quinta-feira, 14 de março de 2013

Pensando na Morte


Pessoas que insistem em dizer que não pensam na morte, em geral têm uma relação sofrível com esse assunto, tão sofrível que nem se permitem pensar a respeito.


A missão tradicional do médico é aliviar o sofrimento humano; se puder curar, cura; se não puder curar, alivia; se não puder aliviar, consola. Ao pensar na morte, seja a simples idéia da própria morte ou a expectativa mais do que certa de morrer um dia, seja a idéia estimulada pela morte de um ente querido ou mesmo de alguém desconhecido, o ser humano maduro normalmente é tomado por sentimentos e reflexões.
As pessoas que se regozijam em dizer que não pensam na morte, normalmente têm uma relação mais sofrível ainda com esse assunto, tão sofrível que nem se permitem pensar a respeito. Esses pensamentos, ou melhor, os sentimentos determinados por esses pensamentos variam muito entre as diferentes pessoas, também variam muito entre diferentes momentos de uma mesma pessoa. Podem ser sentimentos confusos e dolorosos, serenos e plácidos, raivosos e rancorosos, racionais e lógicos, e assim por diante. Enfim, são sentimentos das mais variadas tonalidades.
Isso tudo pode significar que a morte, em si, pode representar algo totalmente diferente entre as diferentes pessoas, e totalmente diferente em diferentes épocas da vida de uma mesma pessoa.

O Eu diante da Morte De um modo geral, descontando as defesas das reflexões zen, das meditações transcendentais e de toda sorte de subterfúgios do medo e do temor do nada, a idéia da morte nos remete aos sentimentos de perda, portanto, em tese, nos desperta sentimentos dolorosos. Trata-se de uma espécie de dor psíquica, a qual muitas vezes acaba também gerando dores físicas, ou criando uma dinâmica incompreensível para quem a vida continua sorrindo.
Poderíamos dizer que na Depressão, o tema morte está mais presente, seja o medo dela, seja a vontade de que ela aconteça casualmente ou, mais grave, sob a forma de ideação suicida. De qualquer forma, pensa-se na morte e, como não poderia deixar de ser, acompanha sentimentos dolorosos. Essa é uma dor psíquica, naturalmente movida por sentimentos de tristeza, de finitude, de medo, de abandono, de fragilidade e insegurança.
Na espécie humana a dor psíquica diante da morte pode ser considerada fisiológica, mas sua duração, intensidade e resolução vão depender, muito provavelmente, de como a pessoa experimentou a vida. Diz um ditado: “teme mais a morte quem mais temeu a vida”.
Durante a fase de enfrentamento da morte, o paciente é estimulado a profundas reflexões sobre a própria vida; se lhe foi satisfatória sua trajetória de vida, se houve algum desenvolvimento emocional, se pode criar vínculos afetivos fortes e permanentes, se ele pode auxiliar a outros seres humanos. Orientado psicologicamente (cognitivamente) poderá ser possível que, apesar de doloroso, esse momento possa ter um importante e saudável balanço emocional.
Os 5 Estágios da Perspectiva de MorteA reação psíquica determinada pela experiência com a morte, ou mesmo diante de um diagnóstico médico associado com a perspectiva de vir a morres foi descrita porElisabeth Kubler-Ross como tendo cinco estágios (Berkowitz, 2001):
Primeiro Estágio: negação e isolamento A Negação e o Isolamento são mecanismos de defesas temporários do Ego contra a dor psíquica diante da morte. A intensidade e duração desses mecanismos de defesa dependem de como a própria pessoa que sofre e as outras pessoas ao seu redor são capazes de lidar com essa dor. Em geral, a Negação e o Isolamento não persistem por muito tempo.
Segundo Estágio: raiva Por causa da raiva, que surge devido à impossibilidade do Ego manter a Negação e o Isolamento, os relacionamentos se tornam problemáticos e todo o ambiente é hostilizado pela revolta de quem sabe que vai morrer. Junto com a raiva, também surgem sentimentos de revolta, inveja e ressentimento.
Nessa fase, a dor psíquica do enfrentamento da morte se manifesta por atitudes agressivas e de revolta; - porque comigo? A revolta pode assumir proporções quase paranóides; “com tanta gente ruim pra morrer porque eu, eu que sempre fiz o bem, sempre trabalhei e fui honesto”...
Transformar a dor psíquica em agressão é, mais ou menos, o que acontece em crianças com depressão. É importante, nesse estágio, haver compreensão dos demais sobre a angústia transformada em raiva na pessoa que sente interrompidas suas atividades de vida pela doença ou pela morte.
Terceiro Estágio: barganha Havendo deixado de lado a Negação e o Isolamento, “percebendo” que a raiva também não resolveu, a pessoa entra no terceiro estágio; a barganha. A maioria dessas barganhas é feita com Deus e, normalmente, mantidas em segredo.
Como dificilmente a pessoa tem alguma coisa a oferecer a Deus, além de sua vida, e como Este parece estar tomando-a, quer a pessoa queira ou não, as barganhas assumem mais as características de súplicas.
A pessoa implora que Deus aceite sua “oferta” em troca da vida, como por exemplo, sua promessa de uma vida dedicada à igreja, aos pobres, à caridade ... Na realidade, a barganha é uma tentativa de adiamento. Nessa fase o paciente se mantém sereno, reflexivo e dócil (não se pode barganhar com Deus, ao mesmo tempo em que se hostiliza pessoas).
Quarto Estágio: depressão A Depressão aparece quando o paciente toma consciência de sua debilidade física, quando já não consegue negar suas condições de doente, quando as perspectivas da morte são claramente sentidas. Evidentemente, trata-se de uma atitude evolutiva; negar não adiantou, agredir e se revoltar também não, fazer barganhas não resolveu. Surge então um sentimento de grande perda. É o sofrimento e a dor psíquica de quem percebe a realidade nua e crua, como ela é realmente, é a consciência plena de que nascemos e morremos sozinhos. Aqui a depressão assume um quadro clínico mais típico e característico; desânimo, desinteresse, apatia, tristeza, choro, etc.
Quinto Estágio: aceitação
Nesse estágio o paciente já não experimenta o desespero e nem nega sua realidade. Esse é um momento de repouso e serenidade antes da longa viagem.
É claro que interessa, à psiquiatria e à medicina melhorar a qualidade da morte (como sempre tentou fazer em relação à qualidade da vida), que o paciente alcance esse estágio de aceitação em paz, com dignidade e bem estar emocional. Assim ocorrendo, o processo até a morte pôde ser experimentado em clima de serenidade por parte do paciente e, pelo lado dos que ficam, de conforto, compreensão e colaboração para com o paciente.
A Medicina Paliativa O termo "paliativo" tem uma conotação leiga pejorativa que não corresponde, absolutamento, à verdade. Paliativo é a qualidade de aliviar, e é o que mais interessa à pessoa que sofre, portanto, quando se fala Medicina Paliativa não se pretende, de forma alguma, atribuir um sentido pejorativo, minimizado ou frugal ao termo. Devemos ter cuidado quando alguém diz... “esse medicamento é APENAS um paliativo”, com intenção clara em atribuir alguma conotação pejorativa.
No Brasil a Medicina Paliativa ainda caminha a passos lentos mas, no Reino Unido, onde tudo começou, somando-se com a Austrália, USA e Canadá, existem mais de 6.000 centros de Medicina Paliativa, sendo considerada uma especialidade médica e de grande notoriedade.

No Brasil, a atuação da Medicina Paliativa, iniciada em 1983 pela Dra. Míriam Marteleteno Hospital das Clinicas de Porto Alegre, é ainda praticamente desconhecida pelos médicos brasileiros. Os Cuidados Paliativos são tipos especiais de cuidados destinados a proporcionar bem estar, conforto e suporte aos pacientes e seus familiares nas fases finais de uma enfermidade terminal.
Assim, a Medicina Paliativa procura conseguir que os pacientes desfrutem os dias que lhes restam de forma mais consciente possível, livres da dor e com seus sintomas sob controle. Isso tudo é pretendido para que esses pacientes possam viver seus últimos dias com dignidade, em sua casa ou em algum lugar mais parecido possível, rodeados de pessoas que lhes queiram bem. Na realidade, esse tipo de cuidado pode ser realizado em qualquer local onde o paciente se encontra, seja em sua casa, no hospital, em asilos ou instituições semelhantes, etc.
Cuidado Paliativo é uma atenção médica e multiprofissional aos pacientes cuja doença não responde aos tratamentos curativos. Para a Medicina Paliativa é primordial o controle da dor, de outros sintomas igualmente sofríveis e, até, dos problemas sociais, psicológicos e espirituais. Os Cuidados Paliativos são interdisciplinares e se ocupam do paciente, da família e do entorno social do paciente.
Os Cuidados Paliativos não prolongam a vida, nem tampouco aceleram a morte. Eles somente tentam estar presentes e oferecer conhecimentos médicos e psicológicos suficientes para o suporte físico, emocional e espiritual durante a fase terminal e de agonia do paciente, bem como melhorar a maneira de sua família e amigos lidarem com essa questão.
Essa área médica objetiva o alívio, a preparação e, conseqüentemente a melhoria das condições de vida dos pacientes com doenças progressivas e irreversíveis como, por exemplo, crônico-degenerativas, incapacitantes e fatais. Atualmente diz respeito mais aos pacientes com câncer, AIDS, pneumopatias, degenerações neuromotoras, doenças metabólicas, congênitas, Doença de Alzeheimer, Doença de Parkinson, etc, bem como os politraumatizados com lesões irreversíveis.
Uma das maiores dificuldades para a Medicina Paliativa ter desenvoltura próxima à de outras especialidades, pode ser o preconceito universal existente em relação às condutas terminais, mais precisamente, em relação à morte.
A Qualidade da Vida e da Morte Na formação do médico, bem como na formação das especialidades, a morte costuma ser abolida do rol de preocupações clínicas. Dificilmente os médicos perguntam, na anamnese, se o paciente tem medo de morrer, pensa em morrer, pensa em suicídio, ou coisas assim. Aliás, nem sequer é perguntado se o paciente está triste, nem sequer como ele ESTÁ... E isso se deve, provavelmente, à total falta de conhecimento sobre o que fazer com a resposta do paciente.
Quanto mais avança o conhecimento médico em todos os campos (farmacologia; terapêutica, anestesia, cirurgia, transplantes de órgãos, fertilização humana, genética, imunologia, medicina nuclear, recursos diagnósticos, etc...), quanto mais se desenvolvem tecnologias aplicadas à medicina, mais o médico se distancia da morte.
Os protocolos de procedimentos médicos, as normas administrativas da medicina e os rígidos manuais de conduta acabaram por institucionalizar a morte. É comum vermos em livros-texto uma perfeita descrição de determinado quadro clínico, reconhecidamente irreversível e com desfecho fatal, mas nada se fala dos cuidados finais, da atenção familiar e afetiva que o paciente deveria receber nesse momento. Não, fala-se muito em deixá-lo nos centros de terapia intensiva.
É objetivo da Medicina Paliativa é a preocupação com a desinstitucionalização da morte, dando ao paciente a possibilidade de escolher permanecer em casa durante sua agonia. A discussão que pretendemos alimentar é, sobretudo, um protesto contra as condições de vida impostas pela medicina moderna aos doentes terminais, subtraindo deles as opções de um morrer menos sofrível.
Pensamos que, intervir no paciente terminal em centros de terapia intensiva, quando não objetiva exclusivamente minimizar sofrimentos, pode refletir sentimento de onipotência da medicina sobre a vida, sobre a vida física, como se ela fosse considerada o bem supremo e absoluto, acima da liberdade e da dignidade.
O amor pela vida, quando a toma como um fim em si mesma, se transforma em um culto pela vida. A medicina que se preocupa insensivelmente com as “condições vitais”, deixando de lado as “qualidades vitais”, promove implicitamente esse culto idólatra à vida.
Nessas circunstâncias a medicina interfere na fase terminal como se travasse uma luta a todo custo contra a morte e não, como seria preferível, numa luta em defesa do paciente. A maneira de morrer, portanto, não pode ser excluída, absolutamente, do projeto de vida da pessoa. A maneira de morrer também é uma forma de humanizar a vida no seu ocaso, devolvendo-lhe a dignidade perdida.
O Paciente Terminal O grande desenvolvimento da Medicina nas últimas décadas do século XX, assim como as melhorias inegáveis nas condições de vida, elevaram a expectativa de vida de 34 anos, no começo do século XX, até quase 80 anos no começo do século XXI.
Conseqüente ao aumento da perspectiva de vida e ao envelhecimento progressivo das populações, nas últimas décadas está havendo um aumento gradual na prevalência de algumas doenças crônicas e invalidantes.
Os avanços conseguidos no tratamento específico do câncer têm permitido um aumento significativo da sobrevivência e da qualidade de vida desses pacientes. Mesmo assim, estima-se atualmente que 25% das mortes sejam devidas ao câncer.
Por outro lado, sem nenhuma relação com o envelhecimento da população, a AIDS grassou tenazmente em nossa sociedade, demandando fortes medidas sanitárias. Aqui também, apesar dos avanços nessa área, continua grande o número anual de pacientes terminais produzidos por essa doença.
O estado mórbido que chamamos de Doença Terminal se caracteriza por algumas situações clínicas precisamente definidas, as quais se podem relacionar da seguinte forma:
1. Presencia de uma doença em fase avançada, progressiva e incurável.
2. Falta de possibilidades razoáveis de resposta ao tratamento específico.
3. Presença de numerosos problemas ou sintomas intensos, múltiplos, multifatoriais e alternantes.
4. Grande impacto emocional (no paciente e familiares) relacionado à presença ou possibilidade incontestável da morte.
5. Prognóstico de vida inferior a 6 meses.

Os Pacientes Terminais apresentam peculiaridades próprias que o profissional médico deve conhecer. O controle dos sintomas do estado terminal deve ser abordado não só do ponto de vista farmacológico, senão também, do ponto de vista psicológico, social, familiar, espiritual, etc.
Nesses pacientes os sintomas costumam ser devidos a diversos fatores. Podem ser decorrentes da própria doença que levou ao estado terminal, podem ser devidos aos tratamentos médicos fortemente agressivos à saúde, da debilidade física geral ou de causas totalmente alheias à doença grave, entre elas, do estado emocional do paciente.
Seja qual for a origem dos sintomas e do quadro geral que o paciente apresenta, é necessário explicar, da melhor forma possível, sobre o que está ocorrendo e sobre as possíveis questões que possam estar preocupando. Também a família deve estar sempre bem informada, especialmente quando os cuidados estiverem a cargo dela (Sánchez, 2000).
A Família na visão Paliativa De modo geral, exceto as infelizes exceções, o familiar representa mais do que a simples presença de alguém promovendo cuidados ao paciente. O familiar representa alguém que, independente das possibilidades terapêuticas, pode compreender e realizar com carinho difíceis tarefas como, por exemplo, dar banho, às vezes no leito, dar a medicação nas doses e horários certos, preparar e dar uma alimentação adequada, fazer curativos, etc.
É claro que os profissionais contratados para essas tarefas poderão fazê-las melhor, tecnicamente, mas importa muito a maneira e o carinho com que são realizadas. Havendo a qualidade afetiva dos cuidados, outros cuidadores, além da família podem ser envolvidos no Tratamento Paliativo.
Um dos propósitos da Medicina Paliativa é orientar a família para que ela seja um bom suporte de auxílio ao paciente terminal, priorizando sempre as condições necessárias para manter o paciente em casa onde, seguramente, terá uma qualidade de vida melhor. Em casa ele estará cercado de carinho e atenção, o que pode minimizar o seu medo de morrer.
Para a desejável participação familiar plena devem ser identificados, dentro da dinâmica familiar, os eventuais pontos de conflitos, anteriores e posteriores ao diagnóstico da doença.
Antigamente o paciente em fase terminal morria em sua própria casa, lentamente, onde tinha tempo para despedir-se e passar seus últimos momentos com seus familiares. Nossa cultura científica e objetiva por excelência, muitas vezes acaba por deixar pessoas morrerem sozinhas, na assepsia fria dos hospitais e experimentando, como último sentimento, um dos medos mais primitivos do ser humano: a solidão.
Com o desenvolvimento científico morrer tornou-se solitário e desumano. Geralmente o doente, cognominado Doente 620-C ou doente do Box 3-B, é confinado ao seu leito onde aguarda a morte chegar, estando as pessoas seriamente preocupadas com o funcionamento de seus pulmões, secreções, pressão venosa central, traçado eletrocardiográfico, etc.
Diante do paciente terminal, quando a medicina já sabe que a doença venceu a guerra, não cabe mais ao médico a tentativa de cura, muitas vezes extremamente sofrível e estéril, mas assistir, servir, confortar e cuidar. Se pretendermos ajudar alguém nessa fase, seja terapeuticamente, medicamente ou humanamente, deveremos nos informar e nos preparar para lidar com a morte.

Mas sempre tem alguém que já sabe sobre a morte, não precisa saber mais nada, como é comum dizerem sobre qualquer tema da psicologia e da psiquiatria. Ora, todos também sabemos correr. O problema é que, se não treinarmos e aperfeiçoarmos a arte de correr, jamais faremos alguma coisa meritosa com nossa maneira, digamos, “natural” de correr. Portanto, vamos falar da morte para ajudar pessoas que morrem...
Segundo o paradigma cartesiano, segundo ainda os dicionários objetivos, a morte se constitui o oposto da vida. Por isso, torna-se um fenômeno aterrorizante, repulsivo e desconhecido para nossa espécie, que exulta instintivamente a vida. Dor e medo são os sentimentos básicos predominantes nesta relação com a morte.
Mas a morte é um processo biológico natural e necessário. Falar que a morte é o contrário da vida não é correto. A morte é uma condição indispensável à sobrevivência da espécie e, através dela a vida se alimenta e se renova. Desta maneira a morte não seria a negação da vida e sim um artifício da natureza para tornar possível a manutenção da vida.
A sociedade ocidental, basicamente, rejeita a morte procurando constantemente vencê-la e para isso se baseia no seu desenvolvimento científico. A tentativa de vencer ou, no mínimo, contornar a morte é pretendida com certo sucesso pela medicina moderna.
Tomando por base a aspiração natural do ser humano para a vida, considerando ainda que o maior desejo do ser humano é a imortalidade, na maioria das vezes a morte é considerada uma inimiga.
O sonho da permanência eterna ou, no mínimo, muitíssima prolongada, ganhou um importante aliado com os avanços da medicina, com o aumento da expectativa de vida, com a possibilidade de haver cura para todas as doenças, mesmo o câncer ou a Aids.
Enfim, a ciência médica com seus progressos para a melhoria da vida, com seus avanços científico-tecnológicos, com a indiscutível eficiência dos diagnósticos, dos medicamentos, das técnicas cirúrgicas, etc, não tem tido tempo de falar da morte. Não a ciência médica, mas os médicos, embevecidos pelo sucesso na promoção da vida, acabam achando um despropósito dedicar-se a cuidar da morte, único evento decididamente atrelado à vida.
Não se sabe bem porque mas, apesar do sucesso da ciência em prolongar a vida útil do ser humano, em manter jovem por mais tempo as pessoas, em atrasar o envelhecimento, em fazer viver mais de 100 anos, enfim, apesar de todos esses fatores de valorização da vida e da conquista da beleza e jovialidade duradouras, a idéia da morte continua assombrando ainda mais.
Poderíamos perguntar, hipoteticamente, ao ser humano: - “depois de todas essas conquistas da ciência para aumentar o tempo e a qualidade da existência humana, você está satisfeito?” Certamente a resposta é não. E é graças a esse inconformismo com a finitude que o ser humano promove, cada vez mais, sua permanência entre os vivos. Talvez todo esse avanço tenha servido para estimular maior apego ainda à vida.
Enfim, tudo o que possa lembrar a morte, seja a doença grave, a velhice, a decrepitude e até a própria idade é escamoteado. Para a ocultação ser completa, o próprio doente que vai morrer, morre no hospital, longe dos olhos (e do coração). Também os rituais de luto são cada vez mais rápidos e pragmáticos, digamos, mais empresariais e mais clean.
Como se não bastasse o verdadeiro pânico do ser humano diante da morte, ainda somos educados com a personificação da morte representada por um esqueleto coberto com uma capa preta e carregando uma foice afiada na mão, pronta para degolar quem quer que se aproxime. Dificilmente as pessoas entenderão que a morte possa apenas representar uma vida que chegou naturalmente ao fim, uma existência que simplesmente expirou.
A duração máxima da vida humana atualmente é de, aproximadamente, 120 anos. Alguns centros científicos dedicados à pesquisa da longevidade trabalham com uma expectativa de levar a vida humana até os 400 anos.
Hoje se acredita que o processo de envelhecimento, que culmina com a morte, não se dá aleatoriamente, simplesmente como conseqüência natural da degeneração, mas como um processo ativo e geneticamente programado. Este programa estaria impresso nos cromossomos, ou seja, nossas células se regenerariam um número geneticamente definido de vezes, depois do qual morreriam.
O que Podemos Fazer
A dificuldade do ser humano em geral e, particularmente, do profissional de saúde em lidar com a morte pode ser trabalhada e melhorada, com isso, pode melhorar qualidade de vida de todos envolvidos na questão; do próprio paciente, dos familiares, do médico e de toda equipe.
Inicialmente, é claro, o maior investimento deve ser dirigido ao paciente, deve pretender melhorar o conforto e a qualidade de vida de quem agoniza mas, em seguida, como “a morte é para quem fica”, os familiares e os próprios profissionais envolvidos com o morrer cotidiano, devem ser acudidos.
O ser humano, normalmente, recebe alguma preparação antes mesmo de vir ao mundo; o bebê, de uma forma ou de outra, uns mais outros menos, tem sua chegada preparada. Aí então, a criança é preparada para ficar maiorzinha, para entrar na pré-escola, para entrar na escola. Preparam-se, uns mais outros menos, para a adolescência e, na família ou fora dela, para ser jovem, depois adulto. O adulto é preparado, pela própria vida, uns mais outros menos, para a velhice. Mas, raramente alguém é preparado para a morte.
Por isso, primeiramente, o profissional de saúde deve preparar-se para lidar com a morte ele próprio, quando esta pode ser uma ocorrência comum no ambiente de trabalho. Além disso, para poder ajudar os outros, deverá conhecer e estudar a Tanatologia; conhecer a reação psicológica da perda de algo (pessoa, situação etc.), saber identificar o luto normal e o patológico e entender como crianças, adolescentes, adultos e velhos reagem à morte e às perdas da vida.
Notamos a falta de preparo das equipes de saúde quando existe, no ambiente hospitalar, um temor pela morte como se tratasse de um forte potencial de “contágio”. Esse aspecto temerário e despreparado explica a solidão e a frieza das unidades de terapia intensiva, onde, muitas vezes, os doentes terminais morrem sem a chance de dizer uma última palavra aos que amam e sem estes lhes ofereçam qualquer conforto emocional.
Para a formação do médico uteísta, preocupa-se muito em treiná-lo para passar um intracat, a interpretar uma gasometria, um eletrocardiograma ou um exame de fundo-de-olho. Estes são, sem dúvida, requisitos indispensáveis para salvar vidas. Mas, quando tudo isso não for suficiente e o paciente insiste em não reagir, o médico versado nas urgências e emergências não costuma saber mais o que fazer; não sabe segurar a mão agonizante, falar palavras de apoio, conforto e carinho.
É claro que, sendo assim, morrer no hospital é muito mais sofrível, dá muito medo. A quase ausência total de auxílio emocional (espiritual) para aqueles que vão morrer não pode ser justificado pelo apego acadêmico à ciência, pois o cuidado afetivo e espiritual é um direito essencial de todo ser humano. Não é, de forma alguma incompatível, que se ensine técnicas da medicina moderna aos jovens médicos que se formam, simultaneamente aos preceitos milenares do humanismo caridoso e fraterno.
para referir:
Ballone GJ - Lidando com a Morte - in. PsiqWeb, Internet, disponível emwww.psiqweb.med.br, revisto em 2005

Lindando com o Luto


A sensação de perda (luto) é um sentimento que, inegavelmente, mais cedo ou mais tarde todos experimentarão, pois todos se defrontam com a morte de alguém querido durante a vida. Talvez pelo fato desse sentimento aparecer habitualmente com certa surpresa, a possibilidade das perdas não costuma habitar a consciência das pessoas afetivamente bem. Dessa forma, o mais comum é que as pessoas estejam despreparadas para a perda.
Fisiologicamente a angústia ocorre após qualquer tipo de perda, entretanto ela é mais forte depois da morte de alguém que amamos. O luto não é apenas um sentimento, mas uma série de sentimentos característicos e que levam certo tempo para passar, além de não se poder apressá-los.
Apesar das diferenças entre as pessoas, a ordem em que estes sentimentos aparecem durante o luto é bastante semelhante. A tristeza é o sentimento mais comumente experimentado após a morte de alguém com forte vínculo afetivo. A reação de luto pode ser menor em pessoas que tiveram abortos espontâneos, partos de natimortos ou naquelas que perderam os bebês muito precocemente. Mas mesmo em alguns desses casos, apesar de não terem ainda construído um forte e intenso vínculo afetivo com a pessoa perdida, há sofrimento semelhante ao luto em grau variável e pode também necessitar de atenção.
1. – Dormência Emocional
Em poucas horas após o conhecimento da morte de alguém querido, a maioria das pessoas sente uma espécie de atordoamento emocional, como se não pudesse acreditar que realmente aconteceu. Esse sentimento existe, ainda que em grau geralmente diminuído, mesmo que a morte estivesse sendo esperada. Apesar de fisiológica, essa sensação de irrealidade pode se tornar um problema se durar por muito tempo.
Compreensivamente, se a pessoa emocionalmente dormente se confrontar com o corpo da pessoa falecida poderá começar a ultrapassar esta fase de entorpecimento. Em geral, o enterro ou a cerimônia funerária são ocasiões em que a realidade do que aconteceu realmente começa a firmar-se. De fato, pode ser angustiante ver o corpo ou a assistir ao funeral, mas estas são maneiras de tomar pé da realidade e mentalmente dizer adeus à pessoa querida. Apesar de essas coisas parecerem demasiadamente dolorosas, se não forem realizadas poderão resultar em um sentimento de profundo pesar nos próximos anos.
2. – Inquietação ansiosaLogo, porém, esta dormência emocional desaparece e pode ser substituída por uma terrível sensação de inquietação, de suspiros e sensação de querer ter a pessoa morta de volta, mesmo que isso seja claramente impossível. Essa sensação torna difícil relaxar ou concentrar-se e pode dificultar dormir adequadamente. Os sonhos podem ser extremamente perturbadores. 
Nesta fase algumas pessoas sentem vontade de "ver" sua pessoa amada onde quer que estejam - na rua, no parque, ao redor da casa, principalmente nos lugares que passaram juntos. A fase de inquietação ansiosa pode ser dividida em outras sub-fases:
Raiva
Muitas vezes as pessoas sentem raiva nesta fase do luto – principalmente dos médicos, enfermeiros e outros profissionais que não impediram a morte, até de amigos e parentes que não fizeram o suficiente para evitar a morte, ou mesmo da pessoa “deixou-se” morrer.
Culpa
Outro sentimento comum é a culpa. As pessoas reviram mentalmente tudo o que gostariam de ter dito ou feito para a pessoa falecida. Entre o que poderia ter sido feito, algumas pessoas chegam a considerar algumas coisas capazes de ter evitado a morte. A pessoa enlutada pode precisar ser lembrada do fato da morte ser, geralmente, inexorável. A culpa também pode surgir diante da sensação de alívio emocional que se sente depois de alguém morrer, geralmente depois de uma doença crônica, demorada e dolorosa. Este sentimento de alívio é muito natural, extremamente compreensível e comum.
3. – Tristeza ou Depressão
Este estado de agitação é mais forte cerca de duas semanas após a morte, e é geralmente seguida por tristeza ou depressão, reclusão e silêncio. Estas mudanças súbitas de emoção podem parecer confusas para amigos ou parentes, mas são partes da trajetória normal do luto.
Na medida em que a inquietação ansiosa diminui, os períodos de depressão tornam-se mais freqüentes e atingem o seu auge entre quatro e seis semanas mais tarde. Crises de aflição podem ocorrer a qualquer momento, comumente desencadeadas por pessoas, lugares ou alguma coisa capaz de mobilizar lembranças da pessoa morta.
Normalmente as pessoas enlutadas podem surpreender as outras quando, de repente, explodem em lágrimas sem uma razão imediata aparente. Nesta fase, pode ser indicado manter a pessoa em luto afastada de outras que não a compreendem ou compartilham do sofrimento.
Tem sido considerado benéfico tentar voltar às atividades normais após duas semanas. Quando isso não acontece pode aparecer aos outros que a pessoa enlutada passa muito tempo sentada, quieta e sem fazer nada. Essa apatia e desinteresse refletem, na verdade, pensamentos recorrentes sobre a pessoa perdida.
Com o passar do tempo, o sofrimento do luto feroz cede e começa a dissipar-se. Diminuem os sintomas depressivos e a pessoa sente ser possível começar a pensar em outras coisas, a olhar novamente para o futuro. No entanto, a sensação de ter perdido uma parte de si mesmo costuma demorar muito tempo ainda ou nunca desaparecer totalmente.
Estas diferentes fases do luto, muitas vezes se sobrepõem e se mostram de maneiras diferentes em pessoas diferentes. A maioria se recupera de um grande luto dentro de um ou dois anos. A fase final do luto é um "abrir mão" da pessoa que morreu e início de um novo tempo de vida. A depressão pode desaparecer completamente, o sono e a energia voltam ao normal. Sentimentos e funções sexuais podem ter desaparecido por algum tempo, mas voltam nesta fase final.
Mesmo considerando a fisiologia dessas fases do luto, isso não quer dizer que haja um modelo “standard” de luto. As pessoas são diferentes e diferentemente reagem à vida, tanto nos momentos bons como nos sofrimentos.
Também as pessoas de variadas culturas lidam com a morte de maneiras distintas. Desde a pré-história nossos ancestrais vêem lidando de maneiras diferentes com a morte nas mais diferentes épocas e culturas. Ao longo dos séculos as pessoas em diferentes partes do mundo elaboram suas próprias cerimônias para lidar com a morte.
Em algumas comunidades a morte é vista apenas como uma etapa de um ciclo contínuo e não como um 'ponto final' da existência. Os rituais e cerimônias de luto tanto podem ser de natureza pública e demonstrativa, como privados e íntimos. Em algumas culturas o período de luto é fixo, em outras não se reconhece um tempo determinado, mas de qualquer forma os sentimentos vivenciados pelas pessoas enlutadas podem ser semelhantes nas mais diferentes culturas. Não se deve confundir a qualidade desses sentimentos relativos às perdas, muito semelhantes entre os seres humanos, com suas mais diversas formas de expressão.
Luto em Crianças
Embora as crianças não possam compreender o significado da morte antes dos três ou quatro anos, eles podem sentir a perda de parentes próximos da mesma forma que os adultos, podem chorar e sentir uma grande angústia. Porém, em crianças, diferentemente dos adultos, as fases do luto podem transcorrer mais rapidamente. Em idade escolar as crianças podem experimentar o sentimento da culpa mais intensamente, podem se sentir responsáveis pela morte de um parente próximo e, dessa forma, necessitar de uma atenção mais especial.
Os jovens podem não falar ou se queixar de sua dor, com medo de adicionar sofrimentos adicionais aos adultos à sua volta. Assim, um apelo especial se faz sobre o sofrimento das crianças e adolescentes e de suas necessidades diante do luto. Em geral a recomendação psicológica é para que escolares e adolescentes devam ser naturalmente incluídos na cerimônia funeral.
Solidariedade Terapêutica
Familiares e amigos podem ajudar passando algum tempo com a pessoa enlutada. Nesses casos, não tanto pelas palavras de conforto necessárias, mas sim a presença solidária durante o tempo de sua dor e de sua angústia. Um ombro amigo, compreensivo e mesmo silencioso expressará grande apoio quando as palavras não são suficientes. É importante dar para as pessoas tempo suficiente para se lamentarem.
Ajudar com a limpeza, compras ou cuidar de crianças pode aliviar o fardo inicial de estar sozinho. Idosos enlutados podem precisar de ajuda com as tarefas que o falecido companheiro fazia - lidar com contas, cozinhar, doméstico, ficando o carro à oficina e assim por diante.
Ter alguém do lado é importante quando as pessoas enlutadas sentem vontade de chorar ou falar sobre seus sentimentos de dor e sofrimento. Embora os sentimentos do luto acabem passando com o tempo, antes disso muitas pessoas pesarosas precisam falar e chorar. Quando não se sabe o que dizer para a pessoa enlutada é importante ser honesto e dizer isso para ela. Isto lhe dará a chance dela própria dizer o que quer.
As pessoas muitas vezes deixam de mencionar o nome da pessoa que morreu para a pessoa em luto por medo de que seja perturbador. No entanto, para a pessoa enlutada isso pode parecer que os outros estão se esquecendo de sua perda. Alguns podem achar difícil entender por que a pessoa enlutada quer continuar no mesmo lugar, na mesma casa em que viva com a pessoa querida antes da morte, mas isso é parte do processo de resolução da dor e não deve ser desencorajado.
Também deve ser lembrado que ocasiões comemorativas (não só da morte, mas também aniversários e casamentos) são particularmente dolorosas quando amigos e parentes fazem um esforço especial para estar junto. Nessas ocasiões a pessoa enlutada deve resolver o que será melhor para si.
Existem pessoas que não parecem sofrer tanto e impressionam a todos. São pessoas que não choram no funeral, evitam qualquer menção de sua perda e voltam à sua vida normal com rapidez impressionante. Isso pode não significar falta de sofrimento, mas sim uma forma particular de lidar com perdas e danos, um mecanismo de defesa contra o sofrimento. Algumas pessoas não se permitem lamentar com franqueza seus sentimentos, outras não têm essa oportunidade devido às pesadas exigências de cuidar de uma família ou de uma empresa. Outras pessoas podem manifestar sentimentos mais exuberantemente e até mesmo sofrer estranhos sintomas físicos de origem emocional ou quadros de depressão que se repetem ao longo dos anos seguintes.
Devido as reações vivenciais não-normais (veja na coluna ao lado) alguns enlutados podem começar a desenvolver um luto crônico e persistente. As sensações iniciais de choque e de descrença podem durar anos, com notável dificuldade em acreditar que a pessoa amada está morta. Outros podem continuar incapazes de pensar em outra coisa além da perda, muitas vezes fazendo o quarto da pessoa morta uma espécie de santuário para a sua memória.
A depressão, comum a quase todos os lutos, pode tornar-se muito mais grave, e um sinal disso pode ser quando a comida e a bebida são recusadas, assim como quando pensamentos de suicídio aparecem. Ocasionalmente, noites insones podem continuar por muito tempo e tornar-se um problema sério. Se a depressão continua por muito tempo, fugindo à norma da fisiologia do luto normal, pode haver necessidade de tratamento médico à base de antidepressivos e psicoterapia por algum tempo.
O luto vira o mundo da pessoa de cabeça para baixo e é uma das experiências mais dolorosas. Pode ser estranho, terrível e avassalador. Apesar disto, é uma parte da vida que todas as pessoas estão fadadas e geralmente não requer atenção médica. Entretanto, ao perceber-se agravamento do quadro depressivo, notadamente em pessoas com antecedentes de transtorno afetivo ou do humor, recomenda-se pronta intervenção terapêutica.


para referir:
Ballone GJ - Lidando com o Luto - in. PsiqWeb, Internet - disponível emhttp://www.psiqweb.med.br/,  2010.

Como lidar com o luto



As 5 fases do lutoA família mudou e diminuiu, podemos usar os grandes centros como exemplo, onde casais optam por não terem filhos ou terem apenas um. Não temos mais tempo para sentar na calçada com nossos vizinhos para conversar, alias não temos tempo nem para conhecer nossos vizinhos. Assim, nosso amor é direcionado para poucos, e quanto menos temos, maior vai ser a dor da perda.
Perder alguém dói (muito), a sensação é de que nosso coração vai rasgar, vai parar e não vamos conseguir seguir em frente. Nesse momento estamos em choque e não é possível ver uma saída para tanto sofrimento e por isso é importante aceitar a dor e vivenciá-la (chorar, entristecer, gritar, etc) e não “esconder” ou “abafar” os sentimentos, pois em algum momento eles virão à tona. O choque é a primeira das 5 fases do luto, as demais são:
  • Negação: É um mecanismo de defesa da pessoa que a leva a não acreditar ou a não querer acreditar no que aconteceu. Geralmente a pessoa usa expressões do tipo “Eu não acredito que isto me tenha acontecido”, “não pode ser possível”. A impressão é que a pessoa morta entrar a qualquer instante pela porta.
  • Culpa: Trata-se de um sentimento muito comum. As pessoas começam a pensar em tudo o que poderiam ter dito ou feito para impedir essa morte.
  • Depressão: Estágio em que ocorrem mudanças súbitas de emoções (crises de choro, momentos depressivos, raiva, isolamento). Apesar de preocupante, é uma fase essencial para que a pessoa possa fazer uma análise mais franca sobre o ocorrido.
  • Aceitação: É onde a pessoa começa a ter consciência do que aconteceu e se prepara para voltar as suas atividades.
Apesar de toda pessoa enlutada passar por essas cinco fases, cada uma terá uma reação e um tempo próprio. É importante dizer que a morte não traz apenas a perda de uma pessoa querida, mas de todo contexto em que ela vivia, como por exemplo: os afazeres da casa, pagamentos, passeios, etc.
É comum encontrarmos senhoras viúvas que nunca foram à um supermercado ou que não sabem a senha do cartão do banco, pois isso era atribuição do marido falecido. Por isso, a morte sempre traz um recomeço onde é preciso aprender sem a ajuda da pessoa que se foi.
Em muitos casos a dor da perda se agrava na existência de algum tipo de conflito, onde não havia uma boa convivência. É uma situação bastante delicada, pois normalmente um simples “me desculpa” resolveria a situação.

Superando uma perda

É claro que a dor da perda sempre irá existir, mas devo concordar com a música “Pais e Filhos“ de Renato Russo, onde ele diz que “é preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã”, pois o cuidado e respeito durante a vida ajudará a vivenciar a morte de uma forma mais serena, sem o peso e a culpa do que não foi feito ou do que ficou mal falado.
Além disso, é preciso aceitar e falar sobre a morte e isso inclui ter independência e não deixar a vida nas mãos da outra pessoa (bancos, compras, etc), quando maior a dependência maior a dificuldade de retomar a vida; conversar sobre a morte encefálica e doação de órgãos (muitos orgãos não são doados e muitas outras vidas são perdidas porque simplesmente isso não é conversado); informar outras pessoas de seguros de vida, pertences, etc.; não deixar planos e sonhos para depois e etc. Quanto mais falarmos e resolvermos as questões enquanto estamos vivos, mais natural será a morte quando ela chegar.
Então, podemos dizer que não existe um remédio milagroso que nos ajude a superar uma perda, a única solução é enfrentá-la e aos poucos construir uma nova história, sem culpa ou remorso.
O tempo se encarregará de trazer uma loja nova no bairro, um novo amigo, uma roupa nova, um corte de cabelo diferente, um emprego novo, novas experiências e assim a vida segue seu curso natural, sem esquecer é claro das boas lembranças que a pessoa deixou.
“A dor é suportável quando conseguimos acreditar que ela terá um fim e não quando fingimos que ela não existe.” (Allá Bozarth-Campbell)

Processo de luto e humanização da morte - coordenadas de um percurso emocional



Hélder J. F. Chambel
helderchambel@gmail.com 
Psicólogo Clínico & Formador Comportamental
2007
Resumo
Neste trabalho conceptualiza-se a intervenção psicológica no processo de luto. Procura-se relacionar as características de cada fase desenvolvimental do ciclo vital com as dificuldades subjacentes ao processo de luto e reflecte-se sobre as dinâmicas psicológicas associadas à perda e a morte. Procura-se compreender as contingências psicológicas de diferentes abordagens ao processo de luto e sobre a influência de alguns aspectos culturais na elaboração psíquica da perda.

No âmbito da psicologia, devemos colocar a abordagem à morte na morte representável, ou seja no processo de luto e na elaboração psíquica/emocional perda. O terreno da irrepresentabilidade da morte tem servido de pasto para filosofias esotéricas e religiões, tem alimentado oportunistas morais e económicos (vide mediuns, videntes e companhia ilimitada) com ligações directas para o além que (impunemente!) perpetuam o sofrimento e atrofiam o desenvolvimento emocional. Esse, naturalmente, não é o terreno da psicologia. Na abordagem à pessoa em luto devem ser respeitadas e conceptualizadas crenças e contextos culturais numa determinada estrutura de personalidade, no entanto não é objectivo da psicologia criar ateus ou católicos, e muitos menos devem as pessoas servir de telas fantasmáticas para projecções do próprio psicólogo, assunto maior, que a ética psicológica desvaloriza no seu discurso, e nós psicólogos silenciamos, numa cumplicidade comprometida.
No seu trabalho com pessoas em processo de luto (por isso em luta pelo sentido da vida) o Psicólogo deve ser um observador atento e interveniente no processo de integração da perda na estrutura de personalidade que é objecto do seu estudo, tendo por preocupação única a saúde mental da pessoa que se lhe apresenta com um pedido de ajuda..
É no entanto certo que há vida que há depois da morte, tem a ver com o que fica de nós nos outros, o que fica de nós na Humanidade, a nossa obra, o nosso projecto de vida e acima de tudo as nossas relações emocionais, perduramos nos outros, porque existimos por dentro dos outros. A morte é o contrário da vida? Quem morre continua a viver por dentro dos sobreviventes.
Quando confrontados com a perda daqueles que mais amamos, a vida pode deixar de fazer sentido. Podemos sentirmo-nos perdidos. Emocionalmente, nada em nós será mais profundo e doloroso do que o sentimento de perda irremediável. Pensamos que nada nem ninguém pode preencher o sentimento de vazio que os que partem deixam em nós. Pensamos que nada nem ninguém acalmará a angústia e as feridas interiores. É importante perceber a dimensão emocional da perda, pois há lágrimas que tem de ser choradas e há gritos que tem de ser gritados. A nossa condição humana pede-o, a saúde mental exige-o. Quem desconhece o amargo da tristeza não se delicia com o doce da alegria.
Uns partem suavemente num sabor agridoce, outros deixam-nos chagas por dentro, no coração. A isto não é alheia a teia relacional que connosco construíram. Repito: existimos por dentro dos outros e só por isso, quando a morte chega para os que mais amamos, a ausência física impõe um processo de desvinculação, achámos por bem chamar-lhe processo de luto, e verificámos que se divide em três fases: torpor/negação, desorganização e organização emocional, é a resposta psíquica à agressividade do meio.
É de importância maior saber que é da condição humana reagir à morte com a força do instinto de vida, Eros prevalece sobre Tanatos. Quando tal não se verifica, aparecem os lutos prolongados e complicados com sentimentos depressivos para além da razoável, pode-se então pensar que o luto nada mais fez do que pôr a nu a fragilidade estrutural preexistente. Furacão ou sismo emocional demasiado severo para a arquitectura do edificio psíquico. Impõe-se o espaço terapêutico como refundador da estrutura mental que vinga na vida, e se disponibiliza para a viver, como aliás é de seu direito.
Excluem-se da prioridade de intervenção psicoterapêutica sintomas reactivos, verbalizados pela voz ou pelo corpo, que pela sua própria definição tendem a extinguir-se quando deixarem de ser necessários à organização psíquica.
Pelo mesmo motivo se exclui a medicação para aliviar (calar) o sofrimento, o luto é um processo que implica expressão da dor, retardá-lo não ajuda em nada, pelo contrário pode comprometer. Já ambientes permissivos à expressão emocional são facilitadores e por isso transformadores da dor em expressão, fica-se mais próximo da vida.  
Na infância o mais aceitável é a partida de avós ou familiares próximos. Nestas alturas temos uma tendência quase inata para proteger as crianças romanceando a morte ou omitindo a verdade. Ainda que as crianças só compreendam o sentido irreversível da morte a partir dos seis anos, é importante deixar claro que a pessoa não volta e que não partiu por sua vontade. A criança intui o sofrimento dos outros e pior que a dor associada á verdade é a criação do tabu. O que a criança infere é que este é um sofrimento tão grande que os adultos acham que ela não aguenta, desvaloriza-se a capacidade emocional da criança, desvalorizando-se a própria criança afastada e impedida de estar próxima emocionalmente dos seus, cria-se uma barreira invisível que pode condicionar o espectro relacional futuro. Muitas vezes a criança entende que a pessoa partiu porque quis, contribuem para isso explicações como: foi fazer uma viagem, está num sítio muito melhor ou então essa espécie de silêncio ensurdecedor onde a voz se cala e os olhos gritam. Pelo seu egocêntrismo, está fácil de ver que a criança se pode colocar numa posição de abandono e culpabilidade, o que não é, de todo, conveniente em fases tão precoces de estruturação da personalidade. Acho que não se deve, pela ausência de verdade, pela mentira ou pelo silêncio deixar a criança entregue apenas á sua imaginação. É necessário enquadrar a fantasia da criança numa base realística, assim sim para sua protecção. “Proteger” a criança pela negação da dor, pode ser muito conveniente para familiares mais angustiados, mas desvaloriza a criança e cria o tabu da morte associada a um sofrimento incompreensível e inadmissível à consciência. As crianças não precisam de ser “infantilizadas” precisam de sinceridade e disponibilidade afectiva para chorar ou para construir a mais fantástica das histórias que permita elaborar de forma construtiva a angústia e a ansiedade.
A adolescência caracteriza-se pela afirmação da identidade. É necessário uma separação emocional das figuras parentais, o que acarreta alguma (saudável) agressividade inconsciente dirigida para tais figuras ou deslocada para figuras de autoridade, pior é quando, não encontrando alvo, a mesma agressividade se dirige para dentro (acting in) e corrói o frágil Self adolescente dando continuidade a uma tonalidade depressiva mais ou menos consciente. Não sendo o alvo da deslocação agressiva socialmente aprazivel (que permita elaboração da agressividade) aprofunda-se a culpabilidade e retrai-se o self no seu desejo de implementação no meio extra-familiar. Não sendo socialmente aceitável, chamamos-lhe acting out,  esse heroísmo anti-social que esconde o desejo de aceitação e projecta a culpa massivamente. Isto porque há sentimentos (sofrimentos) demasiado grandes para Homens ainda tão pequenos.
A idealização dos mortos (depois de morrer todos são perfeitos) associada as características desenvolvimentais da adolescência pode desvirtuar o processo de autonomização e agudizar (pela culpabilidade) sentimentos “persecutórios”. Quando na descoberta do mundo se aventuramos por caminhos menos esperados (fora dessa espécie de praga que é a normalidade) a típica ideia de que o morto está lá em cima a olhar por nós, pode ser uma fonte de segurança e protecção contra os maus olhados da vida, mas também se pode tornar numa espécie de Big Brother esse sim da vida real, em que se rege a própria vida em nome do mui perfeito, omnipotente e omnipresente morto. Assassina-se o gesto espontâneo e criativo. Hipoteca-se o sonho, morre-se para a Vida, em nome do morto. Humanizar a morte é também retirar os mortos do pedestral em que uns se colocaram em vida, e outros os colocámos nós depois da sua morte. É necessário que a morte não lhes retire a condição de humanos com qualidades e defeitos. Neste tipo de lutos é necessário estar atento a deslocações da agressividade e ao agir da tristeza e dos sentimentos de culpa. È preciso dar tempo ás pessoas para integrar a perda e respeitar os seus silêncios e revoltas. Tentando não criar mais culpabilidade pela agressividade agida ou verbalizada e remetendo para a irremediável tristeza subjacente ao gesto que a revolta (voz da indignação) grita.
O que se pode dizer a uma criança ou adolescente que perdeu o pai ou a mãe para aliviar o seu sofrimento? O que se pode dizer a um pai ou a uma mãe que perde um filho? Provavelmente nada... a profundidade da questão não é da mesma ordem de grandeza das palavras, é da dimensão o indizível. Por isso talvez só se possa ajudar com uma presença serena, disponível e sincera na afectividade. Talvez um silêncio sentido que respeite a dor alheia. Talvez um espaço de aceitação emocional incondicional (e a raiva e o ódio também são sentimentos) que dinamize a vida psíquica, para a pessoa não se feche (num silêncio igual ao dos cemitérios) e encontre mecanismos psicológicos capazes de transformar a angústia da perda em actividades satisfatórias de Vida.   
A morte, o fim de si próprio, está sempre presente nos adultos de forma consciente ou inconsciente. Tenho como certo que o melhor que os pais podem dar aos filhos é tão simples (e complexo) como isto: ensiná-los a viver sem eles. Não considero então as personalidades construídas em relações de grande dependência emocional como as mais prevenidas para enfrentar processos de luto. Ansiedade de separação, angústia de perda e castração podem-se traduzir num medo de morte e no medo da morte, do próprio e das bengalas que injustamente ocupam o espaço mental onde deveria estar a valorização narcísica. O Ser Per Si do Humano valorizado nas suas diferenças e singularidades permite-lhe renascer das cinzas emocionais que a dor deixa e fazer dessas cinzas fertilizante para a vida. O coxo da bengala mental caí se lha tiram. Se não gostado e protegido o suficiente na primeira infância, se não autonomizado numa separação que valoriza e respeita o Self emergente, se não aceite e valorizado na identidade de género, então a casa não tem  pilares mestres suficentemente fortes, e com fachadas mais ou menos enfeitadas, vai-se abaixo na primeira rabanada de vento. O luto é um tufão emocional, daí a importância da prevenção e da atenção que os processos de luto requerem, a adversidade do meio pode pôr a nu equilibrios precários e fragilidades emocionais encobertas por mecanismos pouco adaptativos.       
Olhemos agora para o conceito de morte na nossa sociedade. Uma das coisas que mais se ouve nos funerais é este já lá está e Deus leva os que mais gosta. Aliás, todo o conceito dos nosso funerais mais típicos é baseado numa ideia de passagem para outro lado. Será que não temos coragem de fazer uma despedida e ficamo-nos pelo até já? Que consequências têm estes aspectos no processo de luto? Bom, em mentes mais acicatadas os rituais fúnebres podem provocar no mínimo alguma ambiguidade e confusão: devo eu dizer adeus para sempre? Como pode Deus levar o meu filho? Ouvimos também dizer que é preciso seguir em frente. Julgo que a maioria das vezes que demostramos esta falta de afecto dizemos duas coisas: desculpa lá mas eu não tenho tempo para ouvir as tuas lágrimas e por favor não acordes em mim um sofrimento do tamanho do teu. O que pode levar as pessoas em luto a perguntar-se se tem o direito de estar tristes, se uma tristeza do tamanho do mundo pode ser normal. É necessário que alguém lhes diga que seguir em frente pode ser correr para lado nenhum.
Até porque negar o sofrimento é sofrer duas vezes, esquecer e seguir em frente nunca foi um acto de coragem, não é mais do que a frouxa arma dos que não têm a valentia de chorar a aceitação da verdade e a ruína da idealidade. Vive-se à superfície, nas ondas, nas marés de um sofrimento interior inaceitável. Perde-se o controlo, o rumo, o sentido da vida. Sofre-se duas vezes: por uma ferida interior dispersa (“Sofro sem saber porquê...”) e por uma vida futura amputada da vertente emocional, logo sem sentido.
Mas que não se confundam mecanismos psicológicos adaptativos e funcionais nascidos do desejo e da necessidade de vida com negação do sofrimento, sob pena de ficarmos prisioneiros de uma tristeza esclarecida, que não deixa de ser tristeza.   
Imagino eu, que o confronto com a morte próxima ou eminente obriga a uma espécie de  processo de luto de si próprio. Aparte as crenças pessoais, a verdade é que se parte deste mundo e se deixam as pessoas que se amam. Muitas vezes este luto é associado a processos degenerativos e outras questões se levantam. Outras vezes técnicos de saúde mais preocupados com a omnipotência pessoal ou utilizando como defesa emocional  a amputação afectiva impedem que a pessoa se despeça de si própria, da vida e dos que mais ama. Morre-se sozinho no meio de alta tecnologia, tal e qual como se cresce sozinho no meio de um qualquer plano tecnológico onde os recreios sejam orgulhosamente trocados pelo aprofundamento da esquizóide linguagem XPTO. 
Não é justo que a ciência médica, na ânsia de “matar a morte”, se esqueça do Homem. Parece-me de imprescindível humanidade respeitar a pessoa num momento tão importante da sua vida. Até porque, como tão bem se sabe, a morte faz parte da vida. Será o passo final de uma dança emocional que começou muito antes de nascermos, e como em todas as danças os últimos passos querem-se sentidos...e nunca sozinhos.
Considero que entender o luto do outro é encontrar em nós os caminhos (antes trilhados) das experiências emocionais de perda e angústia, se calhar por isso dizemos tanta vez: esquece e segue em frente. Essa não é a atitude profissional correcta, é a negação da ciência humana, é alimentar a defesa psicopatológica que gera sofrimento, é colocar o técnico ao serviço da doença.
Como disse antes estar de luto é, antes de qualquer acção comportamental, um processo interior que não se condiciona com exteriores engalanados e muito ocupados, do tipo “para inglês ver”. Mais: andar vestido de negro é o aspecto exterior. Dizer que não se está a sofrer é uma verbalização. Até chorar é apenas o corpo a falar. Sejamos claros: O luto é uma experiência emocional profunda, subjectiva e individual. Como tudo o que é do psíquico e íntimo/afectivo humano, é pouco dado a catalogações objectivas, observações directas, Escalas de Likert e técnicas mais ou menos racionalizantes.
Considera-se então o luto um processo dinâmico de integração emocional do sofrimento irremediavelmente subjacente á perda. O seu grau de intensidade vai depender de vários factores e condições: do tipo de vinculação com o falecido ás circunstâncias e aos significados da morte, passando, naturalmente, pelas características de personalidade do sobrevivente. O facto de não existirem clones emocionais confere a cada Ser Humano a possibilidade de percorrer “mares nunca antes navegados” no sentido da vida e a cada profissional a oportunidade de crescimento pessoal na tentativa de realização profissional. Assim haja a criativa disponibilidade emocional que advém do conhecimento pessoal por oposição a objectividade enganadora do receituário (que acredita que uma dor adormecida é uma dor inexistente) e à negação pelo “espiritual” (que estagna e entorpece o processo de luto).
Está então delineado um caminho de descoberta no apoio à pessoa em processo de luto. Desta forma dão-se passos a caminho da tão necessária humanização da morte e ao encontro com vida real que fica depois da morte. Não esquecendo nunca que humanizar a morte é (re)encontrar um sentido para a vida.
Será que a seguir ao tabu da sexualidade virá o tempo da dismistificação da morte? Talvez a nossa sociedade tenha vivido até agora na fase de choque e negação da morte (o tal além perfeito, curiosamente sem desejo...talvez por isso também sem culpa...logo perfeito). Talvez hoje se viva a fase da desorganização (apesar dos novos profetas de bata branca que anunciam a vida eterna em directo no telejornal). E talvez um dia aceitemos a nossa condição de Humanos simplesmente finitos em vida mas infinitos de vida nos outros Homens como nós, esses sim, à nossa imagem (e altura).

terça-feira, 12 de março de 2013

Cartórios Para Registro de òbito no D.F

Aos finais de semana e feriados, ficam cartórios de plantão exclusivamente para Registro da Declaração de Óbito - Informe qual cartório está de plantão no local aonde ocorreu o óbito.

O REGISTRO DE ÓBITO E NASCIMENTO SÃO GRATUITOS POR LEI.

CARTÓRIOS NO DISTRITO FEDERAL QUE PRESTAM SERVIÇO DE REGISTRO DE ÓBITO

1° Ofício de Notas, Registro Civil, Protesto, Títulos e Documentos e Pessoa  Jurídica do Núcleo Bandeirante 
Endereço: Avenida Central Área Especial 12 Bloco K
Tel : (61) 3552-0005 / 3552-1354 / 3552-3100 E-mail: cartnbdf@terra.com.br
Serviços:
Notas ; Procuração ; Escritura ; Reconhecimento de Firma ; Autenticação de Fotocópias ; Testamento ; Registro Civil ; Registro de Nascimento ; Registro de Casamento ; Registro de Óbito ; Protesto de Títulos ; Registro de Títulos e Documentos ; Registro de Pessoa Júridica ; Notificação . Horário de Funcionamento: 09h00 às 17h00

1° Ofício de Notas, Registro Civil, Protesto, Títulos e Documentos e Pessoa Jurídica do Guará DF  
Endereço: Quadra 01 Bloco B Loja 23
Bairro: Guará I Cidade: Guará-DF Cep: 71020-619
Tel 1: (61) 3381-5112 / 3381-5112 E-mail: cartnbdf@terra.com.br
Serviços:
Notas ; Procuração ; Escritura ; Reconhecimento de Firma ; Autenticação de Fotocópias ; Testamento ; Registro Civil ; Registro de Nascimento ; Registro de Casamento ; Registro de Óbito ; Protesto de Títulos ; Registro de Títulos e Documentos ; Registro de Pessoa Júridica ; Notificação . Horário de Funcionamento: 09h00 às 17h00
  
2° Ofício de Notas, Registro Civil, Protesto, Títulos e Documentos e Pessoa Júridica do  DF  
Endereço: Quadra Central Ed. Sílvio Bloco 07 Loja 05
Bairro: Quadra Central Cidade: Sobradinho-DF
Cep: 73010-700
Tel 1: (61) 3298-3300 / 3298-3345  E-mail: cartsobradinho@yahoo.com.br
Serviços:
Notas ; Procuração ; Escritura ; Reconhecimento de Firma ;
Autenticação de Fotocópias ; Testamento ; Registro Civil ; Registro de
Nascimento ; Registro de Casamento ; Registro de Óbito ; Protesto de Títulos ; Registro de Títulos e Documentos ; Registro de Pessoa Júridica ; Notificação . Horário de Funcionamento: 09h00 às 17h00
  
3° Ofício de Notas, Registro Civil, Protesto, Títulos e Documentos e Pessoa Júridica do DF  
Endereço: CSA 02 Lote 20  Loja 02 
Bairro: Taguatinga Sul Cidade: Taguatinga-DF Cep: 72015-025
Tel: (61) 3561-2722 / 3561-4244 / 3351-6230 E-mail: cart3tag@terra.com.br 
Serviços:
Notas ; Procuração ; Escritura ; Reconhecimento de Firma ; Autenticação de Fotocópias ; Testamento ; Registro Civil ; Registro de Nascimento ; Registro de Casamento ; Registro de Óbito ; Protesto de Títulos ; Registro de Títulos e Documentos ; Registro de Pessoa Júridica ; Notificação . Horário de Funcionamento: 09h00 às 17h00

4° Ofício de Notas, Registro Civil, Protesto, Títulos e Documentos e Pessoa Júridica do DF  
Endereço: Área Especial 04 Bloco B Lote 02
Bairro: Setor Tradicional Cidade: Brazlândia-DF Cep: 72720-640
Tel : (61) 3391-1239 / 3391-1239  E-mail: cartorio@cartoriobrazlandia.com.br
Serviços:
Notas ; Procuração ; Escritura ; Reconhecimento de Firma ;
Autenticação de Fotocópias ; Testamento ; Registro Civil ; Registro de
Nascimento ; Registro de Casamento ; Registro de Óbito ; Protesto de Títulos ; Registro de Títulos e Documentos ; Registro de Pessoa Júridica ; Notificação . Horário de Funcionamento: 09h00 às 17h00
  
1° Ofício de Registro Civil, Títulos e Documentos e Pessoa Jurídica do DF
Endereço: SCS Quadra 08 Ed. Venâncio 2000 Bloco B60 Sala 140-E
Bairro: Asa Sul Cidade: Brasília-DF Cep: 70333-900
Tel : (61)3224-4026 / 3223-8081 E-mail: cartoriomribas-df@terra.com.br
Serviços:
Registro Civil ; Registro de Nascimento ; Registro de Casamento ;
Registro de Óbito ; Registro de Títulos e Documentos ; Registro de Pessoa 
Júridica ; Notificação . Horário de Funcionamento: 09h00 às 17h00

2° Ofício de Registro Civil, Títulos e  Documentos e Pessoa Jurídica do DF 
Endereço: CRS 50 4 Bloco A Loja 07
Bairro: Asa Sul Cidade: Brasília-DF Cep: 70331-515
Tel 1: (61) 3214-5900 / 3214-5900 E-mail: cart2of@terra.com.br
Serviços:
Registro Civil ; Registro de Nascimento ; Registro de Casamento ; Registro de Óbito ; Registro de Títulos e Documentos ; Registro de Pessoa Júridica ; Notificação . Horário de Funcionamento: 09h00 às 17h00

3° Ofício de Registro Civil, Títulos e Documentos e Pessoa Jurídica do DF  
Endereço: Quadra 09 Conjunto 01 Lote 01 Ed. Panorama Sala 103
Bairro:  Cidade: Paranoá-DF Cep: 71570-012
Tel : (61) 3369-7707 / 3369-7655 E-mail: cart3paranoa@gmail.com
Serviços:
Registro Civil ; Registro de Nascimento ; Registro de Casamento ; Registro de Óbito ; Registro de Títulos e Documentos ; Registro de Pessoa Júridica ; Notificação . Horário de Funcionamento: 09h00 às 17h00

4° Ofício de Registro Civil, Títulos e Documentos e Pessoa Jurídica do DF  
Endereço: Quadra 02 Bloco A Lote 08 
Bairro: Setor Central Cidade: Gama-DF Cep: 72405-020
Tel : (61) 3556-1294 / 3385-4995 / 3484-8319 E-mail: cartoriodogamadf@hotmail.com
Serviços:
 Registro Civil ; Registro de Nascimento ; Registro de Casamento ;
Registro de Óbito ; Registro de Títulos e Documentos ; Registro de Pessoa 
Júridica ; Notificação . Horário de Funcionamento: 09h00 às 17h00

5° Ofício de Registro Civil, Títulos e Documentos e Pessoa Jurídica do DF 
Endereço: CNA 03 Lote 02, Praça do DI
Bairro: Taguatinga Norte Cidade:
Taguatinga-DF Cep: 72110-035
Tel : (61) 3352-1186 / 3352-1186 / 3563-4401 E-mail: cartorio5@gmail.com
Serviços:
Registro Civil ; Registro de Nascimento ; Registro de Casamento ;
Registro de Óbito ; Registro de Títulos e Documentos ; Registro de Pessoa 
Júridica ; Notificação . Horário de Funcionamento: 09h00 às 17h00
   
6° Ofício de Registro Civil, Títulos e Documentos e Pessoa Jurídica do DF  
Endereço: QI 416 Conjunto M Lotes 02/03 Loja 02
Bairro: Samambaia
Norte Cidade: Samambaia-DF Cep: 72325-025
Tel : (61) 3357-8000 / 3357-5758 E-mail: 6rtddf@gmail.com
Serviços:
 Registro Civil ; Registro de Nascimento ; Registro de Casamento ;
Registro de Óbito ; Registro de Títulos e Documentos ; Registro de Pessoa 
Júridica ; Notificação . Horário de Funcionamento: 09h00 às 17h00

7° Ofício de Registro Civil, Títulos e Documentos e Pessoa Jurídica do DF  
Endereço: CNM 01 Bloco H Lola 04
Bairro: Ceilândia Centro Cidade: Ceilândia-DF Cep: 72215-500
Tel : (61) 3581-2795/ 3581-6607 E-mail: cartorio7oficiodf@hotmail.com
Serviços:
Registro Civil ; Registro de Nascimento ; Registro de Casamento ;
Registro de Óbito ; Registro de Títulos e Documentos ; Registro de Pessoa 
Júridica ; Notificação . Horário de Funcionamento: 09h00 às 17h00

9° Ofício de Registro Civil, Títulos e Documentos e Pessoa Jurídica do DF  
Endereço: Avenida Independência Quadra 02 Bloco C/D
Bairro: Setor Comercial Central
Cidade: Planaltina-DF Cep: 73301-313
Tel 1: (61) 3389-8557 / 3388-3530 E-mail: nonoficio@brturbo.com.br
Serviços:
Registro Civil ; Registro de Nascimento ; Registro de Casamento ;
Registro de Óbito ; Registro de Títulos e Documentos ; Registro de Pessoa 
Júridica ; Notificação . Horário de Funcionamento: 09h00 às 17h00

FONTE DE PESQUISA: ( ASSOCIAÇÃO DOS NOTÁRIOS E REGISTRADORES DO DISTRITO
FEDERAL ) http://www.anoregdf.com.br/paginas/cartoriosdf.asp