeios" e devem ser desencorajados pelo menos durante os 30 dias.
4 – Festas em residências também devem ser desencorajadas ao enlutado pelos pais durante 12 meses, e outros enlutados por 30 dias, embora não seja servida uma refeição completa. Não há restrições sobre reuniões com uns poucos amigos de cada vez. O importante a ser lembrado é que esses eventos não devem se transformar em "ocasiões sociais". Receber amigos tudo bem, mas festividades não são apropriadas.
5 – Festas de negócios, onde alegria e farra são comuns, e realizações comerciais são a meta, devem ser evitadas durante todo o período de luto. Se a ausência nesses eventos pode causar perda financeira, deve-se consultar um rabino. Convenções de negócios são, similarmente, algo a se evitar em situações normais. No entanto, se o comparecimento for obrigatório, ou economicamente benéfico, o enlutado pode ir mas deve se retirar durante os períodos de música e dança. Deve fazer as refeições privadamente ou com amigos, a menos que o objetivo da reunião seja puramente de negócios, quando então ele pode jantar com a convenção, após o período de shloshim.
6 – Músicos profissionais que extraem todo, ou parte do próprio sustento tocando em ocasiões festivas, podem fazê-lo após a shivá, pois não estão tocando por alegria. Se forem financeiramente sustentáveis, devem evitar tocar durante o shloshim.
7 – Ir a óperas e concertos, teatros e cinemas deve ser desencorajado. Ouvir rádio ou assistir à TV depende dos critérios de júbilo acima. Geralmente, eventos esportivos e transmissões via rádio ou TV sobre notícias e esportes são permitidos.
Celebrações Religiosas
Brit Milá
• O enlutado que acaba de tornar-se pai pode comparecer ao brit milá do filho, mesmo que seja no primeiro dia após o enterro. Pode ir vestido com roupas de Shabat. Pode ajudar a preparar e comer a refeição festiva, até (talvez de preferência) em sua própria casa. Se não for na sua casa, pode se deslocar até o local do brit milá. Porém, logo após o brit milá, ele deve regressar e continuar a shivá na casa enlutada.
• O mohel, se não houver outro competente que esteja disponível, pode realizar o brit milá, mesmo durante sua shivá. Ele não deve participar da refeição festiva durante o shloshim se estiver de luto por um dos pais, porém pode fazê-lo (após shivá) se estiver de luto por outros parentes.
• O sandak (enlutado) pode comparecer ao brit milá, mas não deve participar da refeição festiva durante a shivá, como o mohel. Pode calçar sapatos e vestir-se para a ocasião. No entanto, não é considerado inteiramente adequado convidar um enlutado para ser o sandak.
PIdyon Ha'ben
As leis de pidyon ha'ben são semelhantes àquelas do brit milá. O Cohen, nesse exemplo, pode realizar esse procedimento, como no caso do mohel.
Bar mitsvá
Um pai enlutado pode preparar a festa de bar mitsvá mesmo durante shloshim, desde que seja após a shivá. Ele não deveria, porém, fazer a refeição com os convidados. Pode comer em outro aposento, e socializar com os convidados durante a refeição propriamente dita, sem música.
Um pai nessa situação pode vestir-se para a ocasião. O próprio bar mitsvando, se estiver de luto por um dos pais, pode vestir suas melhores roupas. A cerimônia religiosa do bar mitsvá não é cancelada mesmo que o rapazinho esteja de luto. Todos os enlutados, sejam ou não parentes do bar mitsvando, podem comparecer à celebração durante o shloshim, mas devem evitar o jantar ou ouvir música. Após shloshim, o enlutado pelos pais pode participar da refeição se o celebrante falar sobre tópicos de Torá, indicando assim que é uma simchá shel mitsvá, uma ocasião religiosa.
A cerimônia de casamento
1 – Se a cerimônia acontece num salão ou local semelhante onde haja música, a regra geral é que os enlutados pelos pais não devem comparecer durante 12 meses, e por outros parentes por 30 dias.
2 – No próprio salão do buffet, se não houver orquestra presente, enlutados pelos pais podem comparecer após shloshim.
3 – Se o casamento for numa sinagoga, onde costumeiramente há apenas música vocal mas não instrumental, o enlutado pelos pais pode comparecer após a shivá. Após shloshim, nesse caso, o enlutado pelos pais pode até participar na recitação das bênçãos na cerimônia e vestir-se para a ocasião. Se houver música instrumental ele não pode comparecer pelo menos até o fim do ano.
4 – Se o enlutado (mesmo pelos pais) for o décimo no minyan, e não houver mais homens disponíveis para constituir o quorum, ele pode comparecer ao casamento e fazer a refeição, mesmo durante o shloshim.
5 – Se a ausência do enlutado causará um adiamento na data do casamento, e houver a possibilidade de que o adiamento possa fazer com que um dos noivos desista do casamento, o enlutado pode comparecer a qualquer tempo e sob quaisquer condições.
6 – Se o rabino está de luto, pode oficiar um casamento após shivá, mas deve evitar ouvir música.
7 – Quando enlutados vão a essas ocasiões quando isso normalmente não seria permitido, eles devem realizar alguma função útil:
a – Parentes que comparecem após shivá (durante shloshim), devem atuar como anfitriões ou ajudantes na cerimônia, mesmo que não estejam de luto pelos pais, Estes enlutados, obviamente, podem comparecer após shloshim sem esta exigência.
b – Amigos íntimos do celebrante que estejam de luto não devem comparecer à cerimônia durante shloshim. No entanto, se eles sentirem que sua ausência causará remorso ou sofrimento aos noivos, podem comparecer como assistentes antes da cerimônia. Após shloshim, se estão de luto pelos pais, estes amigos podem comparecer se ajudarem antes da cerimônia.
O Jantar
Jantar festivo com amigos e parentes cai exatamente na categoria de simchá, júbilo, e deve ser evitado pelo enlutado durante 12 meses quando em luto pelos pais, e 30 dias em luto por outros parentes. Em circunstâncias prementes, os enlutados devem agir conforme explicado a seguir:
1 – Pai e mãe, irmão e irmã, e filhos da noiva ou do noivo, podem comparecer à cerimônia e participar do jantar durante shloshim mesmo se estiverem de luto pelos pais. Devem, no entanto, ser de alguma ajuda na preparação ou serviço da refeição, ou servindo bebidas e assim por diante.
2 – Outros parentes do casal podem ir à recepção do casamento após shloshim, se estiverem de luto pelos pais, (outros enlutados após a shivá) mas devem ajudar a servir.
Siyyum Masechet
Na conclusão de um tratado do Talmud uma celebração (siyyum masechet) geralmente é feita (como aquela à qual comparece o primogênito que, caso contrário, teria de jejuar antes de Pêssach). Estas celebrações podem ser freqüentadas por enlutados, e eles podem participar da refeição em seguida ao discurso talmúdico. A refeição festiva em Chanucá e na inauguração de uma casa estão na mesma categoria, desde que haja um caráter de celebração religiosa com um divrei Torá ou canções entoadas em louvor a D'us.
Festividades no Shabat
O Shabat é um dia no qual é evitado luto em público (embora as proibições do luto pessoal estejam valendo).
A pessoa pode comparecer a uma reunião pública festiva no Shabat?
A regra geral é que o Shabat apenas acrescenta à simchá que coincide com ele, e portanto isso deve torná-la duplamente proibitiva. Ao mesmo tempo, porém, se a comunidade normalmente esperaria que o enlutado comparecesse, sua ausência pareceria luto público, seria permitido no Shabat.
Os procedimentos a seguir, portanto, devem ser adotados:
Festejos pós-casamento (sheva brachot) feitos a cada noite durante sete dias depois do casamento, não devem ser freqüentados nem mesmo no Shabat até depois de shloshim por enlutados pelos pais, e após a shivá por outros enlutados. O mesmo é verdadeiro para brit milá, shalom zachar (celebrado na primeira sexta-feira à noite após o nascimento de um filho), e para uma mãe retornando à sinagoga pela primeira vez após o nascimento do filho, se costumeiramente é dada uma festa em sua homenagem.
No entanto, o acima é feito para amigos e parentes distantes do celebrante. Parentes próximos da família imediata e indivíduos proeminentes, dos quais geralmente se espera o comparecimento, podem ir a essas celebrações e participar da refeição. Sua ausência seria claramente uma indicação de luto em público, que é proibido no Shabat.
O Enlutado e Casamentos
Para os parentes, amigos e pessoas que desejam o bem, a alegria no casamento é definida em termos materiais, como jantar e danças. Assim, o enlutado pode ir à cerimônia se não houver música e se ele não participar do banquete. Porém para o casal que está se casando, comida e música são secundários, meramente um acompanhamento para o importante momento sob a chpá. Para eles a definição de júbilo é o vínculo pessoal e espiritual que os une. Mesmo que o casamento fosse destituído dos enfeites materiais, dos sorrisos e adornos, e somente o casal, as testemunhas, o minyan e o rabino estivessem presentes, a cerimônia ainda seria o máximo da alegria.
O som empolgante do mazal tov, a beleza das flores e da música teriam ido embora, mas a essência permaneceria pela vida toda. Portanto, para o enlutado, o casamento deveria ser proibido. Mas esta não é uma questão fácil. A pessoa pode se abster de celebrações e música por um ano, mas o casamento é o próprio tecido da vida, e a vida inevitavelmente deve continuar. E portanto todos os enlutados, seja pelos pais ou por outros parentes, embora estejam proibidos de casar-se durante a shivá, tinham permissão de casar-se após o shloshim.
O casamento pode ser celebrado na presença de todos os amigos, abundância material, beleza, música e alegria. Pois é, afinal, a festa das festas e, portanto, barbear-se, cortar o cabelo, lavar-se e vestir-se da melhor maneira são permitidos.
As leis relativas ao casamento afirmavam a necessidade de a vida continuar e ser vivida plenamente, mas também consideravam que, mesmo assim, um parente próximo acaba de perder a vida. A gloriosa união do casamento e a grave perda da morte são dois contrastes, e a tradição entendia a necessidade de ambos.
A seguir temos as leis que surgiram desse entendimento da necessidade humana no momento raro da coincidência de tamanhos opostos na vida.
1 – Quando o casamento pode ocorrer:
a – Os enlutados não devem se casar durante shloshim, e certamente não durante a shivá, mesmo sem pompa, música e recepção suntuosa. Noivados não podem ser realizados ou anunciados durante esse período.
b – Após o shloshim, o casamento pode ocorrer com todos os adornos, música e comida, e os noivos e pais podem se vestir para a ocasião, sem demonstrar quaisquer sinais evidentes de luto.
c – Durante shloshim (após shivá) há circunstâncias excepcionais quando os casamentos podem ser realizados:
Se o noivo é o enlutado:
• Se ele não tiver filhos, e os preparativos já foram feitos, como: data marcada, os arranjos contratados, a comida foi adquirida, portanto adiar o casamento incorreria em grande perda financeira, ou faria com que muitas pessoas ficassem ausentes.
• Se a data não foi marcada, mas por alguma razão irrefutável, como alistamento militar, deve ser feito durante shloshim, o casal pode se casar, mas não viver como marido e mulher até depois do shloshim.
Se a noiva é a enlutada:
O casamento pode ocorrer durante o shloshim apenas se ela já estiver noiva, os preparativos feitos e o noivo não tem filhos.
2 – Quando pode ocorrer o segundo casamento:
a – Se a esposa morreu.
O marido deve esperar passar as três maiores Festas (Pêssach, Sucot e Shavuot) antes de casar novamente. Rosh Hashaná e Yom Kipur não contam como Festas para esse propósito. Shemini Atsêret pode ser contado como Festa em determinados casos envolvendo circunstâncias urgentes pessoais e familiares. O motivo ostensivo para esta demora é a esperança que a duração de três Festas separadas e o ciclo de estações diminua seu desespero, e ele não entre num segundo casamento com a imagem do primeiro amor ainda presente em sua mente. Este espaço de tempo pode ter até um ano se a morte ocorreu pouco depois de Sucot, ou apenas alguns meses se a morte ocorreu pouco antes de Pêssach.
Há exceções dignas de nota a essa regra geral:
• Se o marido não gerou filhos, o casamento pode ser feito após shivá e eles podem viver como marido e mulher.
• Se ele tem filhos pequenos que precisam ser cuidados, o casamento pode ser feito após shivá, porém as relações conjugais devem ser adiadas até depois de shloshim.
• Se ele não suportar viver sozinho, qualquer que seja o motivo (esta não é uma ocorrência rara), ele pode se casar, mas não pode ter relações conjugais até depois de shloshim.
b - Se o marido faleceu:
A mulher pode casar-se novamente depois de três meses, um tempo consideravelmente mais breve que a duração de três Festas para o homem. Evidentemente, a mulher era considerada mais capaz de controlar suas emoções, tendo de estar mais preocupada com a criação dos filhos que com os próprios sentimentos. O motivo para essa espera de três meses é que deve ficar evidente que ela não espera um filho do marido falecido. Sob circunstâncias excepcionais a serem julgadas por competentes autoridades rabínicas, caso saiba-se medicamente que ela não poderia estar grávida, e se o noivo não tem filhos, ela pode receber permissão de casar-se após shivá. Além disso, se ela tem muita dificuldade para sustentar os filhos órfãos e pode ser determinado com segurança que não está grávida, ela pode receber permissão de casar-se imediatamente após shivá.
3 – Tornando-se enlutado após a cerimônia
a – Se um dos sete parentes próximos da noiva ou do noivo faleceu logo após a cerimônia, mas antes que o casamento fosse consumado, o casal deve viver separado até depois da shivá.
b – Se o parente faleceu após a consumação do casamento, o luto é adiado até depois da semana inteira de celebração das bodas. Durante esse período, o enlutado pode cuidar de sua higiene pessoal e aparência, e pode experimentar todas as alegrias da vida. Quando a semana terminar, porém, a roupa do enlutado é rasgada e a shivá começa de maneira plena, como descrito acima.
A observância que mais afeta a vida diária do enlutado durante o período de 12 meses é a completa abstenção de festas e festividades, tanto públicas quanto privadas. Participar dessas reuniões simplesmente não é consonante com a depressão e contrição experimentada pelo enlutado. Chega às raias do absurdo o enlutado dançar com animação enquanto seu parente jaz morto num túmulo recente. Assim, os Sábios decretaram que embora o completo afastamento das atividades normais da sociedade dure apenas uma semana, afastamento de ocasiões sociais festivas dura 30 dias em luto por outros parentes, e um ano (12 meses hebraicos) quando em luto pelos pais. A alegria, em termos da tradição do luto, está associada em grande parte com eventos sociais públicos do que com satisfações pessoais.
A definição de júbilo
A dificuldade aqui, no entanto, é qual ocasião social deve ser definida como alegre, e portanto proibida ao enlutado. Existem, por um lado, reuniões sociais como festas, reuniões entre amigos, encontros da comunidade, viagens de recreio e cruzeiros, reuniões de negócios, eventos na sinagoga, e assim por diante. Por outro lado, há as celebrações religiosas, como brit milá, bar mitsvá e casamentos. Quais são considerados "alegres" em termos da tradição do luto? Quais critérios são usados para avaliar a determinação?
Os Sábios, através dos séculos, estabeleceram critérios gerais de ocasiões "alegres". A primeira consideração foi se a festa era religiosa ou social. Nesse ponto os grandes Sábios estavam divididos. A maioria, e a atitude prevalecente, foi que apenas o "verdadeiro júbilo" era proibido. O verdadeiro júbilo é aquele que vai até o âmago da pessoa, sua relação interior com D'us e com sua família. Isso é o que o Talmud tinha em mente quando proibiu o enlutado de entrar num salão para participar do jantar de gala de um casamento. A ocasião que celebra o cumprimento de uma mitsvá, como um casamento ou bar mitsvá, desperta verdadeiro júbilo no coração da pessoa, e isso o enlutado não tem permissão de sentir.
O estabelecimento desse critério está longe de ser arbitrário. Em vez disso, é uma conseqüência do conceito espiritual judaico sobre o mundo. O homem encontra genuína felicidade no cumprimento de suas obrigações para com D'us. Sua profunda satisfação não vem das distrações da mídia de entretenimento e das frivolidades superficiais de agora, dos jogos e concursos da sociedade. É verdade que reuniões de amigos e colegas proporcionam uma alegria positiva e incontestável, e muitos são os louvores oferecidos pelos Sábios à camaradagem característica de ocasiões sociais amigáveis. Porém o deleite que é derivado não é tão profundo como o júbilo verdadeiro da ocasião religiosa.
Assim, esses eruditos afirmaram que a proibição básica era a simchá shel mitsvá, a celebração religiosa, e o arquétipo dessa festividade realmente feliz era a cerimônia de casamento e o banquete. Apenas secundariamente a ocasião social foi proibida.
Uma opinião minoritária, apoiada por alguns dos mais estimados pensadores na vida judaica, afirmava que a tradição proibia basicamente a simchat mera'im, as alegrias puramente sociais, as diversões entre amigos, e a rodada de festas que geralmente marcam a vida. Qualquer ocasião celebrando a observância de um mandamento certamente não poderia ser proibida ao enlutado que deseja observar o mandamento!
Estas alegrias podem prejudicar o espírito do enlutado? Podem trazer vergonha ao falecido? Pode-se dizer que a participação em festividades religiosas familiares afastam a mente da pessoa dos mortos?
Judeus engajados, ansiosos para cumprir a lei, para honrar seus pais, e relativamente despreocupados com o número de eventos a que comparecem durante o ano, mantêm ambas as opiniões, e evitam tanto as festividades sociais quanto as religiosas, como regra geral. Exceções a esse costume foram enumeradas.
Outros critérios óbvios do que constitui júbilo foram estabelecidos. A música, especialmente para dançar, geralmente desfrutada na companhia de outros, é um evidente sinal de alegria. Outro critério é um jantar festivo; um suntuoso jantar de celebração é uma ocasião festiva. Há momentos, como uma recepção de casamento ou num cruzeiro a passeio, quando simplesmente estar num salão para jantar e danças, sem participar em nenhum dos dois, não é permitido ao enlutado. É um espírito de reunião pública que deve ser evitado. Deve-se notar que o júbilo proibido ao enlutado é comensurado com o grau e período do luto, e também com o parentesco com o falecido.
Assim:
1 – Durante a shivá o enlutado deve se abster de fazer as coisas que possam evocar alegria, como a recitação de determinados versículos do livro de preces, ou brincar em demasia com os filhos, ou até engajar-se em discussões animadas com os visitantes na casa enlutada. Estas são consideradas s'chok, amenidades, impróprias ao enlutado e proibidas durante todos os estágios de luto. Cohelet diz: "Há um tempo para chorar (bechi) e um tempo para rir (s'chok)." Como o luto é certamente o tempo para chorar, o riso excessivo não é permitido.
2 – Antes do shloshim, que finaliza a observância de luto para aqueles enlutados por parentes que não sejam os pais, reuniões religiosas e sociais sob circunstâncias normais são proibidas. Após o shloshim, todas as festividades estão permitidas aos enlutados.
3 – Para aqueles em luto pelos próprios pais, o período de shloshim exige uma abstenção mais intensa do júbilo que os meses remanescentes do ano. Por exemplo, os enlutados podem comparecer a uma festa de bar mitsvá (obviamente todos podem ir ao serviço na sinagoga) durante shloshim (após shivá) juntos, desde que evitem escutar a música instrumental e participar no jantar com os celebrantes. Após shloshim, e para o balanço do ano, porém, eles podem participar plenamente do jantar se o bar mitsvando fala sobre algum tema de Torá, tornando a celebração uma função realmente religiosa.
A seguir damos alguns detalhes da lei que deriva desses conceitos. Em situações difíceis deve-se discutir estes detalhes com o rabino, para que ele possa decidir qualquer questão da Lei. Damos a seguir algumas orientações sobre a regra e suas exceções, na proibição de comparecer a ocasiões festivas durante o luto.
Reuniões sociais e de negócios
1 – Encontros de negócios da comunidade, como reuniões da sinagoga ou organização fraternal, são permitidos ao enlutado após shivá.
2 – Jantares sociais, mesmo que não haja música, mesmo quando promovidos para causas de caridade, não devem ser freqüentados por enlutados pelos pais durante 12 meses, e outros enlutados por 30 dias.
3 – Cruzeiros recreativos e turismo em grupo de certa forma são semelhantes a jantares sociais aos olhos da Lei, embora as refeições sejam feitas privadamente. Estes são considerados verdadeiros "passeios" e devem ser desencorajados pelo menos durante os 30 dias.
4 – Festas em residências também devem ser desencorajadas ao enlutado pelos pais durante 12 meses, e outros enlutados por 30 dias, embora não seja servida uma refeição completa. Não há restrições sobre reuniões com uns poucos amigos de cada vez. O importante a ser lembrado é que esses eventos não devem se transformar em "ocasiões sociais". Receber amigos tudo bem, mas festividades não são apropriadas.
5 – Festas de negócios, onde alegria e farra são comuns, e realizações comerciais são a meta, devem ser evitadas durante todo o período de luto. Se a ausência nesses eventos pode causar perda financeira, deve-se consultar um rabino. Convenções de negócios são, similarmente, algo a se evitar em situações normais. No entanto, se o comparecimento for obrigatório, ou economicamente benéfico, o enlutado pode ir mas deve se retirar durante os períodos de música e dança. Deve fazer as refeições privadamente ou com amigos, a menos que o objetivo da reunião seja puramente de negócios, quando então ele pode jantar com a convenção, após o período de shloshim.
6 – Músicos profissionais que extraem todo, ou parte do próprio sustento tocando em ocasiões festivas, podem fazê-lo após a shivá, pois não estão tocando por alegria. Se forem financeiramente sustentáveis, devem evitar tocar durante o shloshim.
7 – Ir a óperas e concertos, teatros e cinemas deve ser desencorajado. Ouvir rádio ou assistir à TV depende dos critérios de júbilo acima. Geralmente, eventos esportivos e transmissões via rádio ou TV sobre notícias e esportes são permitidos.
Celebrações Religiosas
Brit Milá
• O enlutado que acaba de tornar-se pai pode comparecer ao brit milá do filho, mesmo que seja no primeiro dia após o enterro. Pode ir vestido com roupas de Shabat. Pode ajudar a preparar e comer a refeição festiva, até (talvez de preferência) em sua própria casa. Se não for na sua casa, pode se deslocar até o local do brit milá. Porém, logo após o brit milá, ele deve regressar e continuar a shivá na casa enlutada.
• O mohel, se não houver outro competente que esteja disponível, pode realizar o brit milá, mesmo durante sua shivá. Ele não deve participar da refeição festiva durante o shloshim se estiver de luto por um dos pais, porém pode fazê-lo (após shivá) se estiver de luto por outros parentes.
• O sandak (enlutado) pode comparecer ao brit milá, mas não deve participar da refeição festiva durante a shivá, como o mohel. Pode calçar sapatos e vestir-se para a ocasião. No entanto, não é considerado inteiramente adequado convidar um enlutado para ser o sandak.
PIdyon Ha'ben
As leis de pidyon ha'ben são semelhantes àquelas do brit milá. O Cohen, nesse exemplo, pode realizar esse procedimento, como no caso do mohel.
Bar mitsvá
Um pai enlutado pode preparar a festa de bar mitsvá mesmo durante shloshim, desde que seja após a shivá. Ele não deveria, porém, fazer a refeição com os convidados. Pode comer em outro aposento, e socializar com os convidados durante a refeição propriamente dita, sem música.
Um pai nessa situação pode vestir-se para a ocasião. O próprio bar mitsvando, se estiver de luto por um dos pais, pode vestir suas melhores roupas. A cerimônia religiosa do bar mitsvá não é cancelada mesmo que o rapazinho esteja de luto. Todos os enlutados, sejam ou não parentes do bar mitsvando, podem comparecer à celebração durante o shloshim, mas devem evitar o jantar ou ouvir música. Após shloshim, o enlutado pelos pais pode participar da refeição se o celebrante falar sobre tópicos de Torá, indicando assim que é uma simchá shel mitsvá, uma ocasião religiosa.
A cerimônia de casamento
1 – Se a cerimônia acontece num salão ou local semelhante onde haja música, a regra geral é que os enlutados pelos pais não devem comparecer durante 12 meses, e por outros parentes por 30 dias.
2 – No próprio salão do buffet, se não houver orquestra presente, enlutados pelos pais podem comparecer após shloshim.
3 – Se o casamento for numa sinagoga, onde costumeiramente há apenas música vocal mas não instrumental, o enlutado pelos pais pode comparecer após a shivá. Após shloshim, nesse caso, o enlutado pelos pais pode até participar na recitação das bênçãos na cerimônia e vestir-se para a ocasião. Se houver música instrumental ele não pode comparecer pelo menos até o fim do ano.
4 – Se o enlutado (mesmo pelos pais) for o décimo no minyan, e não houver mais homens disponíveis para constituir o quorum, ele pode comparecer ao casamento e fazer a refeição, mesmo durante o shloshim.
5 – Se a ausência do enlutado causará um adiamento na data do casamento, e houver a possibilidade de que o adiamento possa fazer com que um dos noivos desista do casamento, o enlutado pode comparecer a qualquer tempo e sob quaisquer condições.
6 – Se o rabino está de luto, pode oficiar um casamento após shivá, mas deve evitar ouvir música.
7 – Quando enlutados vão a essas ocasiões quando isso normalmente não seria permitido, eles devem realizar alguma função útil:
a – Parentes que comparecem após shivá (durante shloshim), devem atuar como anfitriões ou ajudantes na cerimônia, mesmo que não estejam de luto pelos pais, Estes enlutados, obviamente, podem comparecer após shloshim sem esta exigência.
b – Amigos íntimos do celebrante que estejam de luto não devem comparecer à cerimônia durante shloshim. No entanto, se eles sentirem que sua ausência causará remorso ou sofrimento aos noivos, podem comparecer como assistentes antes da cerimônia. Após shloshim, se estão de luto pelos pais, estes amigos podem comparecer se ajudarem antes da cerimônia.
O Jantar
Jantar festivo com amigos e parentes cai exatamente na categoria de simchá, júbilo, e deve ser evitado pelo enlutado durante 12 meses quando em luto pelos pais, e 30 dias em luto por outros parentes. Em circunstâncias prementes, os enlutados devem agir conforme explicado a seguir:
1 – Pai e mãe, irmão e irmã, e filhos da noiva ou do noivo, podem comparecer à cerimônia e participar do jantar durante shloshim mesmo se estiverem de luto pelos pais. Devem, no entanto, ser de alguma ajuda na preparação ou serviço da refeição, ou servindo bebidas e assim por diante.
2 – Outros parentes do casal podem ir à recepção do casamento após shloshim, se estiverem de luto pelos pais, (outros enlutados após a shivá) mas devem ajudar a servir.
Siyyum Masechet
Na conclusão de um tratado do Talmud uma celebração (siyyum masechet) geralmente é feita (como aquela à qual comparece o primogênito que, caso contrário, teria de jejuar antes de Pêssach). Estas celebrações podem ser freqüentadas por enlutados, e eles podem participar da refeição em seguida ao discurso talmúdico. A refeição festiva em Chanucá e na inauguração de uma casa estão na mesma categoria, desde que haja um caráter de celebração religiosa com um divrei Torá ou canções entoadas em louvor a D'us.
Festividades no Shabat
O Shabat é um dia no qual é evitado luto em público (embora as proibições do luto pessoal estejam valendo).
A pessoa pode comparecer a uma reunião pública festiva no Shabat?
A regra geral é que o Shabat apenas acrescenta à simchá que coincide com ele, e portanto isso deve torná-la duplamente proibitiva. Ao mesmo tempo, porém, se a comunidade normalmente esperaria que o enlutado comparecesse, sua ausência pareceria luto público, seria permitido no Shabat.
Os procedimentos a seguir, portanto, devem ser adotados:
Festejos pós-casamento (sheva brachot) feitos a cada noite durante sete dias depois do casamento, não devem ser freqüentados nem mesmo no Shabat até depois de shloshim por enlutados pelos pais, e após a shivá por outros enlutados. O mesmo é verdadeiro para brit milá, shalom zachar (celebrado na primeira sexta-feira à noite após o nascimento de um filho), e para uma mãe retornando à sinagoga pela primeira vez após o nascimento do filho, se costumeiramente é dada uma festa em sua homenagem.
No entanto, o acima é feito para amigos e parentes distantes do celebrante. Parentes próximos da família imediata e indivíduos proeminentes, dos quais geralmente se espera o comparecimento, podem ir a essas celebrações e participar da refeição. Sua ausência seria claramente uma indicação de luto em público, que é proibido no Shabat.
O Enlutado e Casamentos
Para os parentes, amigos e pessoas que desejam o bem, a alegria no casamento é definida em termos materiais, como jantar e danças. Assim, o enlutado pode ir à cerimônia se não houver música e se ele não participar do banquete. Porém para o casal que está se casando, comida e música são secundários, meramente um acompanhamento para o importante momento sob a chpá. Para eles a definição de júbilo é o vínculo pessoal e espiritual que os une. Mesmo que o casamento fosse destituído dos enfeites materiais, dos sorrisos e adornos, e somente o casal, as testemunhas, o minyan e o rabino estivessem presentes, a cerimônia ainda seria o máximo da alegria.
O som empolgante do mazal tov, a beleza das flores e da música teriam ido embora, mas a essência permaneceria pela vida toda. Portanto, para o enlutado, o casamento deveria ser proibido. Mas esta não é uma questão fácil. A pessoa pode se abster de celebrações e música por um ano, mas o casamento é o próprio tecido da vida, e a vida inevitavelmente deve continuar. E portanto todos os enlutados, seja pelos pais ou por outros parentes, embora estejam proibidos de casar-se durante a shivá, tinham permissão de casar-se após o shloshim.
O casamento pode ser celebrado na presença de todos os amigos, abundância material, beleza, música e alegria. Pois é, afinal, a festa das festas e, portanto, barbear-se, cortar o cabelo, lavar-se e vestir-se da melhor maneira são permitidos.
As leis relativas ao casamento afirmavam a necessidade de a vida continuar e ser vivida plenamente, mas também consideravam que, mesmo assim, um parente próximo acaba de perder a vida. A gloriosa união do casamento e a grave perda da morte são dois contrastes, e a tradição entendia a necessidade de ambos.
A seguir temos as leis que surgiram desse entendimento da necessidade humana no momento raro da coincidência de tamanhos opostos na vida.
1 – Quando o casamento pode ocorrer:
a – Os enlutados não devem se casar durante shloshim, e certamente não durante a shivá, mesmo sem pompa, música e recepção suntuosa. Noivados não podem ser realizados ou anunciados durante esse período.
b – Após o shloshim, o casamento pode ocorrer com todos os adornos, música e comida, e os noivos e pais podem se vestir para a ocasião, sem demonstrar quaisquer sinais evidentes de luto.
c – Durante shloshim (após shivá) há circunstâncias excepcionais quando os casamentos podem ser realizados:
Se o noivo é o enlutado:
• Se ele não tiver filhos, e os preparativos já foram feitos, como: data marcada, os arranjos contratados, a comida foi adquirida, portanto adiar o casamento incorreria em grande perda financeira, ou faria com que muitas pessoas ficassem ausentes.
• Se a data não foi marcada, mas por alguma razão irrefutável, como alistamento militar, deve ser feito durante shloshim, o casal pode se casar, mas não viver como marido e mulher até depois do shloshim.
Se a noiva é a enlutada:
O casamento pode ocorrer durante o shloshim apenas se ela já estiver noiva, os preparativos feitos e o noivo não tem filhos.
2 – Quando pode ocorrer o segundo casamento:
a – Se a esposa morreu.
O marido deve esperar passar as três maiores Festas (Pêssach, Sucot e Shavuot) antes de casar novamente. Rosh Hashaná e Yom Kipur não contam como Festas para esse propósito. Shemini Atsêret pode ser contado como Festa em determinados casos envolvendo circunstâncias urgentes pessoais e familiares. O motivo ostensivo para esta demora é a esperança que a duração de três Festas separadas e o ciclo de estações diminua seu desespero, e ele não entre num segundo casamento com a imagem do primeiro amor ainda presente em sua mente. Este espaço de tempo pode ter até um ano se a morte ocorreu pouco depois de Sucot, ou apenas alguns meses se a morte ocorreu pouco antes de Pêssach.
Há exceções dignas de nota a essa regra geral:
• Se o marido não gerou filhos, o casamento pode ser feito após shivá e eles podem viver como marido e mulher.
• Se ele tem filhos pequenos que precisam ser cuidados, o casamento pode ser feito após shivá, porém as relações conjugais devem ser adiadas até depois de shloshim.
• Se ele não suportar viver sozinho, qualquer que seja o motivo (esta não é uma ocorrência rara), ele pode se casar, mas não pode ter relações conjugais até depois de shloshim.
b - Se o marido faleceu:
A mulher pode casar-se novamente depois de três meses, um tempo consideravelmente mais breve que a duração de três Festas para o homem. Evidentemente, a mulher era considerada mais capaz de controlar suas emoções, tendo de estar mais preocupada com a criação dos filhos que com os próprios sentimentos. O motivo para essa espera de três meses é que deve ficar evidente que ela não espera um filho do marido falecido. Sob circunstâncias excepcionais a serem julgadas por competentes autoridades rabínicas, caso saiba-se medicamente que ela não poderia estar grávida, e se o noivo não tem filhos, ela pode receber permissão de casar-se após shivá. Além disso, se ela tem muita dificuldade para sustentar os filhos órfãos e pode ser determinado com segurança que não está grávida, ela pode receber permissão de casar-se imediatamente após shivá.
3 – Tornando-se enlutado após a cerimônia
a – Se um dos sete parentes próximos da noiva ou do noivo faleceu logo após a cerimônia, mas antes que o casamento fosse consumado, o casal deve viver separado até depois da shivá.
b – Se o parente faleceu após a consumação do casamento, o luto é adiado até depois da semana inteira de celebração das bodas. Durante esse período, o enlutado pode cuidar de sua higiene pessoal e aparência, e pode experimentar todas as alegrias da vida. Quando a semana terminar, porém, a roupa do enlutado é rasgada e a shivá começa de maneira plena, como descrito acima.
sexta-feira, 27 de dezembro de 2013
Cremaçao e Sepultamento de Animais
Cremação e Sepultamento de Animais
Dentre nossos principais serviços, destacam-se a cremação e o sepultamento. Prestamos todos os serviços necessários para realizar um atendimento completo e que propicie conforto a sua família. Tudo para honrar a memória seu amigo.
Remoção
Realizada do local onde encontra-se o amigo até o Pet Garden, com franquia de 50 km, contados do centro de Brasília. No preço da cremação está incluso o traslado até 50 km do centro de Brasília - DF.
Sala de despedida
O Pet Garden dispõe de duas amplas e confortáveis salas para a realização da cerimônia de última despedida.
Cremação
Realizada de maneira individual, a cremação é dividida em quatro categorias de peso: até 10kgs, de 10 a 30kgs, de 30 a 50kgs e acima de 50kgs. A cremação será realizada em dia e hora previamente agendado. As cinzas serão devolvidas em até 72 horas.
Cinzário
Recipiente onde são colocadas as cinzas provenientes da cremação, após devidamente recolhidas, acondicionadas e identificadas. Finalizado todo o processo de cremação, as cinzas provenientes deste processo serão colocadas em um saco plástico, devidamente lacrado. Este saco será depositado em uma urna de madeira (modelo básico), já incluso no preço da cremação. O Pet Garden possui modelos diferenciados de cinzários para a guarda das cinzas. Estes poderão ser adquiridos a qualquer momento.
Columbário
Local composto de conjuntos verticais de nichos apropriado para a guarda de cinzas. Possuímos nichos simples, duplos e quádruplos, todos revestidos externamente em granito. Cada nicho pode ser ornamentado por uma plaqueta identificadora (vendida separadamente) contendo o nome do amigo e sua data de nascimento e falecimento. Realizado o processo de cremação, as cinzas poderão ser depositadas nas instalações do Pet Garden, adquirindo um Nicho em Columbário, local onde a memória será preservada.
SEPULTAMENTO
Remoção
A remoção realizado do local onde encontra-se o animal até o cemitério pode ser realizado pelo proprietário do animal ou pelo Pet Garden. No preço do sepultamento já está incluso o traslado até 50 km do centro de Brasília - DF.
Sala de despedida
Caso o proprietário do animal deseje realizar uma última despedida, o Pet Garden conta com duas salas especialmente preparadas para este última homenagem.
Jazigos
Construções tumulares subterrâneas destinadas ao sepultamento de animais de estimação. Todos os nossos jazigos são no estilo “parque”, sendo recobertos por extensa faixa gramada. Os sepultamentos serão realizados em três tipos de jazigos, variando de acordo com o tamanho do animal: pequeno, médio ou grande.
Serviços de sepultamentos
Realizado em nossos jazigos-parque, ocorre em dia e hora previamente agendado
quarta-feira, 18 de dezembro de 2013
Cremação no Espiritismo
Cremação no Espiritismo
:: Acid ::
Há algum tempo passou no Fantástico um trecho do documentário da BBC sobre a biologia humana. Diz lá que quando a pessoa morre, o cérebro demora até 32 horas horas pra "apagar" seus últimos neurônios. Já as células da pele ainda se dividem por 24 horas. Será que é nisso que se baseia o costume espírita de esperar 72 horas antes de cremar o corpo?
Emmanuel, no livro O Consolador, psicografado por Chico Xavier, quando lhe perguntam se o Espírito desencarnado pode sofrer com a cremação dos elementos cadavéricos, a resposta é a seguinte: "Na cremação, faz-se mister exercer a caridade com os cadáveres, procrastinando por mais horas o ato de destruição das vísceras materiais, pois, de certo modo, existem sempre muitos ecos de sensibilidade entre o espírito desencarnado e o corpo onde se extinguiu o tonus vital, nas primeiras horas seqüentes ao desenlace, em vista dos fluidos orgânicos que ainda solicitam a alma para as sensações da existência material".
Chico Xavier, ao ser indagado no programa Pinga Fogo quanto à cremação de corpos que seria implantada no Brasil, respondeu: "Já ouvimos Emmanuel a esse respeito, e ele diz que a cremação é legítima para todos aqueles que a desejem, desde que haja um período de, pelo menos, 72 horas de expectação para a ocorrência em qualquer forno crematório, o que poderá se verificar com o depósito de despojos humanos em ambiente frio".
Richard Simonetti, em seu trabalho Quem tem Medo da Morte (Gráfica S. João, Bauru, SP), registra que "nos fornos crematórios de São Paulo, espera-se o prazo legal de 24 horas, inobstante o regulamento permitir que o cadáver permaneça na câmara frigorífica pelo tempo que a família desejar", observando que os "Espíritas costumam pedir três dias", mas "há quem peça sete".
Diz-se que, com o desencarne, os laços que unem o corpo físico com o perispírito se desfazem lentamente, a começar pelas extremidades e terminando nos órgãos principais, cérebro e coração. Assim, o desligamento total somente ocorre com o rompimento definitivo do último cordão fluídico que ainda liga ao corpo. Afirmam ainda que se o espírito estiver ligado ao corpo não sofrerá dores, porque o cadáver não transmite sensações ao espírito, mas transmite impressões extremamente desagradáveis, além do trauma decorrente do desligamento violento.
Kardec, na questão 164 de O Livro dos Espíritos, faz a seguinte indagação:
- "Todos os Espíritos experimentam, num mesmo grau e pelo mesmo tempo, a perturbação que se segue à separação da alma e do corpo?"
E a resposta dos amigos espirituais é a seguinte:
- "Não, pois isso depende da sua elevação. Aquele que já está depurado se reconhece quase imediatamente, porque se desprendeu da matéria durante a vida corpórea, enquanto que o homem carnal, cuja consciência não é pura, conserva por muito mais tempo a impressão da matéria."
Sócrates (o filósofo) respondia com justeza aos seus amigos que lhe perguntavam como ele queria ser enterrado:
"Enterrai-me como quiserdes, se puderdes apoderar-vos de mim"
quinta-feira, 12 de dezembro de 2013
Psicologia da Morte
A característica inicial do processo de luto acontece pelas relembranças da perda aliada ao sentimento de tristeza e choro, sendo que a pessoa se consola logo após. Este é um processo que evolui, onde as relembranças são intercaladas com cenas agradáveis e desagradáveis, sem, necessariamente, ser acompanhadas de tristeza e choro. Além destes sentimentos, é comum o estado de choque, a raiva, a hostilidade, a solidão, a agitação, a ansiedade e a fadiga. Sensações físicas como vazio no estômago e aperto no peito podem ocorrer.
A duração deste processo é inconstante e seguido de uma notável falta de interesse pelo mundo exterior. Com o passar do tempo, o choro e a tristeza vão diminuindo e é esperado que a pessoa vá se reorganizando, porém é um processo a longo prazo e os episódios de recaída são comuns. Caso alguém não consiga lidar de uma forma socialmente adequada com a perda por mais de 6 meses, continue em intenso sofrimento e/ou não consiga se reorganizar é considerado um luto patológico e é recomendado que faça psicoterapia.
Existem escalas para medir a gravidade do luto que avaliam fatores emocional, cognitivo, físico, social espiritual/religioso. Um exemplo é a escala proposta por David Fireman:
Pensando a respeito da família, o luto pode provocar uma crise na mesma, pois exige a tarefa de renúncia, de excluir e incluir novos papéis na cena familiar. Percebe-se então que existe aí uma complexidade, pois esta crise pode estagnar o desenvolvimento da família, fator que pode definir o processo de luto.
Entre alguns psicólogos é comum se referir as pessoas significativas em processo de luto pela perda de um ente querido como sobreviventes como forma de reforçar positivamente a luta pela sobrevivência diante de desafios difíceis.
Como forma de encarar melhor a morte o psicólogo pode ressaltar o caráter de fim do sofrimento da morte ou mesmo estimular moderadamente crenças religiosas/espirituais positivas independente da religião do indivíduo. Outra possibilidade é associar a morte com um descanso, tranquilidade, paz, retorno para a natureza e parte natural do ciclo da vida.
A duração deste processo é inconstante e seguido de uma notável falta de interesse pelo mundo exterior. Com o passar do tempo, o choro e a tristeza vão diminuindo e é esperado que a pessoa vá se reorganizando, porém é um processo a longo prazo e os episódios de recaída são comuns. Caso alguém não consiga lidar de uma forma socialmente adequada com a perda por mais de 6 meses, continue em intenso sofrimento e/ou não consiga se reorganizar é considerado um luto patológico e é recomendado que faça psicoterapia.
Existem escalas para medir a gravidade do luto que avaliam fatores emocional, cognitivo, físico, social espiritual/religioso. Um exemplo é a escala proposta por David Fireman:
Pensando a respeito da família, o luto pode provocar uma crise na mesma, pois exige a tarefa de renúncia, de excluir e incluir novos papéis na cena familiar. Percebe-se então que existe aí uma complexidade, pois esta crise pode estagnar o desenvolvimento da família, fator que pode definir o processo de luto.
Entre alguns psicólogos é comum se referir as pessoas significativas em processo de luto pela perda de um ente querido como sobreviventes como forma de reforçar positivamente a luta pela sobrevivência diante de desafios difíceis.
Como forma de encarar melhor a morte o psicólogo pode ressaltar o caráter de fim do sofrimento da morte ou mesmo estimular moderadamente crenças religiosas/espirituais positivas independente da religião do indivíduo. Outra possibilidade é associar a morte com um descanso, tranquilidade, paz, retorno para a natureza e parte natural do ciclo da vida.
Cores
O uso de determinadas cores, por exemplo, pode indicar que um indivíduo ou grupo está em luto. Um povo ou país, quando ocorre a morte de uma personalidade importante pode entrar em luto também, sendo comum decretações de luto oficial em diversos países inclusive no Brasil.
Na maior parte da cultura ocidental, quando um amigo ou familiar de uma pessoa morre, é comum ela usar roupas pretas para mostrar seus sentimentos de perda e respeito pela pessoa.
Na maior parte da cultura ocidental, quando um amigo ou familiar de uma pessoa morre, é comum ela usar roupas pretas para mostrar seus sentimentos de perda e respeito pela pessoa.
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